Johnny Blues Band e o disco Good Old Times. Entrevista.

Johnny Blues BandEstivemos à conversa com o João Fonseca da Johnny Blues Band. A tocar desde 1994 lançaram recentemente o disco Good Old Times. Já marcaram presença em diversos festivais de Blues tais como o Gaia Blues, Festival de Blues e Jazz de Seia, Festa do Avante, Blues na ilha de Santa Maria, Praia Blues Festival na ilha Terceira – Açores, Douro Blues, Festival de Jazz & Blues de Évora, Festival de Jazz de Matosinhos e 1º Festival de Blues do Porto. Todas estas viagens proporcionaram momentos únicos de partilhas. E, falando de partilhas de experiências, poderemos aqui recordar que a Johnny Blues Band já compartilhou palcos com grandes nomes do blues. A título de exemplo poderemos referir Looney Brooks, Morris Hot (Magic Slim), Dr. Feelgood... Estas e outras experiências foram aqui recordadas numa entrevista onde o blues foi o cerne das questões.

Queremos agradecer desde já este tempinho que conseguiste para falar um pouco da Johnny Blues Band. Vocês já têm 20 anos, mas só agora sai o primeiro disco. Porquê tanto tempo? Estes anos foram anos de amadurecimento do projeto?
Não necessariamente. Houve durante algum tempo algumas diferenças de opinião entre os elementos da banda. Estas diferenças prendiam-se essencialmente com o facto de devermos fazer ou não originais. Também não era unânime se os faríamos em inglês ou em português. Mas acabámos por fazer os nossos originais e aqui está o disco. Penso que podemos falar mais de um ímpeto do que de um amadurecimento.

Joao Fonseca Johnny Blues BandDurante estes anos foram mantendo a mesma formação ou foram passando outros músicos pelo projeto?
Da formação original só permanecemos dois, ou seja, eu (João Fonseca) e o João Antero que é um dos guitarristas. Mas já tocamos com esta formação há bastantes anos.

Então podes apresentar-nos os músicos que compõem a formação atual?
Claro! A Johnny Blues Band é então composta por mim, João Fonseca, na Voz, pelo João Antero na guitarra e na guitarra acústica, pelo Jorge Loura também na Guitarra, pelo Ricardo Melo no Baixo, pelo Artur Trincheiras no Hammond e pelo Jorge Oliveira na Bateria.

O disco foi gravado aqui no Porto?
Sim. Inicialmente foi gravado no Boom Studios mas depois ainda gravámos uns coros, umas dobragens e uns "acrescentos" na nossa sala de ensaios.

Para além dos músicos que já referiste ainda houve mais gente envolvida na gravação deste disco. Podes falar-nos um pouco de todo esse processo de gravação e de produção?
O nosso técnico de som, que acabou por ser também um pouco o produtor deste trabalho, é o Miguel Guerra. Trabalhou sempre connosco ao vivo e em algumas gravações de demos para vermos como as coisas estavam a soar. No entanto esta gravação foi já uma coisa mais séria. Participaram também os elementos da equipa do Boom Sudios que foi onde gravámos as baterias, a voz principal e uma das guitarras.

O facto de já terem participado em vários festivais de Blues deu-vos a oportunidade de partilharem o palco com grandes vultos da música...
Embora não tenhamos tocado ao lado deles, partilhámos o palco com nomes emblemáticos do blues mundial ainda vivos e isso é sempre espetacular. É muito bom conviver e experienciar a origem do som de que tu gostas. São experiências muito importantes porque sabes que é muito difícil fazermos blues num país onde a música é tratada da forma que todos vêm.

Johnny Blues BandEssa era uma pergunta que trazíamos para vos fazer. O Blues em Portugal destina-se a um pequeno nicho de seguidores?
Essa questão faz-me recuar 20 anos. Quando começámos com este projeto, eu vinha do rock e o João Antero também. Nós já tínhamos uma banda juntos. Quando pensámos em fazer este projeto ligado ao blues foi numa perspetiva de escape, para nos divertirmos. 20 anos depois continuamos cá, sempre com espetáculos... Há público... eu não lhe chamaria um nicho... O nosso mercado discográfico em Portugal é um nicho obviamente. Isto porque em Portugal as pessoas são manobradas para que se promova o consumo de "coisas fáceis". Apesar de tudo isto, há muita gente a gostar de blues. Há muita gente nova a gostar de blues e isto é algo que me deixa muito contente. Tenho amigos que começaram agora a tocar, andam na casa dos 20 anos, e adoram blues. Há muita gente em Portugal a gostar de blues.

O espetáculo que agora vão apresentando no seguimento deste disco aparece em grandes palcos ou em ambientes mais intimistas como bares por exemplo?
Será mais pela segunda opção, pois não temos agenciamento. Fazemos o nosso próprio agenciamento. Neste campo é que as coisas se tornam mais difíceis pois não há quem queira apostar no blues. Temos consciência de que não vamos tocar nos festivais de verão nem vamos ser cabeça de cartaz de um espetáculo para 40 ou 50 mil pessoas que é o que os produtores agora procuram e, nada tenho contra pois é esse o negócio deles. Nós fazemos coisas mais à nossa medida, ou seja, mais pequenas. Mesmo assim temos ido tocar a Espanha e aqui tocámos em quase todos os festivais de blues. Só não tocámos no Algarve e em Viana do Castelo. Os nossos espetáculos serão sempre mais intimistas até que se consiga fazer uma produção maior. Não estou nada triste com a produção que apresentamos, pois temos feito tudo sozinhos com autofinanciamento e com a maravilhosa ajuda do nosso público.

Estamos a falar de financiamento, produção... Os músicos da Johnny Blues Band são profissionais, tocam noutros projetos...
(Risos) São todos profissionais menos eu. Eles tocam também noutros projetos.

Como é que os nossos leitores poderão comprar o vosso disco?
Podem fazê-lo através da página http://johnnybluesband.bandcamp.com/album/good-old-times. Se desejarem o disco fisicamente poderão solicitá-lo contactando-nos pelo e-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou pelo FaceBook para que possamos enviar pelo correio.

Também vendem nos espetáculos?
Sim. As pessoas que se dirijam a um concerto nosso poderão comprar lá o disco.

Johnny Blues BandEste primeiro disco aguçou-vos a vontade de fazer outro em breve?
Já começámos a fazer uma pré-produção de um novo álbum. Isto aguçou-nos bastante pois finalmente percebemos que afinal até conseguimos compor coisas interessantes juntos. Provavelmente entraremos em estúdio lá para janeiro de 2016.

Então em 2016 vem aí um novo disco...
Se tudo correr bem... Este "Good Old Times" foi um parto bem difícil. Começámos a gravá-lo há dois anos. Durante esses dois anos houve várias peripécias pelo caminho, entre as quais a saída de dois elementos da banda. Tivemos que refazer muitas coisas. Agora a experiência também já é outra esperando portanto que em 2016 tenhamos cá fora mais um álbum.

Quanto a espetáculos... Onde os nossos leitores vos podem ouvir em breve?
Vamos estar em abril em Aveiro, depois em Viseu, mas poderão seguir todas as nossas datas no nosso FaceBook.

Há mais algum sonho que gostassem de ver concretizado?
Tocar blues durante mais 20 anos!

O palco é então o vosso habitat natural...
Sim, o palco é o nosso aquário, é onde gostamos de estar. O disco acabou por ser gravado de uma forma minimalista no que diz respeito à produção porque o fizemos como se estivéssemos a tocar ao vivo. Os blues, assim como a música em geral, existem é para serem partilhados. Só faz sentido estarmos a tocar, quando está alguém a ouvir aquilo que estamos a sentir, partilhando também um pouco dos mesmos sentimentos.

Muito obrigado por este bocadinho que nos proporcionaste. A Johnny Blues Band acaba por ser a prova viva de que é possível contornar os obstáculos do mercado musical tocando aquilo que vos dá prazer.
Sem dúvida. É para nós muito gratificante vermos que fazemos tantas pessoas felizes, algumas delas que vão aparecendo por este nosso caminho de 20 anos. É bom saber que as pessoas apreciam a música que fazemos e a música que interpretamos.

Johnny Blues Band

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