Sonatas for cello and piano
Ressonâncias de uma interioridade

25/10/2017, Ricardo Vilares

Sonatas for cello and piano

L. Freitas Branco / C. Franck - Sonatas for cello and piano

Filipe Quaresma; António Rosado

Edição de Autor / Artway
AR001

2017 / CD


Dois dos mais proeminentes instrumentistas portugueses da atualidade, António Rosado (piano) e Filipe Quaresma (violoncelo), encetaram recentemente uma colaboração artística, cujo primeiro fruto discográfico já se encontra nos escaparates. A gravação com a chancela da Artway, realizada no Centro Cultural das Caldas da Rainha, em junho de 2017, regista as sonatas para violoncelo e piano de Luís de Freitas Branco (1890-1955) e de César Franck (1848-1890). A escolha do repertório foi, nas palavras de António Rosado, «norteada unicamente pela motivação».

A sonata para violoncelo e piano de Luís de Freitas Branco, datada de 1913 (1912+1, como indicado na partitura manuscrita, resultado da inabalável superstição do autor), pertence a uma primeira fase criativa do compositor. A sua vertente neoclássica contrasta com a linha modernista revelada, no mesmo ano, em obras como o poema sinfónico Vathek e as peças para canto e piano sobre poemas de Mallarmé e Maeterlinck. Esta modernidade é, também, evocada na edição deste CD através da pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, com o quadro “Janelas do pescador”, que ilustra a capa.

A sonata para violoncelo e piano de Luís de Freitas Branco evidencia a influência de César Franck, nomeadamente na sua construção de raiz cíclica, princípio composicional presente igualmente na obra do compositor franco-belga. Em ambas as composições vários elementos temáticos desprendem-se dos segmentos melódicos iniciais apresentados pelo violoncelo.
De salientar nesta gravação a capacidade dos dois músicos em transmitir diferentes matizes psicológicas que vão percorrendo a obra. Momentos de grande concentração expressiva e lirismo, como aquele que caracteriza o registo do terceiro andamento desta obra, contrastam com a vivacidade rítmica, no incisivo e rápido quarto andamento, do qual os dois músicos nos dão uma interpretação vigorosa e plena de energia.
A fluência discursiva, a dimensão poética e subtil, evidenciada na sonata de Luís Freitas Branco, é aprofundada na sonata de César Franck. Ao longo de toda a obra fica, ainda, patente a ampla paleta de cores conseguida pelos dois instrumentistas, ilustrada na perfeição no terceiro andamento da obra, de grande profundidade emocional, num entendimento musical perfeito transversal a toda a gravação.

O disco teve o seu lançamento a 1 e 4 de outubro de 2017, no Museu Nacional da Música (Lisboa) e no Centro Cultural e Congressos das Caldas da Rainha, respetivamente.

Disponível nas lojas FNAC, Distopia e em artway.tictail.com

 

Ricardo Vilares

Ricardo Vilares

Ricardo Vilares é licenciado em História e Teoria da Música, pela Universidade de Évora, e mestre em musicologia, pela Universidade de Aveiro, com a dissertação intitulada “Um sagrado enlevo: Moreira de Sá e o culto da música de câmara no Porto”.
Foi professor assistente convidado no Instituto Piaget Nordeste e na Universidade do Minho. Presentemente, é docente de História da Cultura e das Artes – História da Música no Conservatório de Música do Porto. Tem, igualmente, desenvolvido uma atividade enquanto redator de notas de programas e comentador de recitais e concertos, entre os quais se destaca “Um recital e uma obra de arte”, promovido pelo CMSM e Câmara Municipal do Porto.

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