O compositor Luís Tinoco acedeu ao nosso desafio para uma entrevista onde os nossos leitores poderão ficar a conhecer melhor o seu percurso académico e profissional. “Identificava-me com a música escrita por vários compositores britânicos - Birtwistle, entre outros - e, na Royal Academy, encontrei um ambiente de estudo estimulante e toda a liberdade que procurava para continuar a procurar uma linguagem musical própria. A variedade, de correntes estéticas, oferecida em Londres era francamente mais alargada do que aquela que eu tinha encontrado no meu país. Hoje, o contexto do ensino da Composição em Portugal é inquestionavelmente mais plural e aberto – comparando com o que tínhamos na década de 90. Na altura havia uma certa asfixia no ensino que era depois prolongada na forma como a música contemporânea era programada em Portugal. Em países como a Inglaterra, entre outros, podíamos encontrar um contraponto a esta realidade e foi essa liberdade que verdadeiramente me levou a estudar em Londres”.
Manuel Paulo falou-nos dos seus projetos musicais, da sua carreira e não deixou de refletir sobre o contexto em que se insere a cultura em Portugal atualmente. “Se pensarmos que vivemos num país que reserva para a cultura 0,1% do seu orçamento, num tempo em que temos a mais inculta e medíocre das administrações, onde aparentemente o futebol, os empacotados televisivos e uma ou outra canção boçal, parecem ser suficientes para essa mesma administração, que vai embrutecendo deliberada e cirurgicamente a população, então é realmente difícil, só que ironicamente cada vez surgem mais e melhores projetos artísticos. Há cada vez mais músicos e melhores, o que mostra bem que a cultura e a arte em particular não dependem de governos e das suas filosofias culturais. Penso que isto também é válido para as outras formas de arte. Claro que quando há uma política cultural tudo se torna mais fácil, mas não dependemos deles”.
No final de junho entrevistámos o baterista e pedagogo Dom Famularo. Igual a si mesmo transbordou a sua boa disposição e enorme vontade de partilhar nas palavras que se seguem. “A aprendizagem de um instrumento está relacionada com a habilidade para tocar música! A música é o que é importante. Uma canção é uma história e nós, como músicos, estamos encarregues de contar essa história. Tocar menos é sempre a melhor maneira de contar uma história. Tocar demasiado é tentar trazer a atenção para o baterista. A canção é a mensagem e nós somos apenas o mensageiro. Nós estamos ao serviço da música! Isto é tocar música, é comunicar com as pessoas para inspirá-las. Este é o poder da música!”