«(...) sinto e vejo que há muita gente a tocar e a dedicar-se a projetos originais, alguns de grande qualidade, cada vez mais jovens músicos de qualidade com ótima formação, mais escolas para os formarem, gente mais velha de grande qualidade que é excelente referência e modelo para os mais novos... Parece-me no entanto que se estacionou num modelo de grande economia de meios que pode ter aspetos negativos. Parece-me que se privilegiam os grupos pequenos, trios e quartetos com pouca instrumentação. Sinto que as ideias de arranjos são pouco desenvolvidas e que falta um pouco esse lado de criação de texturas diferentes dentro do mesmo grupo, um pouco como nós fazíamos no Trovante em que quase cada música tinha ambientes diferentes. Havia uma maior variedade de cores. Mas não posso deixar de reconhecer que há muita coisa interessante a acontecer e a música talvez esteja a viver um dos seus momentos de maior criatividade».
Dejan Ivanović esteve na origem e na direção do Festival Internacional de Guitarra Clássica “Guitarmania” em Lisboa (Portugal) até 2010. A este propósito refere: «Eu lamentava o facto de uma capital europeia como Lisboa não estar no mapa internacional guitarrístico, por outro lado, a criação do Guitarmania permitiu a apresentação de grandes nomes internacionais da guitarra provenientes de escolas totalmente distintas e que demonstraram a sua credibilidade que contribuiu para que os seus guitarristas alcançassem uma carreira internacional. A ideia era abrir horizontes, aprender na variedade e demonstrar aos nossos jovens alunos que sempre existem várias possibilidades e múltiplas escolhas para fazer». Atualmente é professor de guitarra na Universidade de Évora e mantém uma carreira internacional como performer.
Clarinetista, jovem, mas com relevantes conquistas internacionais, Tiago Bento diz-nos: «(...) a escola de clarinete em Portugal é uma referência e isso é um facto. Temos tido regularmente grandes eventos no nosso país como por exemplo o “Meeting de Loures”, o festival “Clarinet Talents”, a “Academia Ibero-Americana” onde podemos encontrar nomes sonantes do clarinete a nível mundial. Isto é uma coisa que há muitos anos atrás não seria de todo possível realizar no nosso país. Portugal está na rota da elite mundial a nível do ensino do instrumento. Agora, não podemos considerar na totalidade um dos maiores centros mundiais de clarinete porque temos pouquíssimas oportunidades de trabalho. Isto é um facto. Deviam, as pessoas com responsabilidades institucionais para isso, investir mais na cultura e possibilitar uma maior oferta de emprego aos nossos jovens, algo que os prendesse aqui e que não os fizesse querer sair do país em busca de oportunidades de trabalho. Podemos estar a perder aos poucos os nossos maiores talentos, o que me entristece um pouco e com certeza a todos os portugueses».