Joana Amendoeira. A carreira e o novo disco, "Muito Depois".

Joana AmendoeiraA carreira e o novo disco foram os temas centrais desta entrevista. «Este novo disco é o meu disco mais arrojado, apesar de não se distanciar do Fado. É um disco com um alinhamento de fados e canções em que procuramos abrir todas as portas e janelas do coração. Aqui não aparece só o amor, mas também a desilusão, a descrença, a solidão, a maternidade e a orfandade. E também se canta a Lisboa! Do ponto de vista musical conta com músicos maravilhosos que me acompanham sempre. Falo de Pedro Amendoeira, Rogério Ferreira e António Quintino, para além dos convidados excecionais, Paulo de Carvalho, Pedro Jóia e Filipe Raposo».

Muito obrigado por ter aceitado o nosso desafio para esta entrevista. "É a hora" é o título do seu mais recente single. Se tivesse que continuar a frase, diria que “é a hora” de...
... Cantar tudo o que me vai na alma, interpretar uma maior amplitude de emoções, sentimentos e histórias como nunca tinha cantado. Não só o amor e o desamor, mas muito mais. Sem dúvida, tudo ainda foi mais sentido por estar grávida em toda a fase de pré-produção e gravação deste disco!

Neste tema a letra é da autoria de Torres da Silva e a música de Paulo de Carvalho. Sente-se feliz com estas parcerias? Cantar com um artista como o Paulo de Carvalho constitui-se também como um momento de trocas e aprendizagens?
Senti-me extremamente feliz e realizada por ter partilhado este meu primeiro dueto com um artista e um ser humano como o Paulo de Carvalho! Ainda para mais, a sua composição! Foi uma enorme aprendizagem vê-lo gravar, sentir a sua capacidade de improvisação, a sua voz única! Aprendi mesmo muito!

Joana Amendoeira, Muito DepoisComo caracteriza este disco que sairá em fevereiro de 2016?
Este novo disco é o meu disco mais arrojado, apesar de não se distanciar do Fado. É um disco com um alinhamento de fados e canções em que procuramos abrir todas as portas e janelas do coração. Aqui não aparece só o amor, mas também a desilusão, a descrença, a solidão, a maternidade e a orfandade. E também se canta a Lisboa!
Do ponto de vista musical conta com músicos maravilhosos que me acompanham sempre. Falo de Pedro Amendoeira, Rogério Ferreira e António Quintino, para além dos convidados excecionais, Paulo de Carvalho, Pedro Jóia e Filipe Raposo.

O que o diferencia de “Amor mais perfeito” lançado em 2012?
É em tudo diferente, uma vez que o disco anterior era de Tributo ao meu grande mestre, José Fontes Rocha, cantei apenas uma seleção das suas composições. Este novo disco é composto apenas por quatro músicas em versões, se bem que duas delas com poemas originais e o resto são todos temas novos.

Quais foram os músicos que a acompanharam nesta empreitada?
O núcleo duro e composto por Pedro Amendoeira, na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira, na Viola de Fado e António Quintino, no contrabaixo. Mas contei ainda com as participações especiais de Filipe Raposo, no piano, Pedro Jóia, na Guitarra Clássica e com a voz de Paulo de Carvalho.

Ainda transporta nos dias de hoje os sonhos que levava na bagagem de Santarém para o Porto aos 12 anos de idade quando venceu a “Grande Noite do fado do Porto”?
Sempre! Aliás, o meu lema de vida é que "o sonho comanda a Vida". São esses sonhos que nos fazem avançar, penso que devemos viver sempre com vontade de alcançar sonhos, devemos acreditar neles, senão caímos na estagnação e na descrença. Para a criatividade o sonho é fundamental.

Sempre foi bem acolhida pelas grandes Casas de Fado de Lisboa. Recorda-se das primeiras casas que lhe deram a oportunidade de mostrar o seu talento?
Recordo-me muito bem! Eu comecei a vir aos fados a Lisboa desde muito pequena, com 12/13 anos e recordo-me que as primeiras foram o Clube de Fado, que tinha acabado de abrir na altura, e no Sr.Vinho. É muito bonito recordar a magia que senti quando lá entrei pela primeira vez e a memória dos fados que lá cantei. Mais tarde foram as casas onde cantei (e canto) durante muitos anos!

Joana AmendoeiraNessas casas recebeu ensinamentos de grandes fadistas... Concorda? Recorda alguns deles?
As casas de fado são as grandes escolas e eu vivi isso intensamente. Ainda hoje vivo, aprendo muito com a minha querida Maria da Fé. Mas sem dúvida que o meu grande mestre foi José Fontes Rocha, com quem cantava muitas noites no Clube de Fado.
Mas claro todos os outros fadistas e músicos me ensinaram muito, Maria da Nazaré, Alcindo de Carvalho, Mário Pacheco, entre muitos outros!

De todos os discos que lançou até hoje, há algum que mereça um maior carinho da sua parte?
O disco pelo qual sinto maior carinho, e não é por ser o mais recente, é mesmo o "Muito Depois", porque sinto que me entreguei de uma forma como nunca tinha acontecido. Sinto que atingi um outro patamar na interpretação.

Como tem sido recebido o seu trabalho por este mundo fora? Quais os países que melhor a recebem?
Tenho sido muito privilegiada na forma como tenho sido recebida em todos os países onde tive oportunidade de cantar, mas destaco talvez a Hungria e a Lituânia, porque sinto que o público me acolhe ainda mais entusiasticamente, apesar das suas culturas, à partida mais reservadas. São dos países onde mais vezes regressei para cantar em diversas cidades e em diversos projetos para os quais me convidam. Mas é difícil destacar apenas dois países, tem sido tantas as maravilhosas experiências.

Tem algum fadista preferido? Algum a influenciou de forma mais marcante?
Em primeiro lugar foi Amália, mas logo na adolescência ouvia compulsivamente Teresa Tarouca, Maria Teresa de Noronha, Carlos do Carmo e Camané.

Mais uma vez obrigado por este tempo que dedicou aos nossos leitores. Quais os seus principais desejos para 2016?
Os meus desejos são que persigam os vossos sonhos, não desistam porque a vida está continuamente a surpreender-nos. E com certeza, desejo toda a saúde possível!

Joana Amendoeira. A carreira e o novo disco, "Muito Depois".

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