"Considero que, atualmente, Portugal vive uma época recheada de talentos da música profissional designada por erudita. Com a aposta em cursos artísticos especializados no domínio da música, através da criação de inúmeros conservatórios, academias, cursos profissionais e cursos superiores, seguiu-se, um desenvolvimento de profissionais formados e com expectativas de desenvolverem a sua carreira artística e aplicar os conhecimentos adquiridos. Mas o facto é que depois de nos formarmos, apercebemo-nos que a única saída profissional na área da Música em Portugal é o ensino. No meu entender, não faz muito sentido após um enorme investimento no ensino artístico, o nosso país não defender financeiramente os seus artistas, não existirem apoios, verbas suficientes para a Cultura, é realmente de lamentar e um contrassenso".
Um CD onde Beethoven e Lopes-Graça são reinventados ao piano por Marta Menezes e a carreira de uma portuguesa que decidiu ir pelo mundo absorver as praxis de outras paragens serviram de mote para uma entrevista onde o piano é o cerne e ao mesmo tempo fio condutor. Marta Menezes deixa claras, nesta entrevista, as suas opções académicas, de vida e de carreira. A pianista portuguesa que já atuou em países como Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Suíça, Itália, Alemanha e Cabo Verde encontra-se atualmente a fazer o seu Doutoramento em Música na Universidade de Indiana (EUA), na classe do pianista Arnaldo Cohen e diz-nos que este é mais um passo importante na sua formação. "Estou a terminar o primeiro ano e estou muito satisfeita. Não deixa de ser curioso o facto de estar a fazer o Doutoramento nos EUA com aulas de piano em português".
Eneida Marta tem sido um nome muito falado nestes últimos dias a propósito do lançamento do seu último disco "Nha Sunhu". Em entrevista ao portal do conhecimento musical, disse-nos que os poemas bem escritos não merecem estar só no papel mas também devem ser transformados em música para mais facilmente chegarem às pessoas. Sente-se livre e diz que é essa a condição que lhe possibilita cantar a "liberdade". Relativamente ao cargo de embaixadora da UNICEF referiu: "ser Embaixadora de Unicef significa que agora, mais do que nunca, terei que advogar a favor das crianças, fazendo cumprir todos os seus direitos". Aos jovens que ambicionam alcançar uma carreira musical como a sua, Eneida Marta diz para jamais perderem a humildade. "Nha Sunhu" é então o disco que conheceremos melhor nesta entrevista.