Uma noite com os Coimbra Gospel Choir

Coimbra Gospel ChoirNuma noite fria de janeiro fomos ao encontro dos Coimbra Gospel Choir até à Loucomotiva em Taveiro, Coimbra. É neste espaço que se reúnem todas as semanas para ensaiar um projeto que nasceu de um sonho antigo: “Cantar Gospel”. Após testemunharmos a forte adesão do público e a energia contagiante que este grupo transmite, não ficámos indiferentes e lançámos um desafio ao projeto que passava por irmos ao seu encontro mas, desta vez, em contexto de ensaio. Foi uma noite onde pudemos testemunhar que a alegria e a energia que transmitem ao vivo, não é algo encenado mas totalmente inerente àquele grupo de pessoas. Para além de assistirmos ao ensaio, falámos com o Paulo Pereira, mentor e fundador do grupo, e com o Maestro Nuno Mendes. Convidamos os nossos leitores para uma viagem sobre a evolução deste grupo que, com apenas 3 anos de existência já ultrapassou a marca de 100 espetáculos.

Paulo Pereira, muito obrigado por nos terem recebido aqui em vossa “casa” para conhecermos por dentro o vosso trabalho. Como surgiu esta ideia de formar um Coro Gospel?
A ideia de fazer um Coro Gospel em Coimbra partiu da minha cabeça. Era uma ideia com, pelo menos, 10 anos. Tinha muita vontade de enveredar por este reportório do Gospel. A história começa quando eu e alguns elementos que formam este grupo integrávamos outra companhia de artes de Coimbra que também dirigi durante 11 anos. Era uma companhia que tinha música, dança... Tinha também um coro com 22 ou 23 anos de existência. Era um coro que cantava um reportório eclético e do qual eu também fazia parte. Por vezes tentei introduzir um ou outro tema Gospel no reportório desse coro. O mesmo era protagonizado por outro colega meu que fazia e faz uma pesquisa muito interessante e ia levando algumas músicas mas, a direção artística não caminhava nesse sentido. No entanto, ainda nessa companhia que eu também dirigia e que se chamava “Ad Libitum”, começámos a ensaiar este grupo de Gospel.

Paulo Pereira, Coimbra Gospel ChoirAssim, o nosso primeiro ensaio foi no dia 1 de fevereiro de 2012, ainda lá, assumindo a designação de “Ad Libitum Gospel” pois todos os grupos que faziam parte desta companhia mantinham a designação “Ad Libitum”. Ainda fizemos 2 concertos com esta designação, mas era evidente que não era esse o entendimento de algumas pessoas daquela companhia e considerei melhor sair e tentar reiniciar o projeto fora dali. As pessoas que faziam parte do Coro Gospel saíram comigo e fundei esta companhia de artes, ou seja a Amazing Arts – Companhia de Artes de Coimbra.
Muitos dos elementos que hoje fazem parte do Coimbra Gospel Choir, estão comigo nesta companhia desde a primeira hora, sendo também sócios fundadores.

Nessa altura que saem do Ad Libitum Gospel para formar o Coimbra Gospel Choir, quantos eram os elementos?
Quando viemos para aqui já eramos praticamente 30 pessoas a ensaiar. Isto porque todo o processo de formação e de castings ainda começou na lá. No verão de 2011 comecei a fazer os primeiros convites. Convidei o Nuno Mendes, que já era meu colega noutro projeto, para dirigir. Perguntei-lhe se estaria disponível para dirigir um coro gospel e ele, imediatamente me disse que sim. Apesar de ser já um cantor profissional, o Nuno Mendes nunca tinha dirigido um coro. A sua vasta experiência enquanto cantor e músico fez-me antever que teria certamente ótimas qualidades para dirigir. Considero que foi a aposta acertada. Assim, em novembro e dezembro fizemos castings. Foi curiosíssimo! Apareceram aproximadamente 60 pessoas! Não há nenhum coro gospel na história desta região e o facto de tanta gente querer participar fez-nos antever que seria mesmo muito interessante esta aposta. Achámos fantástico o facto de aparecerem 60 pessoas para fazerem os castings para cantar gospel, pois se fosse para cantar num coro como os outros... Coimbra tem quase 30 coros e poderiam ter ido para lá... Em janeiro organizámos os planos e no dia 1 de fevereiro de 2012 começámos. Estivemos até junho na companhia Ad Libitum e quando saímos viemos quase 30 pessoas, entretanto muitos já saíram e outros entraram. Portanto foi assim que tudo começou.

Coimbra Gospel ChoirComo explicam o rápido crescimento deste grupo? Quando nos falam deste crescimento falam-nos do crescimento do grupo ou do volume de concertos?
Nós estreámo-nos em dezembro de 2012, portanto temos 3 anos de trabalho e mais de uma centena de concertos feitos. No ano passado fizemos 40 concertos, há dois anos 34, no primeiro ano fizemos logo 24 concertos. Para quem está habituado ao mundo dos coros, isto é uma ótima marca. Eu diria que nenhum dos 30 coros que existem em Coimbra faz 20 concertos num ano porque isso significava que atuavam de quinze em quinze dias. Nós temos andado a fazer 3 concertos por fim de semana. Há portanto este crescimento, mas isto não se mede só assim porque se nós quiséssemos andar a cantar gratuitamente, fazíamos 150 espetáculos num ano. Dos últimos 40 concertos que fizemos, 30 foram com cachet. Isto também é uma novidade porque os coros andam quase sempre “de borla”. No entanto, o maior crescimento que notamos prende-se com a maturidade na interpretação do reportório gospel porque este tem uma especificidade que outro reportório não tem. Muitos de nós estudámos canto clássico e sabemos que é assim. Cantar Gospel não é só cantar afinado e no ritmo certo! O reportório gospel e espiritual é quase tudo menos isso. Às vezes brinco dizendo que até podemos estar um pouco desafinados mas, se estivermos a interpretar dentro daquele feeling do gospel, chegamos às pessoas e elas sentem algo que não conseguem explicar muito bem...

Portanto, este crescimento passa por termos percebido uma coisa que até se podia imaginar mas que não era claro: É que este tipo de reportório (gospel), não tendo nada a ver com Portugal, tem qualquer coisa que toca lá no fundo das pessoas.

Se os primeiros 20 concertos que fizemos foram aqui em Coimbra ou aqui perto, sendo natural que estivessem a assistir muitas pessoas nossas amigas, atualmente tocamos por todo o lado e verificamos que a adesão é muito boa. Ainda agora fomos à Guarda, a igreja tinha umas quatrocentas ou quinhentas pessoas e o concerto terminou com toda a gente de pé durante meia hora quase em cima de nós a bater palmas e a cantar connosco e lá, ninguém nos conhecia. Este é portanto o grande crescimento de que vamos dando conta.

Coimbra Gospel ChoirMuitas vezes eu falava com o maestro, o Nuno, perguntando-lhe: Quando é que nós vamos conseguir atingir um nível que não passe apenas por cantar bem? Durante algum tempo sentíamos mesmo isso, ou seja, que só estávamos a cantar bem. Se um grupo pensa que só por cantar bem já está a fazer um grande trabalho, rapidamente se afunda. Por isso é que eu questionava: Como podemos ensaiar esta questão da interpretação? Lá está, isto não se ensaia. É algo que tem que vir cá de dentro e nós conseguimos em apenas um ano estar a fazer isto, ou seja, a interpretar o reportório gospel. Penso que esse é o nosso grande trunfo.

Em maio tivemos uma grande experiência em que nós fizemos uma parte, o Gospel Collective de Lisboa fez outra e depois cantámos três temas em conjunto. Foi muito bom ouvir depois as pessoas cá fora, e algumas delas nem sabiam bem qual era o grupo que tinha vindo de Lisboa e qual era o grupo de Coimbra. Isto é muito bom porque mostra que já não existe uma discrepância muito grande. Quer portanto dizer que estamos a conseguir.

O Coimbra Gospel Choir sonha com outros projetos mais arrojados?
Nós estamos dentro de uma companhia que está a crescer também. A Amazing Arts vai estrear em maio a nossa primeira produção de teatro musical, outra coisa que nesta região ninguém faz. Em contextos amadores pouca gente faz musicais em Portugal. É um tipo de espetáculo muito completo. Dizem que o circo é o maior espetáculo do mundo mas um musical também é algo muito complexo. Mais uma vez partimos do zero. Eu convidei duas pessoas, uma cantora e um cantor que já representaram. Convidei-os para dirigirem atores. Também mais uma vez há todo um processo de seleção. Assim, há mais ou menos um ano, estão a ensaiar um musical que é muito conhecido. Falo do “Feiticeiro de Oz” que nós traduzimos integralmente para português dando-lhe um toque muito específico relativamente ao que desejamos fazer, pois era muito mais fácil fazê-lo em inglês. Traduzir música tendo em conta as métricas é algo muito difícil. Está tudo praticamente pronto. Só faltam os figurinos. Vamos criar a nossa orquestra também.

Coimbra Gospel ChoirAssim, em 2016, aquilo que vai aparecer de mais diferente e inovador para o público vai ser o aparecimento desta secção de Teatro Musical. O Coro Gospel vai continuar a trabalhar com este rigor e queremos organizar o 1º Encontro Internacional de Coros Gospel. Vamos, numa primeira fase, convidar os maiores coros do mundo, averiguando quais as reais possibilidades de os trazermos cá. Queremos que seja uma coisa grande possibilitando ainda a realização de alguns workshops para que sejam possíveis trocas de experiências e onde possamos aprender uns com os outros. Penso que isso será muito importante para os cantores deste grupo. Tentaremos aproveitar a experiência dos profissionais que vêm aí.

No âmbito do Gospel não poderemos fazer muito mais. Fazer 40 ou 45 espetáculos por ano é um pouco esgotante. Podemos, no entanto, fazer crescer a companhia e montarmos os nossos próprios espetáculos onde levaremos o Gospel, o teatro e, mais tarde, a dança.

Viramo-nos agora para o Maestro Nuno Mendes que tem uma formação de base na área do Canto, embora também possua uma licenciatura em Educação Musical. A sua vida profissional centra-se muito na parte performativa ou também se dedica ao ensino?
Sim. Também me dedico ao ensino. Já dei aulas numa escola básica, também leciono num curso profissional de teatro, na resposta social de jardim-de-infância e nos 1º e 2º ciclos do ensino básico no Colégio S. Teotónio de Coimbra.

Nuno Mendes, Coimbra Gospel ChoirSendo uma pessoa da área do canto, aplica nas suas aulas a máxima de que a “prática do canto é a melhor forma de se iniciar a educação musical?
Sim, porque a voz é o instrumento que todos nós temos. Já o trazemos connosco.

Rentabiliza na sua carreira, como cantor e maestro, os conhecimentos obtidos na vertente mais pedagógica da sua formação?
Sim. O contrário também acontece. Quando estou a ensaiar como cantor consigo facilmente colocar-me do lado de quem ensina percebendo mais rapidamente aquilo que pretendem de mim e mantendo uma postura mais respeitadora, facilitando o trabalho de quem está a dirigir. Numa posição enquanto maestro também se torna mais fácil colocar-me na posição de quem aprende.

O Nuno Mendes tem trabalhado com vários coros. Atualmente é um dos elementos do Coro da Casa da Música. Neste contexto também é possível haver esta rentabilização de saberes?
Lá não é bem assim pois é um coro profissional e, ou estamos todos com postura profissional ou então há dez atrás de nós para ocupar o lugar. Noutros grupos semiprofissionais ou amadores onde estive, a pedagogia ajudou-me. Quando estou a ensinar tento enriquecer as minhas abordagens com todas estas experiências que vou acumulando noutros contextos.

Esta experiência com o Gospel foi algo nova para si? Era uma linguagem que ainda não dominava?
É uma linguagem muito específica e não há escolas que ensinem isto. O gospel não e mais do que cantar com o coração.

É claro que me preocupo com a técnica de quem está a cantar mas não é o essencial. Já assisti a casos de pessoas com muita técnica e uma ótima formação mas, sem interpretar a música não nos toca. Ao contrário, já assisti a casos de pessoas que, não tendo uma técnica tão apurada, interpretam o gospel e tocam quem assiste.

Coimbra Gospel Choir

Uma pessoa que esteja a assistir a um espetáculo nosso e que não perceba muito de música, não consegue aperceber-se se uma pessoa tem uma voz bem colocada ou não. Essa pessoa sente a emoção da outra pessoa que está a cantar.

Tremeu um pouco quando lhe lançaram este desafio? Era algo totalmente novo?
Sim, um pouco. Em primeiro lugar porque era a primeira vez que ia ficar à frente de um grupo de pessoas adultas que se iriam apresentar em público. O contexto em que trabalhava, ou seja, com crianças e jovens era algo completamente diferente. Em segundo lugar, pelo estilo de música. No entanto, mais tarde, comecei a aperceber-me de que já ouvia muito gospel. Ouvia porque gostava mas era algo inconsciente. Passados uns anos fui ver as minhas playlists e verifiquei que já tinha ouvido mesmo muitas coisas de gospel e até já tinha mostrado aos miúdos nas aulas, mas de facto era mesmo algo inconsciente.

Fui aprendendo, ouvindo outros coros mas, como disse há pouco, a base está na interpretação, embora seja necessário ter domínio técnico. A base está na forma emocional com que se abordam os temas. Por vezes acaba por funcionar como uma catarse das pessoas. Quando peço às pessoas para colocarem na sua prática tudo o que as envolve, o coro soa logo diferente e as próprias pessoas se sentem mais leves. Quando o coro consegue imprimir essa emoção eu, que estou na “primeira fila” arrepio-me. Se o coro não imprimir esse fator emocional, eu não sinto nada.

Coimbra Gospel ChoirMas transmitir essa “filosofia” é muito mais complicado do que dar uma indicação mais técnica relativamente à dinâmica, ao ritmo, à afinação ou outro aspeto...
Isso foi algo que levou 2 anos a ser alcançado. Só de há um ano para cá é começámos a dar este passo. Até então cantávamos afinados com os tempos todos certos, ou seja, tudo muito bonitinho, com os gestos certos. A interpretação começou a surgir somente há um ano. Passados dois anos de caminho é que as pessoas pensaram: “Agora já sei cantar isto, portanto vou começar a interpretar!”. Agora, sempre que surge uma canção nova, já conseguem imprimir-lhe os sentimentos. É como se tivessem desbloqueado.

Esta foi então mais uma no meio de tantas conquistas... Enquanto maestro sente essa evolução de ensaio para ensaio, de mês para mês?
Este passo maior que demos para a interpretação, sendo que subjacente a essa interpretação está muita coisa, foi conseguido de há um ano para cá. As pessoas que nos vão ver têm sentido isso e dizem mesmo: “Vocês agora não parecem os mesmos”. Algumas músicas são iguais mas as pessoas dizem que não parecemos os mesmos.

Vocês em palco apresentam-se com um grupo de músicos a acompanhar-vos. Não deve ser fácil conseguir uma perfeita simbiose entre estas duas realidades. Tudo tem que estar de tal forma bem orquestrado para que sobressaiam as vozes? Como conseguem este equilíbrio? O Nuno Mendes preocupa-se mais com as vozes e deixa à direção musical a parte relacionada com a banda?
De facto eu preocupo-me mais com as vozes. O baixista, Filipe Ferreira, tem essa função de coordenar os músicos. Ele dá as devidas indicações ao baterista, à pianista, ao guitarrista, que é o elemento mais novo. Portanto o Filipe faz essa ponte, comunica comigo e depois fazemos o devido equilíbrio, principalmente nos espetáculos. Aqui nos ensaios, como estão a ouvir, a banda está sempre muito forte em relação ao coro. Eles esquecem-se que a banda está amplificada e o coro não (risos). Portanto esse aspeto aqui é algo sempre difícil de gerir.

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Há aqui quase um conflito, saudável diga-se, entre estas duas realidades, a vocal e a instrumental... O Nuno interfere nas orquestrações?
Não muito até porque os próprios músicos também são livres de criar dentro daquilo que lhes é inicialmente proposto.

As vozes estão escritas e a banda parte dessas harmonizações para a orquestração?
Sim, mas também temos como referência outros grupos que toquem as mesmas músicas. Em alguns casos fazemos parecido e noutras adaptamos.
Uma realidade para a qual despertámos foi para o caso de não haver muita música gospel editada com os arranjos vocais e instrumentais. Consegue-se arranjar um livro com as vozes, ou seja para o coro e com as cifras para os instrumentos mas não aparece a bateria, não aparece a linha do baixo, muito menos as passagens para o piano. Assim, os músicos, mantendo aquela harmonia podem criar sob a orientação do diretor musical. Também se tem notado um crescimento da banda nesse sentido.
As pessoas também gostam de nos ouvir só “a capella”. É algo que se perde quando o som não é bem feito num ou noutro espetáculo porque a sobreposição dos instrumentos não permite perceber que estão ali quase sempre quatro vozes diferentes e às vezes mais. Mas quando tudo é bem feito, ter uma banda é de facto uma mais-valia. Aliás uma das grandes vantagens do gospel é ter ali uma banda a ajudar todo aquele balanço e aquela alegria do coro.

Já tivemos oportunidade de testemunhar algumas parcerias vossas com outros projetos musicais. Ainda há pouco tempo vos vimos aqui com os “The Casino Royal” e com a “Banda Red”. No ensaio de hoje estão a preparar um espetáculo com o músico André Varandas. Estas parcerias também vos ajudam a crescer? Encaram também tudo isto como um desafio, pois dentro de um grupo gospel acabam por abordar outras linguagens musicais?
As coisas foram acontecendo, ou seja, estas parcerias não foram algo que nós tenhamos procurado. Foram sempre os grupos que vieram ter connosco. Na verdade não cantamos nestes contextos a nossa música gospel mas o que eles procuram é transportar esta nossa energia e alegria para os seus palcos.

Coimbra Gospel ChoirEstas experiências ajudam-nos a ter outros tipos de experiências, abordando outros tipos de música, por vezes muito afastadas do gospel. No entanto algumas pessoas vão abaixo. Houve situações em que tinham entrado pessoas novas no grupo e apanharam ensaios com estes tipos de música que não eram gospel e acabaram por sair não se sentindo motivadas pois não era aquilo que procuravam. Mas, de uma forma global, o grupo cresce com estas experiências. O facto de abordarem outros géneros musicais faz com que cresçam musicalmente. Por exemplo, no caso das sopranos, no nosso grupo fazem quase sempre as vozes principais, mas quando vêm outros projetos com outros arranjos elas têm que cantar vozes secundárias. Nos primeiros ensaios elas ficam um pouco desorientadas mas depois acabam por perceber e isso dá-lhes mais segurança e maturidade fazendo com que compreendam até melhor os contextos em que se inserem as outras vozes do coro. Outro aspeto positivo prende-se com o facto de, após andarmos duas semanas a ensaiar com outro projeto, quando voltamos ao nosso reportório as pessoas sentem-se muito felizes pois já tinham saudades de cantar as “suas” músicas, ou seja, a alma também cresce nestes momentos.

Não querendo deixar o Coimbra Gospel Choir mais tempo sem maestro neste ensaio, vamos fazer somente mais uma pergunta. O que ainda sonha fazer com este projeto? Gravar um disco seria algo a pensar em breve?
É isso! Não querendo comprometermo-nos com prazos porque isso só nos iria stressar, a ideia é irmos caminhando, até porque há sempre pessoas a entrar e a sair. A ideia não é fazer um disco por fazer. Queremos fazer algo bonito. No entanto, antes do disco, penso que deveriam surgir os originais. Os originais são algo em que temos andado a pensar mas ainda não metemos mãos à obra. Precisamos de nos sentarmos e distribuir tarefas. Tenho falado com o Filipe, que é quem dirige a banda e tem uma vasta experiência - tocando desde muito novo em inúmeras bandas, - no sentido de sermos nós próprios a fazer as nossas músicas. No campo das letras temos um problema pois todas elas são normalmente em dialeto sul-africano ou em inglês. Eu, pessoalmente, gostaria que os nossos originais passassem por letras portuguesas. No entanto, no gospel e no reportório que temos cantado os temas passam muito por aspetos religiosos. Nas nossas músicas eu gostaria que não fossemos tão específicos e que fugíssemos um pouco à temática religiosa. Não estando nós ligados a nenhuma religião, tendo pessoas crentes e outras que nem por isso, somos um grupo sem ligação a qualquer igreja, penso que deveríamos abordar mais alguns valores como a compaixão, amizade, amor, sem que seja aquele amor romântico, porque para isso já temos 99% da música a falar... (risos) A ideia é portanto fazer temas em português originais nossos fazendo um disco com músicas que não estão editadas por outros grupos. Assim, não pretendemos fazer um disco de covers.

Ficha Técnica:

MAESTRO
Nuno Mendes – Maestro | Direção Vocal e Artística

CORALISTAS
Ana Goulart – Soprano | Fundadora
Ana Salsas - Contralto
António Simões – Tenor
Carolina Cardantas - Soprano
Catarina Coelho - Soprano
Catarina Rebelo - Contralto
Cristina Fernandes (Cris) - Contralto
Daniela Lourenço - Soprano
Filipe Malva - Tenor
Hugo Floro - Tenor
Inês Floro - Contralto
Joana Penetra - Contralto
Luciana Albuquerque (Lu) - Contralto
Mafalda Cardoso - Soprano
Margarida Cardoso (Meggie) - Contralto
Maria Ana Rocha - Soprano
Matilde Pratas - Soprano
Mónica Santos - Contralto
Paulo Pereira - Baixo | Mentor, Fundador
Raquel Mensa - Contralto
Rita Gaspar - Contralto
Rui Pratas - Baixo
Rui Simões – Baixo | Fundador
Sofia Ortet - Contralto
Sónia Garcia - Soprano
Violeta Fachada – Soprano

MÚSICOS
António Freire - Gaita de Fole, Flauta
Armando Monteiro - Bateria, Percussões
Filipe Ferreira - Baixo, Percussões | Direção Musical
Kátia Reva - Piano
Sérgio Curto - Guitarra Acústica, Guitarra Elétrica, Percussões

Coimbra Gospel Choir - Hossana

Uma noite com os Coimbra Gospel Choir

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