Jean-François Lézé chegou há 20 anos a Portugal. Recorda-se como se tivesse sido ontem. Nesta entrevista, em jeito de comemoração, revisitamos a sua vida artística que tem sido recheada de êxitos. Fala-nos da evolução da música e dos músicos em Portugal e da sua participação neste contexto. Jean-François Lézé encara a criação artística como uma só e considera que "A música deve ser sentida, intencional, consciente ou inconsciente, intelectual, emocional, improvisada, ensaiada e vivida". A música, para o nosso entrevistado, "corresponde a um gesto, um som caraterizado pelo propósito intelectual ou a intenção emocional".
Clark é uma banda portuguesa que tem vindo a conquistar a pulso o público e a crítica. Falam-nos do álbum "Bipolar" que, segundo estes, é um disco agridoce. "As canções de «Bipolar» falam-nos de relações entre pessoas, sentimentos, emoções, e estados de espírito por vezes antagónicos (daí o nome «Bipolar»), numa perspetiva que tem como objetivo permitir que quem as escute se possa sentir em algum momento parte integrante ou protagonista das histórias relatadas". Quando questionados relativamente à passagem dos seus temas em telenovelas dizem-nos: "Os tempos de pudores, relativamente à colagem de artistas a novelas, já lá vão". Os Clark dizem-nos ainda que "Passar nas rádios generalistas com cobertura nacional é um privilégio que não é para todos...".
O violinista Carlos Damas, reconhecido internacionalmente nos mais prestigiados meios musicais, aceitou o nosso desafio para uma entrevista onde abordámos a sua carreira como instrumentista e como pedagogo. Carlos Damas é Mestre em Artes Musicais, Doutorando em Psicologia e Educação da Música. Faz parte do Conselho de Direção da Academia Nacional Superior de Orquestra. Carlos Damas considera que Portugal tem ótimas condições para promover festivais de música erudita pois está dotado de inúmeros Mosteiros, igrejas, parques naturais que seriam espaços ideais para acolher esse género de eventos. Para o nosso entrevistado ainda existem vários obstáculos a ultrapassar para que a música erudita e o público se aproximem de forma mais efetiva. Um dos problemas reside no facto dos canais televisivos raramente noticiarem a música erudita. Na opinião de Carlos Damas, "conseguiremos ser um país muito mais rico no dia em que promovermos mais a cultura do que o desporto".