Bruno Simão. O baterista e os projetos musicais passados em revista.

Bruno SimãoO nosso entrevistado guiou-nos numa visita à sua carreira e à sua vida. Quando era pequeno gostava de guitarra mas rapidamente a bateria ocupou um espaço enorme nas suas preferências. Na sua formação houve professores que foram marcantes, neste sentido disse-nos que «o Sr. Rui Cardoso, que era professor de solfejo e um excelente saxofonista, com um sentido de humor bastante peculiar, muito exigente e duro com os seus alunos, mas que fora de aulas era um grande senhor e excelente companhia. O Bernardo Moreira, que era professor de história do jazz, e que mesmo com uma idade bastante avançada conseguia transformar aulas de 3 horas em “filmes” incríveis, de uma cultura musical fora de série. Depois o Henry Sousa e o Pedro Viana, ambos professores de bateria. O Henry com um método mais “old school” e o Pedro que tentava sempre adaptar o que íamos aprendendo à realidade atual. Todos foram bastante importantes para iniciar alguns métodos de ensino quando comecei a tentar dar aulas».

O Bruno Simão define-se como um baterista polivalente ou assume preferencialmente uma área musical mais específica e restrita?
Sou um baterista polivalente. A minha formação foi em Jazz na escola do Hot Clube de Portugal, e o Jazz enriquece bastante a variedade de opções e de géneros musicais, mas já gravei e toquei com projetos bastante distintos, desde o Hardcore mais pesado até à música tradicional Portuguesa.

A bateria foi desde cedo o instrumento que elegeu como predileto?
Quando era muito pequeno também gostava de Guitarra, mas desde que comecei a tocar e a estudar bateria fiquei fascinado com este instrumento.

No seu percurso formativo houve algum, ou alguns professores que tenham sido mais marcantes?
Sim, tive alguns professores que, por um ou outro motivo, foram muito importantes para mim, tanto a nível pessoal como musical. Gostava de salientar o Sr. Rui Cardoso, que era professor de solfejo e um excelente saxofonista, com um sentido de humor bastante peculiar, muito exigente e duro com os seus alunos, mas que fora de aulas era um grande senhor e excelente companhia. O Bernardo Moreira, que era professor de história do jazz, e que mesmo com uma idade bastante avançada conseguia transformar aulas de 3 horas em “filmes” incríveis, de uma cultura musical fora de série. Depois o Henry Sousa e o Pedro Viana, ambos professores de bateria. O Henry com um método mais “old school” e o Pedro que tentava sempre adaptar o que íamos aprendendo à realidade atual. Todos foram bastante importantes para iniciar alguns métodos de ensino quando comecei a tentar dar aulas.

Bruno SimãoE quanto a influências, podemos dizer que foi beber a várias fontes? Há bateristas que admire de forma mais vincada?
A nível de influências o Rock sempre teve um peso muito grande. As bandas que eu ouvia nos anos 80 e 90 como os Guns n´Roses, Alice in Chains, Soundgarden, Metallica ou Nirvana fizeram com que fosse pesquisar os Bateristas e as bandas que os influenciaram a eles, então, dessa forma, fui chegando aos Led Zeppelin, ACDC, Black Sabbath, The Who, The Stooges, por aí... Depois, quando comecei a estudar jazz, fui conhecendo muitos outros que me fizeram ver a bateria de outra forma. Há muitos nomes que podia referir de várias fontes sim, mas destacava como maiores influências John Bonham (Led Zeppelin), Sean Kinney (Alice in Chains), Elvin Jones e Max Roach na vertente jazz. Atualmente destacava dois monstros que me fazem perder no tempo quando os vejo tocar – Benny Grab e JoJo Mayer.

O projeto Teratron foi importante para o Bruno? Com quem embarcou neste Teratron e como definiria o projeto?
Teratron foi muito importante para mim, um projeto muito ambicioso e com um conceito totalmente diferente do que se fazia e se faz na música em Portugal. Este projeto foi fundado pelo João Nobre e o Pedro Quaresma (ex Da Weasel) e contava com um line up de sonho em que havia um power trio fixo (o Nobre o Quaresma e eu), e vários vocalistas que participavam – SP (Deville), New Max (Expensive Soul), Sus Rilley (Backyard Bully) e o Adolfo Luxuria Canibal (Mão Morta). Contava com a narração do ator Miguel Guilherme e a ilustração (pois todo o conceito se baseava numa história em banda desenhada, que mais tarde saiu em 3D por todas as salas do país) a cargo do João Maio Pinto. O som que nós tocávamos era um Rock muito eletrónico, com muitas influências de pop e de hip-hop, consoante os vocalistas que cantavam, com muita animação e luz à mistura e ao vivo nós íamos tocando enquanto o filme ia decorrendo, em tempo real e sincronizando música e vídeo, muito engraçado.

Já tem várias participações em discos. Pode partilhar com os nossos leitores quais os principais projetos que integrou neste âmbito?
Posso destacar algumas gravações que, por serem de géneros tão distintos, foram muito importantes para mim - Resignation (hardcore), Brainwashed by Amália (stoner rock), The Mintons Playhouse (rock/garage rock), Headwire (goth/punk/psychobilly), Pedro e os Lobos (dark blues/world music), Trash Candies (rock/alternativo), também gravei o primeiro EP da Mimicat que é um projeto muito interessante que já está a dar que falar, mas estava numa altura de muitos projetos e pouco tempo e infelizmente esse teve de ficar para trás.

Bruno SimãoDos vários projetos em que participou até hoje, há alguns que tenham tido um significado mais especial para o Bruno Simão?
Sim, claro. A primeira vez que senti que estava numa banda à séria foi com os Headwire, em que os restantes membros tinham todos cerca de 10 anos a mais do que eu e quase todos participavam em projetos muito fortes da nossa praça. Ensaiávamos bastante e tocávamos muitas vezes ao vivo e fizemos as primeiras partes de algumas bandas míticas do género como os UK Subs ou os The Vibrators e já não tocávamos só nos buracos em que eu estava habituado a tocar. A outra que destaco são os Teratron, pelo que já referi anteriormente e por ser uma banda composta por uma equipa de grandes profissionais nas suas áreas, e por ter sido o pulo do underground para o mainstream. Comecei a tocar em palcos enormes (como o Rock in Rio ou o Alive) para muitas pessoas, e tinha sempre a pressão adicional de ser o único “gajo” da banda que ninguém conhecia. Os outros podiam todos errar que já tinham dado provas de valor no nosso panorama, e eu estava ali, num estrado com 3m de altura, a tentar passar despercebido. Foram ambas muito importantes na minha aprendizagem tanto ao vivo como em estúdio.

Foi anfitrião do Drummers World Record em Portugal em 2012. Em que consistiu este marco?
Foi uma experiência muito interessante, a de tentarmos juntar um bom número de bateristas para batermos um record do Guiness. Na altura, mesmo havendo muitas desistências de última hora, lá conseguimos trazer o Record para Portugal. Record esse que foi renovado e continua por cá, mas as duas edições que se realizaram depois foram em datas em que eu não podia participar, se não, teria todo o gosto em estar presente. É sempre um prazer ajudar a divulgar a bateria.

Também dedica uma parte da sua vida a ensinar. Concorda com a máxima de que “a ensinar muito se aprende”?
Concordo plenamente. Dou aulas a crianças, jovens, e adultos de praticamente todas as idades e todos me ensinam bastante diariamente, não só a ser melhor professor mas também a ser uma melhor pessoa. E é sempre um desafio tentar perceber o epicentro das dificuldades de cada um e tentar solucionar o melhor método para as superar.

Tem conquistado alguns prémios. O que significam os prémios para a sua carreira? Quais são os prémios que nunca esquecerá?
Os prémios são apenas e só um símbolo de motivação, visto que, ficam no currículo e na prateleira mas não passam daí. O mais importante é aprender mais e conhecer mais pessoas que abordam os mesmos temas que nós de forma diferente. Esse contacto com pessoas criativas ajuda a perceber que o mundo é muito grande e às vezes no andar de baixo está uma pessoa muito mais capacitada do que nós naquela área, só que, se não sai de casa nunca ninguém vai saber que ela existe. Eu por norma não gosto do conceito da maioria dos concursos, do ser melhor ou pior, do mais e do menos, nem deve ser essa a abordagem a ter. Um concurso deve ser sempre uma excelente oportunidade de sair da zona de conforto, de crescer e evoluir, de tentar fazer o que ainda não foi feito, como no caso do último em que participei no passado mês de junho - Carlos Paredes Revisitado - em que fui um dos cinco finalistas. Juntei bateria com guitarra portuguesa e se me perguntarem se eu gosto do resultado final eu não sei responder. Se fosse hoje fazia diferente, mas até à data não havia uma referência e agora já existe. Se calhar mudava a minha abordagem por completo e se mais bateristas o fizerem no futuro já vão ter a tal referência que quando eu fiz não encontrei, e para mim a arte é isso, criar barreiras e superá-las, fazer coisas, sair de casa. O prémio de Artes e Criatividade pela cidade de Almada foi muito importante. Tinha muito pouco tempo para apresentar um projeto, e nas normas havia muitos parâmetros a seguir (margens, letra, etc.), tudo coisas que demoram muito a fazer e se não fosse com a ajuda da minha mãe e do meu padrasto nunca o ia acabar a tempo. Depois acabei por vencer nesta categoria e fiquei feliz por isso, e claro, também por ser na cidade onde sempre vivi e de onde tantos talentos têm saído, não só na música como também em muitas outras áreas.

Bruno SimãoEm 2013 foi convidado pela International Drum Academy para a realização de um Workshop. Como surgiu esta oportunidade?
Este sim, foi um dos prémios de que realmente gostei muito. Foi uma grande honra receber o convite do Michael Lauren, mestre da bateria e do ensino da bateria que dispensa apresentações, para fazer um workshop na International Drum Academy. Já o conhecia, e ele já me tinha visto a tocar, mas não estava nada à espera. Eu estava muito nervoso antes, mas depois correu muito bem, esgotámos a capacidade da sala e todos partilhávamos a mesma paixão pela bateria. Saí de coração cheio.

Em Portugal já há muitos bateristas a utilizar as “Bruno Simão Custom Sticks”?
Sim, eu creio que sim, pelo menos já esgotaram há algum tempo. Em breve chegarão mais alguns pares.

Em que é que consiste a sua ligação às marcas Zildjian cymbals, PDP drums, Remo drum heads e Te&Son?
Sou endorser dessas marcas, o que significa que estas facilitam material de topo a preços muito mais acessíveis, material em vários pontos do país e estrangeiro para não termos de andar sempre com a “casa às costas” e facilidade em desenvolvermos o nosso kit personalizado em troca da exposição da marca através de promoções, workshops, merchandising, entrevistas, vídeos ou fotografias. É uma simbiose muito importante entre artista e marca porque com material de melhor qualidade o desempenho do artista também melhora. E é sempre bom sentir que há pessoas/empresas/marcas que acreditam no nosso trabalho. Aproveito para divulgar em primeira mão para a XpressingMusic que acabei de assinar contrato com uma loja Francesa de roupa para Bateristas, a RLRRLRLL (que significa um rudimento em bateria – paradiddle), e que também vou ser representante dessa marca.

Muito obrigado por este tempo que nos dedicou. Quais os projetos que abraça neste momento e quais pensa concretizar num futuro próximo?
Eu é que agradeço a oportunidade. Este ano por opção, saí de todos os projetos em que estava envolvido para me conseguir focar mais na parte da formação e para ter tempo e cabeça para fazer coisas para mim também. Mas entretanto abracei um projeto com o Pablo Oliveira (concorrente dos programas “Ídolos” e “The Voice Portugal”) que é muito novo ainda mas tem uma voz incrível, em que toco bateria e organizo a direção musical. É um projeto com muitas influências de soul, funk e rnb. Já gravámos algumas coisas mas ainda estamos numa fase de ensaios e de encontrarmos o caminho a seguir. Brevemente queremos pô-lo na estrada. Obrigado uma vez mais e um grande bem-haja para todos e continuação de um bom trabalho no que diz respeito à promoção da Música e dos Músicos deste nosso país.

Bruno Simão. O baterista e os projetos musicais passados em revista.

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