«A questão atual é para mim preocupante no sentido em que grande parte do ensino é gratuito e isso indiretamente traz alguma desvalorização. Ou seja, uma grande parte dos alunos estão no ensino especializado da música porque é gratuito. A um nível básico, não me parece preocupante, pois é uma mais-valia para a formação de um ser humano desenvolver as competências que a música traz, tal como está estudado e relatado por muitos investigadores. A questão prende-se num nível já de ensino secundário, quando os alunos são inseridos no regime do ensino especializado da música. O empenho, a motivação e o gosto pela prática do instrumento deviam ser as prioridades para que o aluno fosse inserido neste regime. É muito frustrante para um professor de instrumento que ambiciona que os seus alunos absorvam o seu conhecimento, sentir que o aluno está ali simplesmente porque é mais uma disciplina que tem que cumprir».
“(...) há 10 anos, na televisão, em rodapé, aparecia “Cultura” e eram anunciadas exposições, palestras, conferências, concertos... Depois aparecia “Espetáculo” e eram anunciados fado, música pimba, e outros eventos do género. De há uns anos para cá aparece “Cultura” e são anunciados espetáculos pimba, palestras, livros... Tudo aparece no mesmo saco. A televisão fez pior pela cultura do que todos os vereadores da cultura sem formação, presidentes de câmara sem formação... A televisão veio adensar um problema porque um vereador da cultura que olhe para aquilo diz: «Eu faço cultura». Há uma grande confusão na cabeça das pessoas relativamente ao que é concretamente cultura. Há uma nova tendência na História da Música, havendo muita gente que diz que isto é tudo cultura... e algumas dessas pessoas que dizem isto estão nas Universidades... alguns são musicólogos. Apareceram as chamadas «músicas do mundo» abrindo a «caixa de pandora» e ela agora nunca mais se fecha. Qualquer dia somos todos entertainers, somos todos animadores. Deixaremos então de ser artistas e pessoas de arte. Passamos todos a ser animadores. Passa tudo a ser uma animação”.
Orquestra Sinfónica Portuguesa, Sinfonieta da ESMRS, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Clássica de Espinho, Orquestra Filarmonia das Beiras e a Orquestra Sinfónica da Póvoa de Varzim são algumas daquelas em que já atuou. Horácio Ferreira, apesar de muito jovem, tem um currículo rico em participações e já foi dirigido por vários maestros de prestígio internacional. Nesta entrevista quisemos conhecer melhor a sua carreira e todo o percurso realizado até chegar aos reconhecimentos que enchem de orgulho aqueles que fizeram, de uma forma ou de outra, parte da(s) sua(s) caminhada(s). “Trabalhar com diferentes maestros faz-nos experienciar pontos de vista, ideias e formas de trabalhar distintas. Cada músico tem a sua essência e os maestros exploram de forma muito particular as suas ideias. Sinto-me feliz por poder tocar regularmente com as várias orquestras pois considero que são sempre experiências enriquecedoras que me ajudam a crescer enquanto músico”.