Christopher Koppitz. O oboé e o reconhecimento internacional.

Christopher KoppitzChristopher Koppitz em entrevista ao XpressingMusic falou-nos dos momentos que mais o marcaram até aos dias de hoje. «Tive muita sorte em poder tocar como 1º oboé em orquestras como a “Gustav Mahler Jugendorchester”, a “Deutsche Kammerakademie Neuss”, a Orquestra “Spira Mirabilis”, “Württembergisches Kammerorchester Heilbronn” entre outras. Foram sem dúvida momentos inesquecíveis. Ao trabalhar com Maestros como Jonathan Nott, David Afkam Lothar Zagrosek, entre outros, aprendi muito sobre sobre música e como tocar em orquestra». Relativamente a um possível regresso a Portugal, é algo que está, para já, fora de questão. Diz, no entanto, que o ensino de oboé em Portugal é de grande qualidade: «(...) Os professores são ótimos e estão a fazer um excelente trabalho com os alunos. Infelizmente penso que as oportunidades para seguir uma carreira musical em Portugal são limitadas. O reduzido investimento financeiro por parte do estado e os cortes orçamentais nas escolas dificultam bastante a situação cultural em Portugal».

Christopher, muito obrigado por nos dedicar um pouco do seu tempo. Qual foi o seu percurso musical até ingressar no Conservatório “Escola de Música Nossa Senhora do Cabo”? Quando surgiu o interesse pela música?
Eu entrei para a “Escola de Música Nossa Senhora do Cabo” em Linda-a-Velha quando tinha apenas 7 anos. Comecei a estudar Oboé aos 8 anos. Antes disso só me lembro de todas as manhãs ir de carro para a escola a ouvir a Antena 2. Creio que isso tenha influenciado bastante o interesse pela música erudita. A minha mãe queria proporcionar-me a oportunidade de estudar um instrumento musical e incentivou-me muito nesse aspeto.

Teve como professor de Oboé o Professor Francisco Luís Vieira. Ele foi muito importante para que decidisse enveredar por uma carreira profissional na área da música?
Se bem me lembro... foi no 5º grau que eu decidi que queria fazer da música a minha carreira profissional. O Professor Luís Vieira foi definitivamente uma das pessoas mais importantes ao longo do meu percurso musical. Estive 10 anos a estudar com ele. Foi com ele que aprendi, não só a tocar oboé, mas também a fazer música - que é o mais importante!

Christopher KoppitzMas outros nomes foram aparecendo ao longo do seu percurso formativo... Omar Zoboli, Sally Dean, François Leleux, Diethelm Jonas, Dominik Wollenweber, Alexey Ogrintchouk, Andrew Swinnerton, Kai Frömbgen, Isaac Duarte, Jacques Tys e Washington Barella constituíram-se como grandes influências? Recorda-se de alguns aspetos marcantes na pedagogia de cada um deles?
Com certeza que foram grandes influências. Aprendi muito com estes grandes nomes do oboé. Cada um deles toca de maneira bastante diferente o que é ótimo pois tive a possibilidade de juntar várias ideias completamente diferentes e desenvolver a minha interpretação ou o meu “estilo” de tocar; se é que se pode chamar assim.

Como surgiu a oportunidade de estudar na classe de Christian Wetzel na “Hochschule für Musik und Tanz”?
Quando eu decidi que queria estudar Música/Oboé pensei logo em ir para o estrangeiro. Quando era miúdo passava horas a ouvir o Albrecht Mayer a tocar. Como ele estava na Alemanha queria ir para lá para aprender onde ele aprendeu. Muitos oboístas, incluído o meu antigo professor Luís Veira, recomendaram-me estudar com Christian Wetzel. Quando estive em 2010 na Alemanha a tocar com uma orquestra no festival “Youg Euro Classics” em Berlim fui ter uma aula com o Professor Wetzel e adorei. Decidi que tinha que estudar com ele. Posso dizer que foi definitivamente umas das melhores decisões da minha vida.

Apesar de muito jovem, arrecada já uma considerável experiência orquestral. Quais as principais orquestras em que já tocou como 1º Oboé?
Tive muita sorte em poder tocar como 1º oboé em orquestras como a “Gustav Mahler Jugendorchester”, a “Deutsche Kammerakademie Neuss”, a Orquestra “Spira Mirabilis”, “Württembergisches Kammerorchester Heilbronn” entre outras. Foram sem dúvida momentos inesquecíveis. Ao trabalhar com Maestros como Jonathan Nott, David Afkam Lothar Zagrosek, entre outros, aprendi muito sobre sobre música e como tocar em orquestra.

Recentemente conquistou o 2º prémio e o prémio do público do “Aeolus International Competition”. Foi um momento inesquecível. Concorda? O que sentiu ao receber esta boa nova?
Foi sinceramente, como bem disse, um momento inesquecível. Já participei noutros grandes concursos internacionais, tais como “Prague spring”, Crusell international competition”..., sem passar a primeira ronda. Ter chegado à final e ainda receber o 2º prémio foi muito importante mas, para mim, mais importante foi o prémio do público. Foi sem dúvida uma grande recompensa pelo trabalho que tenho desenvolvido ao longo destes anos.

Que outros prémios conquistou? Quais aqueles que destaca?
Os outros prémios que recebi foram de menor importância pois foram em concursos para concorrentes que ainda não frequentavam o ensino superior. Ganhei o 1º prémio no concurso “Terras de la Salette” nas categorias Juvenil e Júnior. Ganhei também o 1º prémio no concurso “Jugend Musiziert” (Prémio Jovens Músicos alemão). Sem dúvida que ganhar esse prémio aos 13 anos na Alemanha sem ter nenhuma experiência em concursos e ainda receber o prémio “Europa” - para a melhor performance de um concorrente estrangeiro - foi um dos momentos que mais estimo no meu percurso musical.

Christopher KoppitzTem conseguido algumas bolsas de estudo? O que lhe permitiram essas bolsas?
Felizmente que consegui umas bolsas de estudo para me ajudar a financiar o estudo e não só. Com um grupo de música de câmara “Trio d’Anches” - trio de palhetas: Oboé, Clarinete e Fagote - entrámos em 2013 na fundação “Live Music Now” que nos oferece vários concertos para pessoas que não têm a possibilidade de sair de casa e ir assistir a concertos em grandes Salas. Fizemos vários concertos por exemplo para Idosos em lares ou para crianças com deficiências em instituições e escolas que tomam conta delas.
Em 2014 ganhei uma bolsa de estudo da Firma “Gen Re”. O concerto para a bolsa foi gravado e transmitido pela rádio alemã “WDR” - “West Deutscher Rundufunk”. Acabei também por ganhar o prémio do público nesse mesmo concerto. Existe também um CD com essa mesma gravação e a dos outros concorrentes.

Desde 2014 têm aparecido oportunidades de tocar como solista. Destaca alguns concertos?
Tive a oportunidade de tocar alguns recitais a solo em festivais como por exemplo no “Brüser Berger Konzerte” em Bonn, Alemanha - um recital de uma hora e meia de música com a pianista Masako Eguchi. Penso que foi uma ótima oportunidade para me mostrar como solista e não só como músico de orquestra. Fui convidado para voltar a tocar para o ano que vem.

Pensa voltar para Portugal? Uma carreira num país como a Alemanha é algo que deixa qualquer um a pensar...
Já pensei muito sobre o Assunto... Gosto muito da maneira como se trabalha e faz música nas orquestras alemãs. Por agora penso ficar por aqui se tudo correr bem. Ainda estou a terminar a licenciatura e penso que vou fazer também na Alemanha o meu mestrado.

Considera que o ensino do oboé em Portugal segue no caminho certo? Tem havido uma evolução tão grande como noutras áreas dos sopros?
Penso que o ensino básico/conservatório do oboé em Portugal é de muito boa qualidade. Os professores são ótimos e estão a fazer um excelente trabalho com os alunos. Infelizmente penso que as oportunidades para seguir uma carreira musical em Portugal são limitadas. O reduzido investimento financeiro por parte do estado e os cortes orçamentais nas escolas dificultam bastante a situação cultural em Portugal.

Mais uma vez, muito obrigado. Há projetos novos para breve? Pode revelar alguns?
Com o prémio do “Aeolus international Competition” surgem vários concertos a solo com orquestras na Alemanha. Esses serão sem dúvida projetos interessantes. E continuo a tocar na Academia da “Staatskapelle Dresden” que me ocupa grande parte do tempo. Além disso continuo a estudar na "Hochschule für Musik und Tanz" em colónia. Muito obrigado pela entrevista.

Christopher Koppitz. O oboé e o reconhecimento internacional.

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