Entrevista ao guitarrista português Paulo Bastos

Paulo BastosNa entrevista de hoje, o XpressingMusic foi ao encontro do guitarrista Paulo Bastos. Este, iniciou a sua atividade musical com apenas 9 anos, principiando o estudo da guitarra aos 10, passando nos anos seguintes pelos conservatórios de Coimbra e de Aveiro, tendo sido neste último que terminaria o 8º grau de guitarra clássica, bem como o curso complementar de música. Mas, nem só estes conservatórios estiveram na base daquilo que nos é apresentado hoje por este guitarrista. O seu projeto mais recente chama-se “Faces da Guitarra”.

Paralelamente ao conservatório, frequentou o Curso Superior de Licenciatura em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações na Universidade de Aveiro tendo concluído o mesmo no ano 2000. Podemos daqui concluir que a música não é a sua única paixão?
Sim, podemos. Na realidade a vida e o tanto que ela nos pode oferecer é a minha grande paixão. Mas falando particularmente na engenharia, é algo que realmente gosto de fazer pois também tem os seus encantos e desafios, gosto de ser desafiado constantemente e surpreender-me comigo próprio e com a vida, a engenharia dá-me isso pois na minha área (software/telecomunicações) a evolução tecnológica acontece a grande velocidade pelo que me obriga a estar em constante aprendizagem e a encontrar sempre novos e fascinantes desafios.
Ao contrário do que possa parecer um engenheiro tem muitas vezes de usar criatividade para resolver os problemas que vão surgindo. Sinto muitas vezes que o meu lado criativo me ajuda na engenharia e quando consigo encontrar uma solução realmente engenhosa/criativa para um problema aparentemente impossível é quando me sinto mais realizado como engenheiro. Mas, da mesma forma, sinto que a engenharia me ajuda também no estudo da música, principalmente na parte mais técnica, objetiva e na organização do estudo, pois o segredo de uma boa técnica tem muito a ver com a existência de um bom método de estudo: organizado, otimizado, muito objetivo, racional, com uma forte componente de auto análise e muito focalizado. Tudo isto é muito importante e utlizado também na engenharia.

Depreendemos do seu currículo que atribui grande valor à formação, pois para além de ter frequentado o Curso Superior de Licenciatura em Ensino de Música vertente Guitarra Clássica na Universidade de Aveiro, participou ainda em várias formações. Pode falar-nos um pouco dos cursos de aperfeiçoamento que fez?
Considero que a formação é muito importante na medida que nos dá as ferramentas para podermos ir além daquilo que somos naturalmente por intuição e talento natural. Mas dependendo da área da música em que estamos inseridos nem sempre isso é algo vital. Diria que não haverá músico na área do erudito sem formação académica sólida, no entanto nas músicas de caráter mais popular: POP, ROCK, Tradicional, Blues, senão a maioria dos músicos, pelo menos grande parte deles não tem ou tem uma formação musical bastante básica (refiro-me aos mais conhecidos). É que nestes estilos musicais a intuição é algo muito valorizado quase que se pode dizer que a música é tão personalizada e intuitiva que a formação iria tirar a autenticidade ao artista, tal como quando se constroem estradas e prédios (colocam elementos artificiais) numa bela paisagem natural. Nestes estilos musicais (tecnicamente mais simples em termos de composição musical) por vezes dou por mim a pensar que a formação faz-nos ser demasiado calculistas e em vez de facilitar por vezes atrapalha e vem até dificultar quem busca a simplicidade e essência do seu ser na sua forma mais básica. Mas por outro lado também sinto muitas vezes que nos aumenta o leque de possibilidades de expressão e aumenta exponencialmente a facilidade de aprendizagem de novas músicas e instrumentos.
Paulo Bastos ConcertoQuantos aos cursos que frequentei foram vitais para mim como músico que sou hoje:
- A Universidade e os workshops de guitarras clássicas foram fundamentais, lembro-me perfeitamente que dei passos largos na técnica, no som, na interpretação, em cada um desses cursos isto não só com a absorção dos diferentes e riquíssimos pontos de vista dos professores (que neste tipo de cursos são sempre referencias a nível mundial e nacional), como com os colegas alunos. Tudo isto sempre envolto num ambiente fervilhante de conhecimento e vontade de aprender. Num espaço de dias saímos pessoas novas, lembro-me, por exemplo, que um dos grandes saltos que dei a nível da qualidade de som que retirava da guitarra foi fruto de um desses cursos com o professor Paulo Vaz de Carvalho.
- Os workshops de jazz do Contrabaixista Zé Eduardo abriram-me uma porta, até então para mim desconhecida, para o extraordinário mundo do jazz. Até esta altura conhecia e tinha tido experiências na música erudita, na música tradicional e POP/ROCK. Com estes workshops lembro-me de ficar fascinado pela descoberta de toda uma nova forma de estar na música, todo o conceito teórico/filosófico por de trás do jazz era um mundo novo e fascinante completamente diferente do que conhecia até então e depois a improvisação é algo libertador que nos permite “viajar” sem limites.

Vemos na sua biografia oficial que ao longo dos seus estudos teve aulas com António Pires, Miguel Lélis, Paulo Amorim, Paulo Vaz de Carvalho e Jozef Zsapka. Sente, nas suas interpretações, que as influências destes grandes nomes estão presentes?
Penso que a interpretação propriamente dita é algo que deve ser muito pessoal, de outra forma rapidamente as máquinas substituem o homem e com muito melhor performance. Sinto a sua forte presença nas minhas análises que faço das peças, na forma como ultrapassar dificuldades técnicas, musicais, na forma como devo contextualizar-me no espirito da música, nas digitações alternativas para uma mesma passagem, no meu som. Na realidade sinto que a presença deles está em todo o meu estudo prévio de uma peça e naquilo que sou como guitarrista, mas não de forma direta na minha interpretação. Aliás penso que um professor deve dar espaço ao aluno na parte interpretativa… evidentemente apontando possíveis caminhos como um guia. Acredito também que no momento do palco, (da execução em público) todos os pormenores todos os detalhes técnicos e todo o trabalho feito, devem ser esquecidos. A peça terá de estar madura ao ponto de ser possível ignorar tudo isso (não estar a pensar nisso), para naquele momento podermo-nos deixar levar, usufruir e ir buscar no fundo da nossa alma, ao público, àquele local específico e ao ambiente que rodeia aquela interpretação específica e irrepetível.
O estudo será como uma espécie de cultivo da consciência, do instinto, para que em concerto quando nos libertamos do racional, aquilo que nos surja da nossa inspiração naturalmente seja algo consistente, coerente e viável musicalmente, sendo o mais importante a energia emanada pelo intérprete, que se nota na sua interpretação no caso de se deixar envolver pelo momento/ambiente particular.
Sinceramente não acredito nas interpretações sempre iguais estudadas à exaustão (fortes, pianos, ralentados, etc…) em que o intérprete, seja onde for, com que público for e seja qual for o seu estado de espírito toca sempre a peça da mesma forma (forma essa muitas vezes pré-formatada pela respetiva escola/corrente musical que frequentou). Mesmo na música erudita eu acredito que deverá haver sempre um espaço, do qual nunca se deve abdicar, para transformar os diferentes momentos em algo realmente e claramente único.

Paulo Bastos Faces da GuitarraPaulo Bastos foi também criador de um portal Internacional de Guitarra Clássica. Pode falar-nos um pouco desse seu projeto?
Sim Criei esse portal internacional de guitarra chamado all4guitar, que tinha a missão de promover a Guitarra Clássica no mundo e cuja visão era: “Tendo todos os guitarristas um ponto comum de partilha onde estivesse toda a informação sobre a Guitarra Clássica no Mundo tudo seria muito melhor e mais fácil para todos e a comunidade guitarrista cresceria muito mais rapidamente a todos os níveis”. Neste portal são partilhados artigos, eventos, partituras, biografias, anúncios, há fóruns de discussão de ideias entre os seus utilizadores, bem como é feita a divulgação para o mundo de toda a informação pertinente de todos os utilizadores.
Neste momento o portal está suspenso por motivos variados, mas deixo aqui em “primeira mão” ao XpressingMusic que está já em andamento a colocação de novo “online” do portal para o próximo ano.

O jazz, o blues e o rock são também áreas que aborda com regularidade ou prefere a música erudita?
Sim abordo com regularidade todos esses estilos musicais e ainda mais alguns como o Fado, a House Music e a Música Tradicional Portuguesa e a Bossa Nova. Não tenho preferência, sendo que a minha formação base é na música erudita como tal em todos os outros estilos sou uma espécie de autodidata. Tenho mais experiência claramente no POP/ROCK e na música erudita pois são géneros que cultivo desde os meus 10 anos de idade. Sinceramente o que me leva a abordar todos esses estilos de música é ver magia, coisas extraordinárias e únicas em todos eles: as diferentes técnicas, as diferentes filosofias e formas de estar, simplicidade versus complexidade é uma riqueza indescritível. É como viajar e conhecer civilizações completamente diferentes. É algo que nos fascina e enriquece de forma “atordoante”.
Infelizmente por vezes fico bastante boquiaberto e chocado quando “viajo” de uns estilos para os outros e vejo a típica reação, da generalidade das pessoas de cada estilo, de achar que o seu estilo é que é o bom e a verdade suprema em termos musicais, e os outros estilos são coisas menores, maçadoras, sem gosto, etc... Verifico também que defendem acerrimamente determinadas regras musicais definitivas do estilo em causa e, quem sai delas ser duramente criticado não sendo mais bem-vindo àquele género musical, ficando visto como um “violador de sepulcros” (sim porque uma musica em que não se pode alterar ou adicionar nada é uma música morta e enterrada sem qualquer evolução). No meu entender isto é grave pois uma das condições necessárias não suficientes para se ser artista e sem a qual nem vale a pena avançar mais pois não se vai fazer a diferença mas sim apenas mais do mesmo: É TER MENTE ABERTA SEM BARREIRAS à PARTIDA PARA PODER IR ALÉM DO QUE EXISTE E EVOLUIR PARA LÁ DO LIMITE.

Paulo Bastos Faces da GuitarraQuer falar-nos um pouco da sua estreia aos 20 anos no Teatro Aveirense onde executou o concerto de Vivaldi em Ré M para Guitarra Clássica e orquestra com a "Filarmonia das Beiras"?
Sim, foi algo bastante marcante, pois para mim, como penso que para qualquer estudante instrumentista do campo da música erudita, tocar um concerto com uma orquestra era algo que sempre ansiávamos. Foi bom desde logo pelo facto de ter sido selecionado: foram escolhidos os melhores instrumentistas finalistas daquele ano do conservatório de Aveiro. Depois foi um concerto de ano novo num Domingo à tarde na sala de referência de Aveiro: o Teatro Aveirense, com o teatro repleto de gente e com a dificuldade acrescida da guitarra não ter qualquer amplificação artificial. Foi um grande desafio a nível interpretativo/artístico e um grande sucesso pessoal.

Há outras participações que deseja certamente destacar e partilhar com os nossos leitores…
Há muitas mais, mas a entrevista já vai longa e não sei se sou capaz de estar a destacar umas em detrimento de outras… Mas não podia deixar de destacar duas referências basilares na minha vida como músico:
A Orquestra Ligeira do Conservatório de Musica de Aveiro mais tarde Big Band – onde fiz parte da secção rítmica tocando Guitarra Elétrica onde vivi intensamente toda a descoberta do Jazz.
E os Bach2Cage um projeto completamente experimental no qual participei enquanto frequentava o Curso Superior de Ensino de Música na Universidade de Aveiro. Este projeto era multidisciplinar e exigia muita polivalência por parte dos artistas pois envolvia: música, tecnologia, multimédia, dança, representação e humor (uma espécie de música teatral experimental). É assim fácil de entender que foi algo realmente importante principalmente na minha evolução relativamente às outras áreas como a representação e a dança, interação entre artistas no palco em diferentes contextos artísticos e acima de tudo no entender da função da música dentro de um âmbito mais alargado às outras artes e conhecimentos.
Qualquer uma destas participações foi tão intensa que seria necessária uma entrevista inteira só para falar nestes projetos e na sua influência na minha personalidade artística.

Sabemos que teve algumas experiências com a docente da Universidade de Aveiro, Helena Caspurro. Helena Caspurro teve também uma grande influência naquilo que o Paulo é hoje enquanto músico? Em que projetos participou com esta pianista e docente?
Sim estive em dois projetos com ela. O primeiro foi no projeto que referi atrás, os Bach2Cage. Ela era docente na Universidade de Aveiro e, tal como outros docentes e alunos, participava ativamente nesse projeto, contracenámos muitas vezes juntos. Depois fui convidado a fazer parte do seu quarteto de jazz. Um projeto interessantíssimo cheio de qualidade e originalidade com temas inéditos da Prof. Helena Caspurro e onde tive o privilégio de tocar com grandes nomes da música em Portugal. Daqui destaco o bom que é tocar com grandes músicos, músicos que quando estão a tocar acima de tudo estão a ouvir quem os rodeia e que têm a capacidade de criar no momento e de acordo com o momento. Era algo mágica a forma como uns inspiravam os outros em tempo real.
Não há dúvida que teve uma grande influência naquilo que hoje sou como músico.

O que o levou a dedicar-se também ao estudo de instrumentos tradicionais portugueses como o Cavaquinho, a Gaita de Foles e a Guitarra Portuguesa? Tem realizado trabalhos com estes instrumentos?
O que me foi levando a tocar outros instrumentos foram as necessidades dos projetos em que fui estando envolvido. Por exemplo, comecei a tocar cavaquinho e gaita de foles quando estava num projeto em que tocávamos algumas músicas de cariz mais popular, comecei a tocar guitarra portuguesa porque quando estava no projeto Bach2cage surgiu a ideia de fazer uns arranjos de umas peças de bach com uma vertente de fado e então lá fui aprender Guitarra Portuguesa.
Paulo Bastos Faces da GuitarraMais uma notícia em primeira mão aqui para o XpressingMusic… atualmente estou a aprender mais um instrumento novo (pelo simples facto de que me foi oferecido como prenda de aniversário), é um instrumento realmente fascinante pelo qual estou “apaixonado”: a harmónica (já lá vão 4 meses a aprender no youtube). Normalmente aprendo todos estes instrumentos de forma autodidata, o que não é muito difícil para quem tem uma formação musical sólida…
Sim vou realizando trabalhos com estes instrumentos ou como músico convidado em diferentes tipos de projetos ou no meu mais recente projeto “Faces da Guitarra” onde toco grande parte deles.

São já os vários prémios arrecadados ao longo da sua carreira. Há algum que tenha um sentido especial ou, por outro lado, todos têm igual importância embora com significados diferentes?
Cada um tem um significado especial e pessoal, não destaco nenhum em particular, nem sobrevalorizo isso. Para mim os maiores prémios são os concertos ao vivo, os momentos únicos de partilha com o público. Isso para mim é algo sublime, é algo que me faz ir além de mim. Também considero um grande prémio, as músicas originais que vou fazendo e que refletem de certa forma a minha essência como ser humano e a minha passagem pelo mundo, onde ficam gravadas de forma mais ou menos abstrata as opiniões, filosofia, os sentimentos e energia de uma fase da vida. Estes são os grandes e maiores trofeus de que me orgulho: os meus concertos e as minhas músicas.

Apesar de atuar em vários projetos musicais como músico convidado, está de forma mais efetiva na banda dos Johnwaynes. Quer falar-nos um pouco da sua participação neste projeto?
Este é um projeto que, apesar de Português, é extremamente conceituado a nível internacional no âmbito da música eletrónica de dança (house), com temas inéditos e que tem as suas músicas nos tops Europeus e mundiais da especialidade. Eu participei como músico convidado na gravação de alguns temas na guitarra e até já na harmónica, por exemplo. Quando este projeto realiza espetáculos ao vivo (com a Banda) eu participo na Guitarra Portuguesa e na Guitarra Elétrica. Estes concertos são altamente motivadores pois envolvem conceitos inovadores e músicos convidados de todo o mundo. Nada melhor que um vídeo para descrever o que falo… um concerto memorável no Centro Cultural de Ílhavo:

Sabemos que participa com regularidade em grupos corais como coralista e como Maestro. Nesse âmbito tem gravado para a Rádio Renascença, feito apresentações na TVI e lançou CD’s e Livros de inéditos. Pode falar-nos destes trabalhos que editou?
Sim, sou maestro do “Coral do Botão” um grupo coral de música religiosa que editou um livro e um CD de obras polifónicas completamente inéditas com o titulo “Cantai as Maravilhas do Senhor”, tendo eu inclusivamente feito harmonizações para algumas das obras referidas. Este grupo coral já gravou para a rádio renascença bem como fez apresentações na TVI. Creio que é uma grande mais-valia na música religiosa portuguesa que muitas vezes parece que está completamente adormecida em termos de produção musical, quando na realidade no passado e desde sempre as grandes obras musicais eruditas que surgiam eram de caráter religioso, é pena.
Recentemente tenho simultaneamente trabalhado com o grupo coral “Orfeão de Vagos” num trabalho em parceria com o meu Irmão o atual maestro, onde, para além da função de maestro, estou a fazer um trabalho adicional de arranjos corais inspirados no meu projeto “Faces da Guitarra”.
Podemos aqui ver o excerto de um concerto que considero inovador a nível coral no qual neste caso eu fui músico/guitarrista convidado…

Para terminar gostaríamos de lhe agradecer a prontidão com que aceitou responder à nossa entrevista e pedir-lhe que nos fale no seu projeto mais recente, “Faces da Guitarra”.
O Projeto Faces da Guitarra é o meu mais recente projeto. É um Concerto intimista, onde é feita como que uma demonstração da Guitarra e das suas potencialidades, bem como interpretação de obras à voz e guitarra de ricos conteúdos poéticos, harmónicos, melódicos e emocionais sempre com uma forte componente de improvisação, incluindo temas inéditos/originais e alguns toques de humor. Este concerto faz uma viagem por diferentes estilos musicais tendo como ponto comum a guitarra nas suas diferentes faces: Guitarra Clássica, Guitarra Portuguesa, Guitarra Elétrica e até o cavaquinho. Basicamente este projeto tenta refletir tudo aquilo que eu sou como músico e tem influências do jazz/bossa nova, música tradicional portuguesa, pop/rock, guitarra clássica… Estou a pensar nos próximos tempos gravar um CD de originais com base neste projeto.

Eu é que agradeço, portais como o vosso é o que é preciso, para divulgar e fomentar a arte deste país. Pessoas com novas ideias e conceitos novos como o do vosso portal fazem a diferença, fazem mexer a comunidade artística, são um ponto de partilha de experiências e de pontos de vista, e um veículo de divulgação do conhecimento e da cultura importantíssimo na área da música e das artes. Parabéns a vocês pelo vosso portal na internet e pela vossa proatividade.

Paulo Bastos

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