Fuga para a América Latina
Um mar que nos separa, uma música que nos aproxima

12/12/2017, Ricardo Vilares

Instantâneos
Fuga para a América Latina

Fuga para a América Latina

Nepomuceno; Villa-Lobos; Guerra-Peixe; Carrapatoso; Plaza; L. Garcia; A. Romero; Piazzolla.

Camerata Atlântica; Ana B. Manzanilla (dir.).

Ed. Autor

2016 / CD


A Camerata Atlântica, projeto musical cujos primórdios remontam a 2013, com a direção artística da violinista venezuelana Ana Beatriz Manzanilla, vê agora editado o seu primeiro trabalho discográfico. O registo foi realizado num concerto ao vivo no Instituto Superior de Economia Gestão (ISEG), em Lisboa, no âmbito de um Concerto Antena 2, no dia 11 de abril de 2016, no encerramento da série “A influência da América Latina”, organizada pela União Europeia de Rádios, transmitida na Alemanha, Bulgária, Croácia, Espanha, Grécia, Hungria, República Checa e Roménia.

Figuram no CD os compositores brasileiros, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e César Guerra Peixe, os venezuelanos Juan Bautista Plaza, Luis Garcia, Aldemaro Romero, o argentino Astor Piazzolla e o português Eurico Carrapatoso. O repertório gravado evoca a tradição erudita ocidental, como a fuga, e a música popular sul-americana, como a milonga, o tango argentino, a quirpa venezuelana, o chorinho brasileiro, ainda que pela mão do português Eurico Carrapatoso, ilustrando a capacidade da música em quebrar barreiras geográficas e aproximar povos e culturas. Apesar de um mar que nos separa, há uma música que nos aproxima, ou que nos permite estar mais próximos de casa.

A gravação prima pelas cores sonoras vibrantes, com muitas referências ao folclore, aos ritmos da dança popular latina-americana. De sublinhar, na interpretação da Camerata Atlântica, a energia rítmica da Quirpa Venezuelana (Luis Garcia), a paleta tímbrica alargada, por vezes com sonoridades percussivas, em Mourão (Guerra Peixe), o controlo do tecido contrapontístico na Fuga Criolla (Plaza) e na Fuga con Pajarillo, a sensualidade insinuante, nos Chorinhos (Carrapatoso), ou intensamente dramática em La muerte del ángel (Piazzolla), e o lirismo nostálgico na Milonga del ángel e na Melodia em lá menor (Piazzolla).

 

Ricardo Vilares

Ricardo Vilares

Ricardo Vilares é licenciado em História e Teoria da Música, pela Universidade de Évora, e mestre em musicologia, pela Universidade de Aveiro, com a dissertação intitulada “Um sagrado enlevo: Moreira de Sá e o culto da música de câmara no Porto”.
Foi professor assistente convidado no Instituto Piaget Nordeste e na Universidade do Minho. Presentemente, é docente de História da Cultura e das Artes – História da Música no Conservatório de Música do Porto. Tem, igualmente, desenvolvido uma atividade enquanto redator de notas de programas e comentador de recitais e concertos, entre os quais se destaca “Um recital e uma obra de arte”, promovido pelo CMSM e Câmara Municipal do Porto.

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