«Durante vários anos não me dei conta do que já tinha conquistado em termos artísticos. Penso que só me terei apercebido, numa primeira fase, em 2003 com a gravação do meu primeiro disco. Um trabalho que não representava aquilo que eu estaria a pensar musicalmente naquele momento, mas antes um disco que sumarizava os anos anteriores, o meu estudo intenso, as maiores influências. Lembro-me de ter decidido isso, e de o ter partilhado com os músicos que me acompanhavam na altura, os quais também escolhi por sermos todos, eventualmente, “emergentes”: o Jorge Moniz, o Bruno Santos e o Nuno Correia. Nesse momento pensei que, ou gravava aqueles temas marcadamente Hard-Bop ou, tinha a consciência que, provavelmente, já não o viria a fazer. Nunca me arrependi dessa decisão!»
O músico brasileiro Leo Cavalcanti, de passagem por Portugal, aceitou responder às perguntas do Portal do Conhecimento Musical. Mas nem só dos concertos que fará no MusicBox e na Madeira se falou. Os seus discos e o momento que a música brasileira vive foram também tema de conversa numa entrevista na qual ficámos a conhecer melhor o jovem artista. Foi a propósito desse momento da música brasileira que nos disse: “Acho que é um momento de grande volume de produções autorais e de grande variedade, onde as pessoas estão realmente buscando desenvolver suas próprias linguagens musicais, sem querer se enquadrar em caixas. Acho isso maravilhoso, e me identifico. Muitas sementes de coisas novas. É uma grande renovação. Mas não vejo isso como um movimento ideológico unido, com um discurso e uma homogeneidade. Vejo como um fenómeno inevitável e sincrónico de renovação e de ampliação do espectro de expressividade da música popular”.
Ars Iberica nasceu em 2013 e desde essa data tem vindo a consolidar-se enquanto grupo e a afirmar-se como grupo de referência no âmbito da interpretação da denominada música antiga. As flautas, o violoncelo e o cravo utilizados são cópias de instrumentos do século XVIII e “cada concerto é estruturado e pensado em função de uma temática. Neste momento estamos a preparar um concerto tendo por temática a música ibérica e suas influências na segunda metade do séc. XVIII. Assim, temos por exemplo obras de Avondano e em simultâneo incluímos 12 Kline Stuke (1758) de Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788), compositor de referência neste período”. Esta entrevista dá a conhecer o trabalho que é desenvolvido pelo Ensemble Ars Iberica que se irá apresentar no “3º Festival de Música Antiga de Castelo Novo (Concelho do Fundão), no dia 26 de julho, pelas 15 horas, na Igreja Matriz. Este concerto será efetuado no encerramento da 3ª edição do Festival”.