Entrevista com a Banda Portuguesa “Dona Gi”

Dona GiNuma fusão entre o folk e o fado, os Dona Gi, banda portuense que teve início em 2010, apresentam ao XpressingMusic o seu disco de estreia: “Baile das Palavras”. É com este projeto de canções originais e autocaracterizado como tipicamente português que deixamos os nossos leitores ao longo das próximas linhas. Para responder às nossas questões temos connosco José Rodrigues, compositor, músico e produtor dos Dona Gi.

Começamos por perguntar se o facto de terem apostado numa edição independente, sem editora e sem qualquer tipo de apoios, se centra numa opção tática ou se houve outra razão subjacente a esta escolha?
A razão para este facto deveu-se inteiramente ao panorama atual no que toca a tudo o que envolve a indústria discográfica em Portugal. Após um período considerável em negociação com algumas editoras discográficas e managers, acabámos por decidir que o melhor rumo seria tomarmos as rédeas do projeto na sua totalidade e gerirmos assim a nossa carreira como bem o entendermos, de forma livre, sem qualquer tipo de obrigações.

As 12 canções deste disco são da autoria de Gisela Rodrigues em parceria com José Rodrigues. A “alma” deste projeto está muito centrada nestes dois elementos?
Todos os temas foram de facto compostos numa parceria muito saudável por mim e pela Gisela mas diria, no entanto, que a “alma” dos Dona Gi é mesmo a própria Gisela, que interpreta todos os temas que ambos compusemos com o seu cunho singular, dando temperatura e vida às palavras que canta.

Dona GiAo ouvirmos os Dona Gi, cuja sonoridade é bastante própria tendo em conta os instrumentos utilizados como a guitarra portuguesa, o contrabaixo, o acordeão e a guitarra clássica, verificamos que o projeto surge numa altura em que a música portuguesa ganha novas ambiências com grupos que apostam no som acústico como é o caso, por exemplo, dos Deolinda. Consideram que os tempos que vivemos são propícios ao surgimento de projetos deste género?
De alguma forma pensamos que sim, até um pouco devido à nova notoriedade ganha pelo fado hà pouco tempo, como sabemos. Apesar de tudo, são bastante escassos os projetos deste género que vão chegando a um contexto mais abrangente, pois trata-te de um género que tem mais dificuldades em ser mainstream. Talvez por esse motivo a maioria dos novos projetos tende a seguir as linhas do pop/rock ou outros géneros que tenham acesso mais rápido e direto ao circuito mainstream, ainda que a qualidade dos mesmos deixe por vezes bastante a desejar.

O primeiro single, “Baile das palavras”, surge como natural e por força das escolhas para as playlists das várias rádios nacionais e estrangeiras por onde têm passado, ou houve uma clara estratégia para que este fosse o tema a passar? O que significa este tema para os Dona Gi?
A escolha do primeiro single dos Dona Gi apenas foi decidida após a gravação dos disco. Queríamos que o primeiro single fosse um tema fresco e alegre, com contornos simples e românticos, que levassem o coração dos ouvintes a qualquer lugar. Optámos pelo tema “Baile das palavras”, que acabou por dar nome ao próprio disco.

No seio da equipa do XpressingMusic, o vosso primeiro Vídeo que foi exibido em primeira mão no programa de informação da RTP/RTP internacional em abril, tem sido bastante elogiado. De quem foi a ideia e a realização deste vídeo?
A idéia para este vídeo foi minha e da Gisela e surgiu após imaginarmos um contexto físico para a canção. Retratamos um pouco a “história” que a canção ilustra e partimos depois, nós próprios, à procura e escolha do local onde foi rodado o vídeo, do guarda-roupa, e de todos os detalhes que surgem durante o vídeo. Como não pudemos fazer mais, entregámos depois a filmagem e realização à equipa da Play Audiovisuais, que concretizou o vídeo com a realização do Jorge Ribeiro.

Dona GiAssumem-se como um grupo de palco? Querem partilhar com os nossos leitores algumas das boas experiências que já tiveram durante os muitos espetáculos que têm realizado ultimamente?
Os Dona Gi foram de facto criados para o palco, começando pelo cariz moderno/popular e pelos próprios instrumentos e musicalidade do projeto. Pretendemos contagiar as pessoas com boa disposição, com momentos de animação assim como alguns momentos mais sérios de introspeção, e enriquecer um pouco as suas vidas através da nossa música. Temos tido uma enorme recetividade da parte do público nos nossos espetáculos ao vivo, na nossa ainda curta carreira, algo com que não contávamos à partida e que nos surpreendeu bastante.

Os músicos que constituem este projeto sempre estiveram juntos desde a génese do mesmo? Podem apresentar-nos quem são as personagens que sobem ao palco com a Gisela?
O projeto foi criado pela Gisela e por mim (J. Rodrigues) e os restantes músicos surgiram após a composição de todos os temas, quando surgiu o momento de gravarmos o nosso primeiro álbum. Ao vivo, os músicos que acompanham a voz de Gisela, além de eu próprio no acordeão e guitarra, são o José Ferra na guitarra clássica, o André Mariano na guitarra portuguesa e percussão, e o Pedro Silva no contrabaixo.

Muito obrigado por ter passado este bocadinho com o XpressingMusic. Desejamos muito sucesso e trabalho para os Dona Gi. Querem deixar uma mensagem para aqueles que também têm projetos musicais e muitas vezes não vislumbram as formas mais eficazes de os dar a conhecer?
O prazer foi todo nosso. Não temos a melhor mensagem, pois o nosso próprio percurso tem sido bastante acidentado e as coisas não têm surgido sem bastante empenho e trabalho. A mensagem que gostaríamos de deixar é a de que hoje em dia não existem receitas para nada. O segredo é a criatividade e o empenho, de forma a podermos construir um produto com qualidade e a persistência para podermos levá-lo depois ao público. Acreditamos que reunindo todos os ingredientes e existindo mérito por parte do artista ou da banda, mais cedo ou mais tarde as coisas acontecerão.

Dona Gi

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