Filipa Carvalho. O Fado e a vontade de começar a escrever os seus próprios temas.

Filipa CarvalhoDiz ser uma eterna Amaliana, sem esquecer Maria da Fé, Fernanda Maria, Alfredo Marceneiro, Fernando Maurício, Carlos do Carmo e tantos outros. Filipa Carvalho faz questão de conhecer todos estes grandes fadistas pois é nessa procura e ouvindo todos que melhor vai definindo o seu estilo. "Dos fadistas desta nova geração gosto muito de Ana Moura e Camané". Não se queixa da falta de convites para atuar tendo mantido regularmente os seus fins-de-semana ocupados em casas de fado, hotéis e outros espetáculos. Diz no entanto que ainda há datas disponíveis para aqueles que a queiram ouvir e ver atuar. O seu disco serviu de mote para lhe colocarmos algumas perguntas que agora transcrevemos.

Filipa Carvalho, se lhe pedíssemos para caracterizar o seu primeiro disco, como o descreveria?
Caracterizá-lo-ia dizendo que poderia ser uma das tantas noites de fado que faço por aí... Este CD reúne os 10 temas que mais cantei no último ano. Um ano de aprendizagem e crescimento. Aprendizagem porque tenho vindo a aprofundar o meu conhecimento sobre o fado, a sua história, origem, evolução, os seus fadistas e estilos e o vasto repertório tradicional; e crescimentos porque no decorrer de todo este processo amadureci enquanto artista.

Filipa CarvalhoA música sempre esteve presente na sua vida?
Sim, a música sempre esteve presente na minha vida. Aos 9 anos comecei a estudar solfejo e a tocar acordeão, foram 7 anos, até que um dia, numa festa da escola de música desafiaram-me a cantar... e pronto, descobri que afinal o caminho deveria ser mais por aí! Nos anos que se seguiram acompanhei a minha professora de música pelos seus espetáculos, festas e bailaricos onde cantava e tocava e aí fui conhecendo o país. Em adolescente participei em algumas bandas de estilo pop/rock e ao entrar para a faculdade optei por deixar, por tempos, a música, voltando somente já na idade adulta.

O Fado foi sempre uma paixão?
Não, não foi, mas por ignorância acho, ou melhor, talvez por falta de incentivo. Os meus pais são de origem Beirã e em casa sempre se ouviu muita música tradicional portuguesa, não se ouvia fado, por essa razão, só em adolescente, após assistir por 3 vezes ao musical "Amália" de Filipe Lá Féria é que de facto percebi que algo passou a mexer comigo... o Fado.

O convite para integrar o projeto Incantus foi importante para que decidisse que a sua vida iria ficar para sempre ligada à música? José Afonso é uma referência para a Filipa Carvalho?
O projecto Incantus surgiu por volta dos meus 25 anos. Um dia, estava no meu trabalho, numa sala que dividia com mais 5 colegas professores e, pensando que estava sozinha, dei por mim a cantarolar uma música que tocava na rádio, até que um colega e amigo entrou e ficou à espreita! No final daquele espetáculo entrou a sorrir e perguntou-me se eu não queria conhecer um projeto, onde ele era vocalista, um grupo que estudava e interpretava a obra de José Afonso. De facto eu já conhecia música de intervenção, gostava, mas não seria um estilo que à partida me visse a cantar, pois algo me reportava sempre para a imagem masculina, porém, um dia rendi-me e fui ver um ensaio, e claro, como só poderia ser, apaixonei-me. "Apaixonei-me pela paixão" que os restantes elementos mostravam por aquilo que faziam, pela qualidade e seleção dos temas e pelo magnífico profissionalismo a que se impunham. Desse dia em diante passei a ser uma das três vozes do projeto e a vontade por fazer algo maior na música começou a ganhar outra dimensão. Hoje José Afonso é sem dúvida um músico e um intérprete que admiro e me influencia.

Filipa Carvalho - FadoO facto de o Fado ter sido elevado a património imaterial da humanidade pesou na sua decisão de enveredar por este caminho?
Sinceramente julgo que não, porém o facto de o Fado ganhar, dessa forma, uma dimensão maior, e de se começar a ouvir mais por todo o lado e se falar cada vez mais de fado, fez, por sua vez, que a minha vontade de experimentar passasse a ser maior, isto porque já era algo que me estava mais próximo e fácil de chegar.

O seu disco "Fado" tem-lhe trazido novas oportunidades de se apresentar em público? Como está a agenda da Filipa Carvalho?
Sim, um CD é sempre mais um motivo e uma boa razão para voltarmos a casas onde já cantámos e a eventos onde já participámos. Neste momento ando a fazer o circuito de algumas lojas Fnac e tenho realizado algumas entrevistas em diversas rádios. À parte de tudo isso, continuo o fazer o que sempre fiz, noites de fado em restaurantes, hotéis, eventos privados, o que aparece! Felizmente todos os fins-de-semana tenho trabalho e para o Verão também já há muita coisa marcada, no entanto tenho a minha agenda aberta para novos espetáculos que possam aparecer. Podem consultar o meu site, www.filipacarvalho.pt, onde estão todos os contactos para marcação de eventos ou espetáculos. Entretanto associei-me a uma nova empresa com um novo conceito, de seu nome Fado Capital. Esta empresa tem por objetivo juntar o Fado de Lisboa com o Fado de Coimbra, podendo realizar eventos em separado ou em simultâneo. Podem consultar a sua página no Facebook e acompanhar as novidades.

Quais os fadistas que mais admira? Inspira-se em algum deles?
Como tenho dito, sou uma eterna Amaliana, mas gosto muito também de Maria da Fé, Fernanda Maria, Alfredo Marceneiro, Fernando Maurício, Carlos do Carmo... e tantos outros. Gosto e ouço todos, faço questão disso mesmo, pois é conhecendo e ouvindo todos que melhor vou definindo o meu estilo. Dos fadistas desta nova geração gosto muito de Ana Moura e Camané.

Filipa CarvalhoComo idealiza a sua carreira num futuro próximo? Há algum sonho que gostasse que concretizar em breve?
Eu tenho dado passos pequenos, até porque não tenho meios para dar passos maiores. Neste meu tenro percurso tenho estado sempre sozinha, não tenho, nem nunca tive, agente ou produtor, ou alguém maior que me ajudasse e orientasse. A minha realidade é igual à de tantos outros fadistas que todos os dias cantam por aí, a diferença é que tenho sido mais persistente e tenho aproveitado as oportunidades que surgem. Por isso o futuro será continuar a trabalhar, para conseguir fazer cada vez mais e melhor. Neste momento voltei a apostar na minha formação musical, terminei uma formação no Museu do Fado para Letristas de Fado, com Daniel Gouveia, e pretendo começar a criar repertório original. Acho que o futuro passa por aí...

Quais são os músicos que a acompanham em palco?
Os músicos que normalmente me acompanham são os músicos que tocaram neste meu CD, na Guitarra Portuguesa e Piano - Nuno Amaral, na Viola de Fado - Carlos Valinhas e no Baixo de Fado - Luís Pagarim. Amigos por quem tenho uma estima muito grande e a quem eu agradeço tudo o que me ensinam diariamente.

Agradecemos-lhe este tempo que nos dedicou. Para terminarmos gostaríamos de lhe colocar um conjunto de questões de resposta rápida...

Livro preferido?
Escolher um é difícil... A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon

Qual o último filme que viu?
Velocidade Furiosa 7

Nos tempos livres prefere...
Namorar, estar com a família, ir ao cinema e ginásio.

Qual o seu prato preferido?
Polvo á Lagareiro

Último CD que comprou...
Ana Moura, Desfado.

Filipa Carvalho

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