Budda Power Blues. 11 anos de carreira e o novo disco com Maria João.

Budda Power Blues

Budda Guedes respondeu às perguntas do Portal do Conhecimento Musical e deu-nos a conhecer o percurso dos Budda Power Blues. Destacaram-se alguns dos momentos altos do projeto que já conta com 11 anos de carreira e ficou evidente o entusiasmo com os trabalhos que abraçam no presente. Relativamente aos pontos altos referiram que «tocar com a Shirley King e ser a sua banda na Europa, foi e é uma experiência incrível. É uma cantora negra, americana e filha do maior Bluesman de sempre (BB King)». No presente as conquistas continuam e... «super gratificante foi sermos eleitos a melhor banda de Blues nacional pela Blues Foundation e representar Portugal no European Blues Challenge em abril deste ano». Saiba também que vem aí um novo disco com a cantora Maria João.

Como e quando nasceram os Budda Power Blues? Os objetivos iniciais da banda mantiveram-se ao longo dos anos?
A banda surgiu de uma vontade de ter uma Jam Band, onde pudesse testar novas ideias e tocar sem os compromissos-típicos da POP - duração das canções, estrutura da canção, solos curtos ou inexistentes, etc. O final da década de 60 e o início da década de 70 sempre foram uma referência e esse espírito de experimentalismo, da música pela música, do improviso, da exploração de novos caminhos e fusões de género, sempre fizeram todo o sentido para mim. Os Budda Power Blues nascem fruto da vontade de fazer exactamente isso, sem quaisquer expectativas a não ser fazer a música que sentia e gostava.

Passados 11 anos a ideia mantém-se mas a responsabilidade aumenta. A partir do momento que temos fãs e história sinto sempre a obrigação de superar o que já foi feito e de continuar a fazer mais música.

Budda Power BluesO primeiro disco foi bem recebido pelo público?
Para grande surpresa o primeiro disco teve uma excelente recetividade do público, que inúmeras vezes nos concertos pedia certos temas do disco. Isso tornou óbvio que gravar discos seria algo que faria parte da vida da banda.

Houve um interregno de três anos até gravarem o segundo. Foi o tempo que consideraram necessário para amadurecer ideias, conceitos e sonoridades?
Gravámos o 2º disco quando sentimos que o primeiro estava desatualizado.

Já tocaram ao lado de grandes nomes do blues. Quais os momentos que mais vos marcaram na estrada até ao momento?
É difícil responder de forma simples a isso, mas naturalmente tocar com a Shirley King e ser a sua banda na Europa, foi e é uma experiência incrível. É uma cantora negra, americana e filha do maior Bluesman de sempre (BB King). É estar a presenciar o Blues na primeira pessoa, em primeira mão. É incrível e aprendemos muito com ela.

No Blues Express Luxemburgo, partilhamos palco com Robert Cray, que fez um concerto soberbo. Esse terá sido também um dos momentos marcantes para nós.

Por último, não sendo a Maria João uma cantora de Blues, é também incrível ter um projeto, que dará disco ainda este ano, com esta enorme cantora/artista. Com ela temos aprendido muito e partilhado imenso. A música é realmente algo que supera todas as expectativas. Ter a Maria João a cantar e gravar temas meus é inexplicável. Sou fã dela desde que comecei a tocar e pensar que agora estou a cantar e tocar com ela é uma sensação inexplicável.

Budda Power BluesOs músicos que formam o projeto têm influências musicais idênticas?
Não. Julgo que é o lugar-comum entre bandas. As influências cruzam-se naturalmente, mas o ADN de cada um dos 3 é razoavelmente diferente.

Isso dá mais força à música que fazem juntos?
Julgo que sim, pois da fusão de diferentes perspetivas é sempre mais simples surgir algo de diferente/novo. No entanto todos somos super ecléticos, o que faz com que a piscina de influências seja gigante.

Há uma clara aposta da vossa parte em aspetos relacionados com a imagem. As personagens que encarnam neste projeto nasceram da própria banda ou recorreram a agentes externos para a criar?
A preocupação com a imagem é uma preocupação com o público. Um espetáculo não é um pequeno-almoço e, como tal, não nos podemos apresentar num concerto como se de um pequeno-almoço se tratasse. No entanto não vestimos personagens. Apenas nos produzimos de acordo com o meio onde estamos. O guarda-roupa da banda é desenhado pela Miss Suzie e toda a restante imagem gráfica e vídeo da banda é da responsabilidade do Nico Guedes.

O 3º disco lançado em 2010 trouxe muitas ideias novas relativamente aos discos anteriores?
O 3º disco assinala os 40 anos daquele que foi o último disco editado em vida pelo Jimi Hendrix: Band of Gypsys. Esse disco do Hendrix foi gravado apenas para cumprir uma obrigação contratual e foi gravado ao vivo em 4 concertos, sem grandes ensaios e com muito improviso. Decidimos fazer o mesmo com o 3º disco e recriamos todas as músicas de Band of Gypsys em dois dias de estúdio e sem nenhuma preparação prévia. Daí o disco se chamar “Kind of Gypsys”. Foi todo gravado ao vivo no estúdio sem nenhuma gravação adicional. Marca desta forma uma mudança na abordagem ao estúdio. Desde aqui passamos a gravar os discos sempre desta forma.

Mas a vontade de produzir música original falava cada vez mais alto... O 4º álbum foi a concretização de um sonho antigo?
O 4º álbum foi mais uma resposta aos imensos pedidos de fãs e apreciadores para fazermos temas originais. Nunca me pareceu acrescentar nada fazer blues original, mas depois de tanta insistência resolvi tentar. Eis que fiquei rendido e não penso em fazer outra coisa. Abriu-se uma caixa de Pandora e a sensação é incrível!

Budda Power Blues

São muito solicitados para concertos? Onde vos poderemos ver e ouvir em breve?
Felizmente temos tido uma atividade super recheada. Os próximos concertos serão na Ilha do Pico (20 de agosto), no Station Blues (Braga, 2 de setembro), no Hot Five (3 de setembro) e em Viana do Castelo (Praça da Erva, 16 de setembro). Mas o ideal é visitarem o facebook ou o site da banda, para acesso à agenda atualizada.

Há outros pontos altos da vossa carreira que possam partilhar com os nossos leitores?
Há muitos pontos altos na carreira da banda, que muito provavelmente não serão muito mediáticos, mas o primeiro festival de Blues que fizemos em Gaia (2008) foi fundamental para percebermos o que poderíamos fazer. O concerto de apresentação do último disco no Theatro Circo em Braga foi incrível para a banda. Casa cheia e um público incrível que fez com que 3 horas de concerto parecessem 20 minutos. O concerto na Noite Branca, em Braga, onde tocámos para 100.000 pessoas que não nos conheciam de todo e nos receberam e acarinharam tanto. O concerto do Blue Balls na Suíça no passado 30 de julho foi fantástico porque cimenta a nossa internacionalização. O último concerto da banda no Festival Live Fest na Letónia foi incrível também...

Naturalmente um ponto super gratificante foi sermos eleitos a melhor banda de Blues nacional pela Blues Foundation e representar Portugal no European Blues Challenge em Abril deste ano.

Budda Power Blues2016 está a ser um ano de grandes desafios? Quais os maiores e mais empolgantes...?
A internacionalização é neste momento o maior desafio que enfrentamos e temos estado a trabalhar imenso para o conseguir. Avizinha-se a edição do disco em conjunto com a Maria João que será também um enorme e agradável desafio.

Muito obrigado pelo tempo que dedicaram aos leitores da nossa publicação. Portugal está a acolher melhor o género musical que vocês interpretam? Notam uma grande evolução ao longo destes anos que têm andado na estrada?
O que noto sobretudo é que recomeça a haver uma procura pela novidade e não apenas pelo lugar-comum. Temos tocado muito para público que não nos conhece e sentimos que as pessoas se ligam à música que fazemos, mesmo quando a ouvem pela primeira vez. O Blues parece-me estar de excelente saúde em Portugal e a crescer dia para dia.

Há espaços onde tocamos uma vez por mês há muito tempo (no Hot Five há 9 anos), sempre com casas muito bem compostas.
O que eu julgo é que o público ainda não se apercebeu de que o poder está nas suas mãos. Quem gosta de boa música deve demonstrá-lo, indo a concertos, comprando os discos de que gosta, partilhando as bandas de que gosta nas redes sociais e educando os seus filhos para que estes consumam boa música, bom cinema, boa literatura e bom teatro. Aos poucos vamos infetando outros e seremos cada vez mais. Comprar um disco de uma banda/artista, ou pagar um bilhete para um espetáculo é não só uma mensagem clara de apoio à banda/artista como também um financiamento direto à sua atividade.

Muito obrigado pelo vosso trabalho e interesse que é essencial à vida da música. Contem connosco para o que precisarem.

www.buddapowerblues.com
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Budda Power Blues. 11 anos de carreira e o novo disco com Maria João.

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