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Marcelo dos Reis não se considera uma pessoa muito disciplinada no sentido de estudar x horas por dia, mas a sua vida é preenchida de música nas suas mais diversas vertentes. «Honestamente sou uma pessoa muito pouco disciplinada no que diz respeito à ideia do ter que estudar estas ou aquelas horas por dia, pois vivi um pouco isso há muitos anos atrás e hoje, no meu dia-a-dia, trabalho a tempo inteiro com música. Tenho uma editora, organizo concertos, coordeno uma academia de música onde também leciono guitarra, e isso faz com que estude diariamente muitas coisas, que não só jazz, rock ou improvisação. Muitas das vezes até prefiro afastar-me da música que crio, para poder pensar nela, e voltar com novas ideias, que não aquelas onde me sinto mais confortável e estabelecido».
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Márcio Monteiro já fez um pouco de tudo na vida. Ocupou lugares como o de delegado comercial, administrativo e, no âmbito da música, foi responsável durante 3 anos por um projeto musical amador inserido num movimento jovem de carácter religioso. Atualmente está de corpo e alma numa atividade que o apaixona e fascina ligado à afinação e manutenção de pianos.
(disponível também em vídeo)
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Marco Brescia é pianista, organista, Doutor em Musicologia Histórica/Organologia mas, no dia 2 de abril, fomos ao seu encontro para falar do Festival Internacional In Spiritum - Música e Contemplação na Cidade do Porto no qual tem deixado a sua assinatura como Diretor Artístico. Na segunda edição, à semelhança da primeira, alicerça-se a proposta de fruição do património edificado portuense através da linguagem musical. Fazer com que essa linguagem chegue aos mais diversos setores da sociedade e culmine numa realização similar a outros festivais europeus idênticos e de grande tradição tem sido o principal objetivo. Marco Brescia realçou a associação entre profissionais, cidadãos, agentes culturais e sociais e principais instituições da cidade. O concerto de abertura é já no dia 30 de abril no Salão Árabe do Palácio da Bolsa onde atuará a violinista americana Michelle Kim.
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Fados do Fado é o novo trabalho que nos é trazido por Marco Rodrigues e serviu de mote para uma entrevista que aqui partilhamos com os nossos leitores. “(...) achei que estava na altura de gravar um disco que reunisse grandes êxitos do fado, e que, num meio onde a mulher sempre teve tanto protagonismo, homenageasse o papel que os homens tiveram ao longo da sua história. Por essa razão, optei por escolher - em conjunto com o João Pedro Ruela e com o Diogo Clemente - uma seleção de temas muito conhecidos no meio, tanto pelas suas letras e melodias fantásticas, como por terem sido cantados por vozes que foram referências. Fizemos questão de incluir também nesta homenagem alguns dos grandes intérpretes de outras gerações, como o Max, o Tony de Matos ou o Tristão da Silva, cujo trabalho infelizmente por vezes começa a ser pouco divulgado junto das novas gerações, o que gera algum desconhecimento”.
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Entrevistámos Margarida Cardoso que, para além de nos ter falado do seu percurso académico e pessoal, nos falou sobre a investigação que se encontra a fazer sobre José dos Santos Pinto. A investigação tem dado frutos mas o entusiasmo leva a investigadora a querer ir muito mais longe. «Quanto mais avanço mais descubro, e por isso vou vendo mais longe um fim a esta investigação. Como não havia muitos registos pessoais do compositor, foi necessária a pesquisa de várias fontes e foram descobertas várias pistas, que já esclareceram várias questões. No entanto, há ainda muito por descobrir, principalmente muitos factos mais pormenorizados da vida artística de Santos Pinto e muitos outros músicos que permanecem esquecidos nos nossos dias, mas que foram os professores dos nossos professores».
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Nascido em Salvador-Bahia, o Professor Marcos Moreira é Mestre em Educação Musical pela Universidade Federal da Bahia, onde também obteve o diploma de Licenciatura em Música. O nosso entrevistado é também Especialista em Gestão Escolar pela Faculdade Montenegro. Em Alagoas, é Professor Assistente e mantém o Grupo de Pesquisa na UFAL- Universidade Federal de Alagoas. Na entrevista que se segue, tentaremos descobrir mais um pouco sobre a vida deste investigador que se tem empenhado em manter bem viva a chama da música em vários contextos escolares e ainda no das Bandas de Música no Brasil.
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Maria Ana Bobone em entrevista fala-nos de si, do seu percurso e dos seus projetos. Não teme ser mal interpretada devido às arrojadas abordagens que faz e lembra que no início do século XX o fado já era acompanhado ao piano. «Eu nunca fui uma fadista tradicional. Isso traduziu-se sempre em projetos altamente personalizados. (...) O Fado e Piano, que é o mais personalizado dos meus CD’s, está bastante defendido pelo facto de ser histórico que o fado era acompanhado ao piano no início do século XX e, portanto, não se poder dizer que é sacrilégio... Tenho noção, no entanto, que é uma abordagem completamente diferente da tradicional, apesar de igualmente legítima».
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María Berasarte é espanhola mas já se tornou uma voz indissociável da música portuguesa. Arriscou cantar o fado em espanhol e foi muito bem-sucedida, chegando mesmo a ser convidada por Carlos do Carmo para o concerto do seu 45º aniversário pelos palcos de todo o mundo. Deixamos aqui esta entrevista onde fica claro que Portugal está no mapa das suas vivências e das suas influências musicais. «As minhas influências são as que eu vivencio no meu dia-a-dia. Nos últimos tempos parto da minha terra, País Basco, e daí vou navegando por diferentes pontos geográficos sem fazê-lo intencionalmente. É inevitável que me encontre perto de Lisboa e dos sons mediterrânicos. Afinal canto aquilo que sou».
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Na entrevista de hoje iremos aflorar aspetos da arquitetura, da música e da acústica em Portugal. Para concretizarmos estes nossos anseios e verificar as íntimas relações que existem entre estes três polos do conhecimento, convidámos Maria do Céu Mota que nasceu no Porto em 1972 e viu editado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto o seu livro: “Arquitectura, Música e Acústica no Portugal Contemporâneo”. A nossa convidada é Licenciada em Ensino de Música pela Universidade de Aveiro e mestre em História da Arte Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. Profissionalmente, é professora de Piano e de História da Cultura e das Artes no Conservatório de Música da Jobra em Albergaria-a Velha – Aveiro - Portugal.
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Maria Mendes é um nome incontornável do jazz atual. De passagem pelo CCB e Casa da Música proporcionou-nos a entrevista que se segue. «Alguns músicos com quem dividi e ainda divido o palco foram e continuam a ser uma inspiração na aprendizagem para a minha música, a minha banda Holandesa e a minha querida banda Portuguesa. Ídolos sim, claro, muitos... Pat Metheny, Keith Jarret, Maria Schneider, Jacky Terrason, Chet Baker, Betty Cartet, Carmen McRae, Shirley Horn, Dianne Reeves, Bernardo Sassetti, Bill Evens, John Coltrane, Hermeto Pascoal, Elis Regina, Chico Buarque, Sting, Chopin, Debussy, Ravel, são os principais que nunca, nunca canso de ouvir».
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O nosso entrevistado desta semana provém de uma família de músicos. Irmão de Eugénio Barreiros e de Pedro Barreiros, muito cedo deu os primeiros passos no meio musical. Com apenas oito anos de idade integrou o grupo "Mini-Pop", formado pelo seu pai e irmãos. Este projeto musical gravou vários discos e foi uma das revelações do "Festival de Vilar de Mouros" de 1971.
Mário Barreiros é um músico Português polivalente e detentor de um enorme engenho reconhecido pelos seus pares. Seja como baterista ou guitarrista, professor ou produtor musical ou ainda como técnico de gravação, mistura e masterização, há qualidades e características transversais que o tornam único e fazem dele um dos mais requisitados talentos da música, em Portugal e não só.
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A lista de óperas em que tem participado diz bem a intensidade do trabalho de Marina Pacheco. Em 2013, A Laugh to Cry de Miguel Azguime, no Teatro São Luiz em Lisboa e foi Princesse, em L'enfant et les Sortilèges, de Ravel no Teatro Helena Sá e Costa no Porto. Em 2012 foi Inês, em A Africana de Giacomo Meyerbeer, numa adaptação da Companhia de Teatro Cão Solteiro e Vasco Araújo no Teatro Maria Matos em Lisboa; Páris, em Páris e Helena de Christoph Willibald Gluck no Teatro São Luiz em Lisboa e no Theatro Circo em Braga, Cunegonde, em Candide, de Leonard Bernstein, numa adaptação de José Lourenço no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima. Em 2011 já tinha sido Kristin, em Julie, de Philippe Boesmans em Gent na Bélgica. Marina Pacheco fez em 2009/2010 uma tournée pelo norte do país dando corpo a "Teresa" em Amor de Perdição, de João Arroyo... Marina Pacheco não esquece aqueles que foram os seus mestres. Por outro lado, o seu mérito também tem vindo a ser reconhecido como mostram os vários prémios obtidos e as bolsas que lhe foram concedidas. A nossa convidada foi bolseira do Santander e da Robus Foundation e atualmente é bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (Prémio Jovens Músicos e enquanto elemento da ENOA – European Network of Opera Academies).
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«Eu tenho o meu público que espero alargar à medida que for tocando em mais sítios e dando a ouvir a minha música. Não me queixo. O nosso mercado é pequeno e neste momento a indústria está virada para o fado que é único, bom e fácil de exportar e para “one hits”. É o que é. Todos os músicos – a não ser meia dúzia – trabalham mais e ganham menos. Sabemos que conseguir levar um disco até às suas últimas consequências (risos) depende imenso da força da promoção, do investimento da editora e consequentemente dos apoios da rádio. Tudo isso se conjuga para fazer ou não o sucesso. Como não controlamos muitas destas variáveis, o melhor é fazer aquilo em que se acredita e seguir em frente. É para isso que temos de estar preparados».
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A sua carreira é intensa e povoadíssima de grandes momentos. Na opinião do cantor, Portugal oferece outras condições para os estudantes de música, embora Portugal continue a ser um país no qual não se aposta em projetos sólidos e de longo prazo. «Diria que, se pensar no meu tempo de estudante, sem dúvida que Portugal oferece hoje outras condições. Porém, creio que continuamos a ser um país que navega à vista e não dá suficiente importância a projetos de base, alicerçados, de longo prazo. Não é fácil ter uma carreira estruturada, seletiva em termos de opções de repertório, por exemplo, restringindo-nos ao panorama nacional. Diria que mudou ao nível da rede escolar, mas que ao nível da programação das salas, o conhecimento e, muitas vezes os meios à disposição, não permitem que essa excelente formação possa ser capitalizada para o grande público».
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Um CD onde Beethoven e Lopes-Graça são reinventados ao piano por Marta Menezes e a carreira de uma portuguesa que decidiu ir pelo mundo absorver as praxis de outras paragens serviram de mote para uma entrevista onde o piano é o cerne e ao mesmo tempo fio condutor. Marta Menezes deixa claras, nesta entrevista, as suas opções académicas, de vida e de carreira. A pianista portuguesa que já atuou em países como Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Suíça, Itália, Alemanha e Cabo Verde encontra-se atualmente a fazer o seu Doutoramento em Música na Universidade de Indiana (EUA), na classe do pianista Arnaldo Cohen e diz-nos que este é mais um passo importante na sua formação. "Estou a terminar o primeiro ano e estou muito satisfeita. Não deixa de ser curioso o facto de estar a fazer o Doutoramento nos EUA com aulas de piano em português".
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Embora tenha começado pelo piano aos quatro anos de idade, foi a guitarra que, aos 8, começou a fazer parte da sua vida. Inaugurou este percurso pela guitarra clássica e, aos 18 anos, por influência do pai, inicia-se na Guitarra Portuguesa pela mão de Carlos Gonçalves, guitarrista de Amália Rodrigues. Foi nesta altura que começou a frequentar o Clube de Fado, em Lisboa, o que lhe deu a oportunidade de privar com grandes mestres como Mário Pacheco e Fontes Rocha acabando por acompanhar diversos fadistas de renome que frequentam aquela importante casa de Fado.
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Massimo Cavalli nasceu em Trivero (Itália) em 1969. Começou os seus estudos musicais pelo baixo eléctrico tendo como mestres Flavio Piantoni e Enzo Lo Greco. Mais tarde inicia o seu percurso no contrabaixo jazz com Paolino Dalla Porta. Nesta entrevista fazemos uma viagem entre a sua carreira académica e a de performer. No seu portfolio encontram-se várias participações em espetáculos e gravações com artistas e projetos tais como Laurent Filipe, Quinteto de Ruben Alves, Jacinta, Amélia Muge, Joel Xavier, Fernando Tordo, Ala dos Namorados, Orquestra Chinesa de Macau, Jean Pierre Como, Mafalda Veiga, João Pedro Pais, Susana Félix, Projeto Rua da Saudade, Alexandre Diniz, entre muitos outros...
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Massimo Mazzeo já passou pelas mais prestigiadas orquestras de câmara. I Virtuosi di Roma, I Virtuosi di Santa Cecilia, Accademia Strumentale Italiana, Musica Vitae Chamber Orchestra (Suécia), Caput Ensemble de Reykjavik são alguns dos exemplos de formações em que já atuou. O nosso entrevistado é Diplomado pelo Conservatório de Veneza e, numa contínua busca pela perfeição, continuou a estudar viola-d'arco com Bruno Giuranna e Wolfram Christ, e música de câmara e quarteto de cordas com os membros dos célebres Quarteto Italiano e Quarteto Amadeus. Massimo Mazzeo integrou ainda algumas das mais representativas orquestras do panorama musical italiano dirigidas por ilustres maestros, entre os quais se destacam Leonard Bernstein, Zubin Metha, Carlo Maria Giulini, Yuri Temirkanov, Giuseppe Sinopoli, Georges Prêtre, Lorin Maazel, Valery Gergiev e tem gravado para as editoras BMG, Erato, Harmonia Mundi France, Deutsche Harmonia Mundi, Nuova Era, Movieplay, Nichion e Dynamic.
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Assumem a música klezmer como influência central nas suas produções. No entanto, os Melech Mechaya falam-nos da música portuguesa como uma influência forte embora todos os géneros vizinhos do klezmer acabem por aparecer naturalmente. Assim, a música balcânica, a música árabe, o flamenco para além de outras inúmeras influências marcam presença implícita na música deste original projeto. A crítica não podia ser mais positiva, sobretudo em algumas revistas como a fRoots, a Songlines, ou FolkWorld. O "Aqui Em Baixo Tudo É Simples" foi nomeado para Melhor Disco Instrumental nos Independent Music Awards 2012 onde o júri incluía nomes como Tom Waits, Suzanne Vega e Ziggy Marley. Este álbum entrou para o Top de algumas rádios em Espanha, Itália e nos Estados Unidos. Este ano trouxeram-nos "Gente Estranha", um disco onde grande maioria das composições é dos Melech Mechaya.
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Mayra Andrade é uma voz de Cabo Verde que tem encantado o mundo. No início de novembro virá a Portugal para, mais uma vez partilhar o seu espetáculo com o público luso. A este respeito disse-nos: «Vou a Portugal com os músicos que tocam habitualmente comigo e que já tocaram comigo um pouco por todo o mundo. É um concerto que está bem rodado pois estamos a fazê-lo já há dois anos, sendo que os primeiros até foram aqui em Portugal. O espetáculo tem ganho muita força e consistência. Acho que estou a cantar as músicas muito melhor, logo, para mim, este já é um concerto muito diferente daquele que fazíamos há dois anos atrás. Para além disso vou ter dois convidados muito especiais no Porto e em Lisboa que são a Sara Tavares e o Pedro Moutinho e me vão dar a honra e o prazer de partilhar o palco comigo».