Saraswati no XpressingMusic

SaraswatiSaraswati é licenciada em Música pela University College, Cardiff, obtendo na mesma instituição a Pós-Graduação em Educação. Possui ainda outra licenciatura em piano pela Royal Academy of Music em Londres. Em 1987 mudou-se para Portugal onde trabalha com projetos musicais diferenciados vindo a criar o seu próprio projeto denominado Coral Sinfónico de Portugal. Sobre estes e outros projetos falaremos durante os próximos minutos. Fiquem então com Saraswati.

Entre 1971 e 1987 ensinou música e piano na Escola de Santa Maria, Calne, foi diretora musical da Elliot School em Londres, uma escola com cerca de 2000 alunos e com um gigantesco departamento de música, terminando este período em Suffolk onde lecionou piano a nível particular e acompanhou cantores e coros. Foi nesta altura que teve seis filhos. O que aconteceu de tão relevante na sua vida que a fez vir para Portugal em 1987?
Foi pura e simplesmente no intuito de viver uma aventura enquanto os nossos filhos ainda eram pequenos. Vendemos a nossa casa na Inglaterra, comprámos e convertemos uma camioneta numa “residência” para nós e para os nossos animais de estimação - cão, gato e égua - e arrancámos, sem destino, à procura do sol!

Entre 1987 e 1995 trabalhou com o Choral Phydellius em Torres Novas. Esta experiência foi importante para si? Pode falar-nos um pouco desse período?
Foi: o Choral Phydellius acolheu-nos de uma forma muito afável, mas foi principalmente por conhecer o Maestro José Robert. Para mim, foi extremamente interessante observar a sua maneira de abordar reportório e a sua maneira de dirigir. Até cheguei a participar nalguns dos seus Cursos de Direção Coral.

O Coral Sinfónico de Portugal nasce em 1990. Este projeto é muito mais do que um simples coro pois dedica-se à promoção e ensino da música através de oficinas e cursos de curta duração e residências artísticas, bem como à produção de grandes concertos corais e sinfónicos. Podemos concluir que este foi um sonho que se tornou realidade? Pode falar-nos também um pouco do reportório que é trabalhado no Coral Sinfónico de Portugal?
Não, não houve sonho nenhum. Eu vivia um dia de cada vez, imersa na minha vida familiar, empenhada na construção da nossa casa e a limpeza da pequena quinta que tínhamos comprado. Mas cada vez mais, estimulada pela influência do José Robert, vi a minha vida musical a renascer, ou espontaneamente ou inevitavelmente, não sei dizer!
SaraswatiNa Inglaterra, tinha dirigido e participado numa grande diversidade de estilos corais e musicais. Fiquei, portanto, com pena que os meus colegas do Choral Phydellius nunca tenham tido a oportunidade de cantar com uma orquestra. Então houve um tema musical, o início da “Missa em Dó” de Beethoven que entrou na minha cabeça e se recusou a sair! Resolvi contatar cantores amadores e convidar interessados que viessem a participar nalguns Workshops que organizei para estudarem e interpretarem a referida peça, acompanhados no fim por uma orquestra de músicos profissionais. Na altura, não tinha a menor intenção de fazer mais nada, foi uma autêntica carolice! Mas encorajada pelas pessoas, acabei por fazer um segundo concerto, a “Missa em Fá menor” de Bruckner, e uma terceira, o “Requiem Alemão” de Brahms, e o resto é história, como dizem. Ao longo destes anos todos, o Coral Sinfónico tem apresentado as obras principais do reportório coral sinfónico: os “Requiens” de Verdi, Mozart, Dvorák, Fauré, Duruflé, Bomtempo, a “Missa em Si menor” de Bach, entre outras; também obras mais modernas, de Poulenc, de Puccini, de Karl Jenkins e, obviamente, a “Carmina Burana”!

Em 1995 Funda a Academia Nova de Música em Torres Novas ensinando Piano e Música e preparando alunos para os exames da Associated Board of the Royal Schools of Music. O objetivo deste projeto consistia em canalizar novos talentos para o Coral Sinfónico de Portugal?
Nem por isso. São duas atividades distintas, embora seja natural que haja alguns alunos que experimentem tudo. Com os meus alunos de piano, aproveito os exames da Associated Board para os motivar. É um sistema muito bem concebido e preparado com o objetivo de estimular o entusiasmo de instrumentistas, independentemente da idade. Há sempre material novo nos programas que o Board, com os seus cento e tal anos de experiência, elabora, que estimula os professores tanto como os alunos, o que às vezes é bem necessário! Os exames da Board realizam-se por todo o mundo, e nos últimos anos, o número de candidatos em Portugal tem subido em flecha.

A partir de 1998 entram na sua vida a professora Liliana Bizineche e a Universidade de Évora. Pode partilhar com os nossos leitores como surgiram estas oportunidades de trabalhar com os alunos desta professora e desta Instituição de Ensino Superior?
Conheci a Liliana há muitos anos, através de um amigo comum. Ela é uma pessoa muito generosa e aberta, e durante muitos anos, ela orientava Masterclasses de Canto aqui na Quinta de Vishuddha, aproveitando a “pianista da casa”. Mais tarde, ela convidou-me a trabalhar com ela na Fundação Musical dos Amigos das Crianças e, posteriormente, na Universidade de Évora.

Em 2002 continua a dedicar-se à direção do Coral Sinfónico de Portugal e prossegue o seu trabalho com alunos particulares de piano, adultos e crianças, acumulando ainda os acampamentos musicais dirigidos a crianças. Pode falar-nos um pouco destes acampamentos?
Realizamos duas vezes por ano as “Férias da Música” aqui na Quinta, onde temos condições engraçadas para acolhermos os jovens que vêm participar. O grupo, na sua maioria alunos de piano, não pode ser muito grande, de maneira a que cada participante possa receber uma atenção mais personalizada. Mas o objetivo principal é o convívio musical entre eles. O próximo será antes do Natal.

O seu percurso mostra-nos que para além da paixão pela música coral e orquestral, abraça com muito vigor e regularidade o ensino do piano. A sua forma de abordar o ensino deste instrumento diferencia-se das metodologias mais utilizadas em Portugal e na restante Europa?
Não sei responder! Cada professor tem o seu método, os seus objetivos, as suas prioridades, aproveitando os meios disponíveis como melhor entender! A meu ver, o que é mais importante, para além da sua capacidade e experiência musical, é que um(a) professor(a) tenha uma personalidade, uma sensibilidade e maturidade que inspira os seus alunos, que se sirva da música da melhor forma para enriquecer a sua qualidade de vida e a qualidade de vida dos outros.

Saraswati

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