Duarte construiu uma relação ímpar com o fado. Nesta entrevista falou-se da sua carreira e do seu último trabalho “Sem Dor nem Piedade”. Sobre este disco disse-nos: «A minha preocupação com “Sem Dor nem Piedade” não foi a de transmitir, mas antes a de servir - assim como quem serve um jantar. Servir musicalmente um tema e um conceito. Servir o tema do luto num conceito de quatro atos. Um melodrama fadista com vista a uma reabilitação arquitetónica de um “eu” em ruínas». Não deixou de nos falar da forma como foi acolhido na Casa de Fados Senhor Vinho. «Sinto que o Sr. Vinho será para mim um lugar por excelência de formação artística, relativamente à qualidade das interpretações, à escolha do reportório, das composições, das letras. Uma “escola” onde os artistas/alunos são convidados a trabalhar no sentido de obter uma consolidação dos conhecimentos face às suas potencialidades e limitações para que, com esses mesmos conhecimentos, possam definir, o mais autenticamente quanto possível, o seu caminho».
Fica bem claro, nesta entrevista, o percurso do clarinetista Tiago Abrantes. Da sua aprendizagem às inúmeras atividades que desenvolve enquanto performer até à sua prática docente, tudo é aqui passado em revista. A paixão pela música, que não guarda só para si, é evidente, o conceito de partilha é uma constante e o sentido de justiça, um fio-condutor numa vida onde não parece haver pontos baixos dada a sua enorme vontade de avançar. O palco é um dos seus habitats naturais que se junta ao universo da pedagogia e da didática musical. «Os alunos e colegas/professores que se têm cruzado comigo nos vários Conservatórios por onde tenho passado vão conhecendo a minha maneira de ser, a minha sensibilidade musical, a minha maneira de ensinar e isso tem-se traduzido em alguns convites para orientar cursos de clarinete e música de câmara. Por gostar bastante deste tipo de trabalho, fico sempre entusiasmado quando recebo convites para ministrar estes cursos de aperfeiçoamento».
O universo da direção, a carreira e muito mais são passados em revista nesta entrevista a Jan Wierzba. Sobre os próximos projetos ficámos a saber que terá um projeto com a Orquestra Sinfónica Portuguesa nos Dias da Música 2016, outro com a Orquestra Gulbenkian em junho e julho. Mas há mais: «Gravarei um CD com obras de compositores portugueses com o Ensemble SÍNTESE e apresentar-me-ei em Itália com o Ensemble SEPIA em novembro. Tentarei fazer parte do leque de escolhidos a participar na Masterclass de Bernard Haitink em Lucerne, farei um Estágio de Cordas na EPABI na Covilhã, bem como uma tournée em duo com a Soprano Joana Seara no Brasil. Para além disto, já tenho alguns projetos previstos para 2017, que ainda não me são permitidos divulgar».