Miguel Angelo e o novo álbum “Segundo”. Entrevista.

Miguel AngeloApresentamos uma entrevista na qual quisemos conhecer melhor o trabalho que Miguel Angelo nos apresenta neste ano de 2015. Neste disco mostra-nos o futuro sem relegar o passado. A confirmar esta constatação temos logo a própria capa do disco que parte de uma fotografia que conta tanta(s) história(s). «Escrevi muitas das canções dos Delfins naquela sala, sim, e nas presenças e nas ausências a minha mãe e o meu pai foram muito importantes para este plano de vida. Passados 30 anos de carreira sentimo-nos mais próximos das pessoas, num sentido natural. Já largámos aquele cliché do artista cool, que nem sequer quer assumir publicamente que tem uma família... » Quanto ao facto desta edição fisicamente se apresentar em vinil, Miguel Angelo diz-nos: «SEGUNDO é editado exclusivamente em vinil, no que diz respeito aos formatos físicos. Junto de uma minoria em crescimento o objeto disco, em vinil, volta a ter valor, sentimental ou mais que isso. É a desmaterialização da música a sofrer um revés...»

Miguel Angelo, muito obrigado por nos dedicar este tempo respondendo às questões que teremos oportunidade de partilhar com os nossos leitores. A nossa conversa incide essencialmente sobre este seu último trabalho, "Segundo". Como descreveria este disco em poucas linhas?
SEGUNDO, como se pode ver pela capa, é um disco de se trazer por casa. É um disco que começa com um dueto e acaba com outro. Tem também o primeiro instrumental que edito a solo (Com Licença). E é o primeiro disco para o qual escrevi e gravei um "fado" (Fado do Fim do Mundo)! Bem, talvez já o tivesse feito em "Ao Passar um Navio"...

Miguel AngeloA 3 de abril terá oportunidade de festejar o seu aniversário em simultâneo com o lançamento deste disco no mercado digital. A forma como hoje se editam os discos e como estes se promovem é bem diferente daquela que subsistia no tempo dos Delfins. Quais as vantagens e as desvantagens que observa nos novos modelos de comunicação e de marketing digitais?
Devido à profusão de canções e espetáculos promovidos e relatados, o "meio" obriga-nos a ter uma presença mais regular e original nos novos média. Vantagens? Estamos perante uma Indústria em crescimento. Desvantagens, no presente: ainda não se equilibrou o modelo do negócio, o que faz com que esse lento crescimento seja na realidade um decréscimo face ao antigamente...

...No entanto estamos a observar o ressurgimento dos antigos formatos. Por exemplo, o "Segundo" também é editado em vinil...
SEGUNDO é editado exclusivamente em vinil, no que diz respeito aos formatos físicos. Junto de uma minoria em crescimento o objeto disco, em vinil, volta a ter valor, sentimental ou mais que isso. É a desmaterialização da música a sofrer um revés...

Com a versão de "O Vento Mudou", em dueto com o Eduardo Nascimento é a sua forma de mostrar que há reportório nacional com qualidade que jamais deverá cair no esquecimento?
Por acaso esta é uma daquelas canções que tem atravessado gerações. Libertou-se completamente do espectro do Festival da Canção e tornou-se um clássico. Poder cantá-la com o seu intérprete original e mais carismático foi precioso.

A participação da cantora, pianista e compositora luso alemã, Nicole Eitner foi uma ideia sua? O que quis trazer ao álbum com a inclusão de Nicole Eitner?
É uma pequena canção de despedida do álbum, um momento íntimo a 2 vozes e um piano. Quis ter neste disco de guitarras o piano e a voz da Nicole. Acho que é uma das mais interessantes cantautoras transnacionais e embora já tivéssemos tido belas experiências em estúdio, em 1988 e depois em 2000, nunca tínhamos gravado em dueto.

"Só Eu Te Posso Ajudar", da banda sonora do filme Zona J, regressa agora numa nova versão. Esta surge para que haja um fio condutor na sua produção musical? Gostava que a sua carreira fosse vista num contínuo movimento artístico à semelhança de uma obra clássica com vários andamentos?
Posso concordar com isso, mas na realidade surgiu porque como pertence ao meu disco a solo Timidez, de 1998, incluí-a na digressão de Primeiro, em 2013. Também despida, só com voz e guitarra de 12 cordas. Esta canção teve sempre uma ótima reação, em todos os espetáculos. Fiquei também bastante surpreendido com a versão que os Peixe:Avião fizeram dela, há uns anos... Resolvi incluí-la neste Segundo andamento, numa nova versão, para que o futuro também seja a memória.

Miguel Angelo SegundoEduardo Vinhas, Alex Wharton e Rui Fadigas são nomes que sobressaem nesta produção. Há outros nomes que queira salientar e que foram importantes para que nascesse o "Segundo"?
O regresso de Jorge Quadros ao seu lugar de baterista, claro. E o jogo de guitarras entre o Rogério Correia e o Mário Andrade, entre as 12 cordas e a elétrica, que faz sempre florescer a canção que levo escrita de casa. E toda a música dos outros que trago nos ouvidos, do Matthew E. White ao Elton John dos primeiros tempos, do John Grant ao Emitt Rhodes, do Tobias Jesso Jr. aos Iron and Wine, dos Wings a velhas canções que um dia nos "acordam", como "That's How I Got to Memphis", de Tom T. Hall...

A capa de "Segundo" é, à semelhança do conteúdo musical do disco, algo muito pensado e repleto de significado... Se há um Miguel Angelo que sempre esteve ligado à música, lançou vários discos, editou "Primeiro" e agora "Segundo", antes disso houve alguém que o educou e transformou... A imagem da sua mãe ao seu lado pode ser interpretada como o início do fio condutor de que falávamos há pouco?
Escrevi muitas das canções dos Delfins naquela sala, sim, e nas presenças e nas ausências a minha mãe e o meu pai foram muito importantes para este plano de vida. Passados 30 anos de carreira sentimo-nos mais próximos das pessoas, num sentido natural. Já largámos aquele cliché do artista cool, que nem sequer quer assumir publicamente que tem uma família... Quando vi pela primeira vez a reportagem que a revista Life fez em 1971, fotografando as estrelas da altura nas casas dos pais, achei que quer musicalmente quer esteticamente fazia todo o sentido recriar aqueles quadros para SEGUNDO.

Mais uma vez agradecemos a sua amabilidade. Onde os nossos leitores o poderão ir ouvir em breve? Está já a ser desenhada a tournée de apresentação do "Segundo"?
Sim, para já a 18 de abril há um pequeno espetáculo de apresentação da edição em vinil de SEGUNDO pela Rastilho Records, na Fnac do Chiado, em Lisboa, justamente para celebrar o Record Store Day. A partir de maio será anunciada uma tour de teatros e auditórios para a apresentação Nacional de SEGUNDO.

Miguel Angelo

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