Felipe Antunes está com viagem marcada para Portugal onde irá realizar vários concertos. Já em Espanha, aceitou o nosso desafio para responder a algumas questões sobre a sua carreira e a carreira dos Vitrola Sintética. Sobre o momento musical que o Brasil atravessa disse: «De facto um dos maiores problemas é a compreensão da necessidade de cultura para a vida das pessoas. E isso é natural em um país que ainda abriga uma grande desigualdade social. Se por um lado há diversas formas de financiar publicamente a cultura pra que o acesso seja democrático, por outro, quem vive na periferia não tem nem tempo e nem disposição - depois de trabalhar um dia todo e ter de enfrentar horas pra chegar até a sua casa – pra ir buscar uma atividade cultural. Então, naturalmente que a pessoa fica em casa consumindo o que a mídia, principalmente televisiva, já organizou pra ela. E pode ter certeza, nesse plano raramente a nossa margem independente está».
O maestro Luís Miguel Clemente aceitou o nosso desafio e respondeu às nossas questões. Disse-nos que "na área da direção de orquestra, quando maior for a experiência e a atividade, melhor! A direção de orquestra é uma área que requer preparação, conhecimento e experiência, muito para além da música per si sendo que tudo aporta e contribui para o desenvolvimento das ferramentas necessárias para desempenhar esta profissão". Adiantou ainda que "Finalmente estamos a conseguir acompanhar o excelente nível artístico desta geração de instrumentistas. Existem projetos muito interessantes, músicos e professores excelentes e, nesse aspeto, Portugal não fica atrás de nenhum país. Onde ainda temos um grande caminho a percorrer é relativamente aos apoios, nomeadamente sponsors e mecenas para a área cultural. Refiro-me a um nível empresarial e não apenas a apoios estatais".
Pela primeira vez em Portugal, numa série de concertos entre os dias 25 de junho e 2 de julho, Floriana Cangiano, mais conhecida por FLO, aceitou o nosso desafio e respondeu a algumas perguntas. FLO Virá apresentar o seu último trabalho «D'amore e di Altre Cose Irreversibili». "Vivemos num mundo dominado pelos bancos que nos querem fazer pensar que o dinheiro, o poder e o lucro são os únicos fatores que importam... Eu recuso-me a aceitar esta forma de pensar. Eu escolhi viver de uma maneira diferente, com pessoas que pensam como eu. Eu tenho o apoio de uma marca livre, independente, que compartilha comigo os mesmos ideais, Agualoca Records. Seria mais fácil fazer «música de plástico», mas não é isso que nos interessa. Prefiro ter um público transversal, internacional, feito de pessoas que acreditam que música pode fazer bem à alma humana".