-
“(...) há 10 anos, na televisão, em rodapé, aparecia “Cultura” e eram anunciadas exposições, palestras, conferências, concertos... Depois aparecia “Espetáculo” e eram anunciados fado, música pimba, e outros eventos do género. De há uns anos para cá aparece “Cultura” e são anunciados espetáculos pimba, palestras, livros... Tudo aparece no mesmo saco. A televisão fez pior pela cultura do que todos os vereadores da cultura sem formação, presidentes de câmara sem formação... A televisão veio adensar um problema porque um vereador da cultura que olhe para aquilo diz: «Eu faço cultura». Há uma grande confusão na cabeça das pessoas relativamente ao que é concretamente cultura. Há uma nova tendência na História da Música, havendo muita gente que diz que isto é tudo cultura... e algumas dessas pessoas que dizem isto estão nas Universidades... alguns são musicólogos. Apareceram as chamadas «músicas do mundo» abrindo a «caixa de pandora» e ela agora nunca mais se fecha. Qualquer dia somos todos entertainers, somos todos animadores. Deixaremos então de ser artistas e pessoas de arte. Passamos todos a ser animadores. Passa tudo a ser uma animação”.
-
Convidámos o Maestro António Vassalo Lourenço para a conversa que aqui partilhamos com os nossos leitores. Passámos em revista a sua carreira enquanto maestro e docente dando o natural destaque ao trabalho que tem vindo a desenvolver na Orquestra Filarmonia das Beiras. «Uma Orquestra Regional tem que ter muitos objetivos. Genericamente a nossa missão primeira deveria ser: levar a música sinfónica do tipo orquestral às populações que estão mais afastadas dos grandes centros e que têm menos acesso a este tipo de música. Isto está nos nossos estatutos, está nos objetivos do despacho normativo que criou as orquestras regionais. É um objetivo transversal e compreensível. Mas a verdade é que no terreno nem sempre temos público para isso. Portanto, o processo de implantação da Filarmonia das Beiras, como o das outras orquestras não foi fácil. Temos que perceber que, conforme os territórios, as realidades sociais e culturais são diferentes».
-
Viajámos para norte, mais especificamente para Moledo, para irmos ao encontro do Maestro António Victorino d'Almeida. Acabámos por realizar a entrevista em Caminha, terra que muito admira e da qual fala com orgulho. Falámos da sua vida, da sua música, da sua cidade, Viena de Áustria, e das suas preocupações relativamente a uma campanha de estupidificação das pessoas, que está a ser levada a cabo pelo poder político, referindo-se às Secretarias de Estado da Cultura e, principalmente, às Câmaras Municipais. Nesta entrevista, António Victorino d'Almeida mostra a sua indignação relativamente ao facto de se chamar música à música ligeira. O nosso entrevistado refere-se a uma arte menor que se está a intrometer e a ocupar o lugar da Música enquanto arte maior. Esta é mais uma entrevista que vem para propiciar reflexividade junto dos atores culturais, de quem os tutela e, acima de tudo, do povo português que, enquanto consumidor, está a ser privado de uma parte substancial da cultura à qual tem direito, por só se gastarem os orçamentos com a cultura fácil e populista.
-
Cinco vozes femininas com os seus instrumentos de bolso dão corpo a este projeto que dá pelo nome "Aquilo que vocês quiserem". Para além da música, também o teatro e o humor marcam presença num espetáculo que assenta o seu reportório em arranjos e novas versões de melodias de bandas sonoras de filmes diversos. As cinco amigas, estudantes de música clássica, irão estar no próximo dia 16 de Fevereiro na Casa da Música a apresentar "Bandas Sonoras de Bolso".
-
«(...) O nosso CD foi distinguido nos “Independent Music Awards” com o prémio de “Best Jazz Album with Vocals”. Nem queríamos acreditar que entre concorrentes de todo o Mundo o nosso CD tinha sido o escolhido! Ainda mais por um júri que contava com nomes como: Ann Wilson & Nancy Wilson dos Heart, Chiddy Bang, Suzanne Vega, G. Love, Sharon Jones, Laurie Anderson, Jim Lauderdale, Krewella, Shelby Lynne, Joshua Redman, Lunice, The Wood Brothers, Hudson Mohawke, Raul Midon, Melissa Auf der Maur, Aoife O’Donovan, Judy Collins, Meshell Ndegeocello, Arturo Sandoval, Band Of Skulls, entre outros (...)».
-
Na entrevista desta semana fomos ao encontro de Arnolfo Borsacchi. Para além de tentarmos conhecer um pouco melhor este músico/professor através do seu percurso e formação, iremos também ao encontro de um maior conhecimento relativamente a AIGAM - Associação Italiana Gordon para a aprendizagem da música. Esta é a única associação reconhecida oficialmente por Edwin Gordon para o ensino da Teoria da aprendizagem musical em Itália. Da mesma forma ambicionamos conhecer de forma mais aprofundada o seu trabalho no Brasil, nomeadamente no IEGAM - Instituto Edwin Gordon de Aprendizagem Musical.
-
«Eu diria que o ensino da música em Portugal, nas últimas duas décadas, evoluiu quase exponencialmente. (...) Tem vindo a ser desenvolvido um trabalho sustentado e de grande qualidade nas Escolas Profissionais de Música, nos Conservatórios e nas Academias de ensino oficial. Este ano letivo, em diversas masterclasses de violino que realizei em vários pontos do país, contactei com mais de oitenta alunos e denoto claramente que o nível performativo dos alunos de violino é cada vez mais elevado. Assemelha-se, sem dúvida, ao praticado no estrangeiro (...). A aprendizagem da música foi aberta à comunidade, mas com as restrições orçamentais que se têm vindo a suceder ultimamente temo que haja um retrocesso e, nesse caso, certamente que voltaremos a ficar novamente desfasados do que se pratica noutras partes do mundo».
-
Quando três músicos se juntam e abraçam a divulgação e promoção da Música Portuguesa, só podemos esperar empenho e dedicação aliados à enorme vontade de defender aquilo que amam. Foi assim que nasceu a AvA Musical Editions. Nesta entrevista quisemos conhecer melhor este projeto de sucesso português. Rui Pinheiro - pianista, José Lourenço – flautista e Nuno Fernandes - tubista dedicam-se à criação e manutenção e incremento de um catálogo dedicado ao repertório que vai desde o século XVIII até à produção contemporânea. Este catálogo é diversificado relativamente aos géneros instrumentais e destina-se a formações desde o Instrumento Solista, Música de Câmara, Coral e Orquestral, incluindo Ópera, Música Concertante e Música Sinfónica.
-
A artista brasileira Bárbara Eugenia passará pelo Musicbox em Lisboa no próximo dia 4 de setembro. Sobre este concerto disse-nos: «Vamos tocar músicas dos 3 discos (sim, haverá músicas inéditas do meu terceiro álbum que será lançado em outubro) e assim mostrar um pouco de tudo. Além das canções dos discos também haverá uma versão ou outra... sempre faço versões, há tanta música boa no mundo!». Bárbara Eugenia conhece e gosta de Amália Rodrigues, Francisco José, Madredeus, Legendary Tigerman e de Dead Combo. Já quanto à música que se faz no seu país afirma que «o Brasil é um eterno período fértil mas realmente nos últimos dez anos há uma abundância incrível de artistas maravilhosos».
-
Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas compõem os Best Youth. Conhecidos pelo tema Hang Out que emana do seu EP Winterlies, os Best Youth, cedo obtiveram reconhecimento internacional sendo a banda nomeada como uma das principais bandas portuguesas a seguir, pelo site francês Les Inrocks. Optimus Primavera Sound, SwTMN, Optimus Alive e Paredes de Coura, foram alguns dos festivais que contaram com a presença dos Best Youth em 2012. Os Best Youth lançam-se em 2013 para o primeiro disco de longa duração que será editado internacionalmente pela [PIAS] Recordings cujo primeiro single, "Still your Girl" já anda a tocar nas rádios.
-
Músico experimentador, criador de jogos performativos e pesquisador das questões ligadas à improvisação, ao jogo, à interdisciplinaridade e à criatividade… É assim que se define Vitor Óscar Fernandes, ou seja, Bitocas como todos o conhecem. O XpressingMusic foi ao encontro deste homem que viaja pelas artes fazendo com que pareçam uma só coisa em si mesma. Nesta conversa com o Bitocas iremos tentar saber um pouco mais sobre as suas criações no âmbito do lúdico e da música.
-
O seu mais recente trabalho chama-se “Cornerstone”. Os Brass Wires Orchestra têm apenas dois anos de existência e contam já com presenças em palcos internacionais, como o Hard Rock Calling e Hyde Park em Londres. Também os principais festivais nacionais como o Optimus Alive são ponto de passagem deste projeto que se dedica ao revivalismo do folk de autoria nacional. Após algum tempo a tocarem juntos, os Brass Wires Orchestra sentiram a necessidade de construir um conjunto de temas originais que mais tarde acabariam por se tornar em hinos incontornáveis nos seus concertos. Entre estes temas poderemos destacar, por exemplo, “Tears of Liberty” ou “Wash My Soul”.
-
Brenda Vidal Hermida estudou no Conservatório Superior de Vigo com os professores Cristina Olivar, Maider Ordozgoiti, Emilio Álvarez e Nicasio Gradaille. Em 2005, foi admitida na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE) do Porto, na classe do professor Luís Filipe Sá, continuando os seus estudos em Espanha ao mesmo tempo. Concluiu em ambas escolas com as mais altas qualificações. Já se apresentou como solista em várias ocasiões e colabora regularmente com a Banda Municipal de Pontevedra, Orquestra Filharmónica Cidade de Pontevedra, Banda Municipal de A Coruña e Banda Sinfónica Portuguesa, entre outros. Nestes contextos já atuou em grandes salas de Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Brasil, e China.
-
Brendan Hemsworth é professor assistente convidado da Escola Superior de Educação do Porto. Leciona ainda no Colégio Luso-Francês e no Instituto Orff do Porto. É licenciado em Produção e Tecnologias da Música pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) e encontra-se a realizar o Mestrado em Ensino de Música, variante Bateria Jazz pela Universidade de Aveiro. O XpressingMusic foi ao seu encontro para saber um pouco mais sobre este músico que se divide entre as salas de aula, os palcos e o estúdio.
-
Não é fácil passar 40 anos de carreira numa entrevista, mas foi o que tentámos numa conversa informal em Coimbra numa tarde de fevereiro. Luís Garção, Arnaldo Carvalho, Catarina Moura e Miguel Moita foram respondendo às primeiras questões mas rapidamente saímos do alinhamento partindo para uma conversa sem programação definida. Enquanto isso, num piso mais abaixo, Aurélio Malva, José Tovim, Joaquim Teles (Quiné), Manuel Rocha e Rui Curto gravavam dois temas inéditos. A Brigada Victor Jara faz parte de um património musical que atravessou gerações. Incumbiram-se da responsabilidade de trazer a tona o melhor da tradição musical portuguesa. Para eles, a palavra e a música são mais do que a junção das partes. Fique a saber porquê na entrevista que se segue.
-
No dia 26 de Maio pelas 19 horas, Bruno Borralhinho irá apresentar o CD “Portuguese Music for Cello and Orchestra”, com edição da NAXOS, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian. Antes disso quisemos entrevista-lo e descobrir mais sobre a sua relação com o violoncelo e com a música. «Neste novo CD - um trabalho inédito por ser o primeiro inteiramente dedicado à música portuguesa para violoncelo e orquestra e gravado para um dos maiores selos discográficos do mundo - tenho o prazer de ser acompanhado pela Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro Pedro Neves. O que, por si só, também é especial, uma vez que não é assim tão comum ver e ouvir por aí uma gravação exclusivamente dedicada à música portuguesa, com um solista português, uma orquestra portuguesa e um maestro português».
-
Pela sua formação, passaram nomes como Pedro Carneiro, Miguel Bernat, Arthur Lipner, Conny Kadia, Alexandre Frazão, Denis Riedenger, Oliver Pelegri e Philippe Spiesser. Bruno Estima, que até iniciou a sua aprendizagem musical pelo piano, é hoje respeitado pelos seus pares e divide a sua vida entre a performance musical e a carreira docente. Fez e faz inúmeros workshops e já lecionou no Conservatório da JOBRA em Albergaria. Atualmente é professor na Escola de Artes da Bairrada e lidera o projeto CRASSH. Bruno Estima mantém também uma estreita colaboração com a Casa da Música cooperando com o Serviço Educativo.
-
Bruno Santos não começou pelo trompete mas, o efeito e o impacto criado por este instrumento no seio de uma orquestra, cativou-o ao ponto de se dedicar de corpo e alma ao mesmo. Os nomes que mais o influenciaram até ao momento e a presença constante do exemplo do seu irmão foram alguns dos temas que nos ocuparam nesta breve entrevista ao jovem que conquistou o Prémio Jovens Músicos em trompete. Bruno não exclui a possibilidade de ir aprofundar os seus estudos para o estrangeiro mas tocar em Portugal é um objetivo que fica claro quando nos diz: «Gosto do meu país e em Portugal há boas orquestras e bons executantes». Tem os pés bem assente na terra e remata esta entrevista dizendo: «Neste momento quero acabar o 12º ano na escola Profissional Metropolitana e ingressar no ensino superior para melhorar e valorizar os meus conhecimentos».
-
O nosso entrevistado guiou-nos numa visita à sua carreira e à sua vida. Quando era pequeno gostava de guitarra mas rapidamente a bateria ocupou um espaço enorme nas suas preferências. Na sua formação houve professores que foram marcantes, neste sentido disse-nos que «o Sr. Rui Cardoso, que era professor de solfejo e um excelente saxofonista, com um sentido de humor bastante peculiar, muito exigente e duro com os seus alunos, mas que fora de aulas era um grande senhor e excelente companhia. O Bernardo Moreira, que era professor de história do jazz, e que mesmo com uma idade bastante avançada conseguia transformar aulas de 3 horas em “filmes” incríveis, de uma cultura musical fora de série. Depois o Henry Sousa e o Pedro Viana, ambos professores de bateria. O Henry com um método mais “old school” e o Pedro que tentava sempre adaptar o que íamos aprendendo à realidade atual. Todos foram bastante importantes para iniciar alguns métodos de ensino quando comecei a tentar dar aulas».
-
Budda Guedes respondeu às perguntas do Portal do Conhecimento Musical e deu-nos a conhecer o percurso dos Budda Power Blues. Destacaram-se alguns dos momentos altos do projeto que já conta com 11 anos de carreira e ficou evidente o entusiasmo com os trabalhos que abraçam no presente. Relativamente aos pontos altos referiram que «tocar com a Shirley King e ser a sua banda na Europa, foi e é uma experiência incrível. É uma cantora negra, americana e filha do maior Bluesman de sempre (BB King)». No presente as conquistas continuam e... «super gratificante foi sermos eleitos a melhor banda de Blues nacional pela Blues Foundation e representar Portugal no European Blues Challenge em abril deste ano». Saiba também que vem aí um novo disco com a cantora Maria João.