José Cid. A entrevista ao homem que nasceu para a música.

José CidEstivemos em Mogofores-Anadia à conversa com José Cid. De tudo se falou um pouco e, como já vem sendo hábito, sem filtros e sem preconceitos. Se a sua carreira é conhecida, reconhecida e imensa, não menos surpreendente é a energia com que nos fala do que ainda está por fazer. 2015 começa com o lançamento de "Menino Prodígio", um álbum com cheiro a rock mas que tem também algumas baladas. A passagem de ano será em Lisboa, na Praça do Comércio, e para além do novo álbum, 2015 será um ano que privilegiará alguns espaços mais intimistas com concertos que apostam no formato "voz e piano".

Quando era criança sonhou com outras profissões ou a música foi sempre uma constante no seu pensamento?
Eu, desde pequeno, dizia às minhas irmãs mais velhas que queria cantar numa telefonia. Elas achavam aquilo muito estranho... "Cantar numa telefonia?". Mas era o que eu queria desde muito pequenino.

Portanto a canção "Minha Música", acaba por ser um tema autobiográfico.
Sim e o meu próximo disco, "Menino Prodígio", que sairá já em janeiro/fevereiro, conta exatamente essa história. Quando eu era pequenino as pessoas achavam que eu era uma criança prodígio mas essa criança prodígio morreu. Já não existe. Hoje sou eu. Sou o epitáfio dessa criança.

Mas naquele tempo não era fácil dizer-se à família que queria ser músico... Acabou por fazer uma formação académica à margem da música.
Sim. Acabei por fazer um curso de Educação Física pois sempre gostei e pratiquei imenso desporto, ainda por cima eu tinha imenso jeito para ensinar jovens e treinar atletas.

Chegou a exercer essa atividade?
Não. Só na Força Aérea é que dei Educação Física aos meus instruendos mas quando saí já estava na música.

Paralelamente a este percurso, a música esteve sempre presente, ou houve um momento em que parou e disse: "agora vou dedicar-me somente à música"?
José CidA minha vida foi sempre a música. Eu era uma criança e um jovem extremamente distraído, ou melhor, concentrado na música porque a distração não existe. Eu posso estar distraído ou abstraído do planeta mas estar absolutamente concentrado noutras coisas e as pessoas pensam que estou distraído mas não estou. Era exatamente isto que me acontecia. Eu estava absolutamente concentrado na música.

Aos 11 anos vem viver para Mogofores e isso faz com que vá estudar para Coimbra. Foi importante esse tempo em Coimbra?
Eu, de Coimbra ainda vim estudar para o Colégio de Anadia, ou seja, para o Colégio Nacional. Formámos logo uma banda aqui no colégio. Era uma brincadeira. Eu tocava piano, outro, bateria, o Óscar Alvim cantava... (risos) Era uma brincadeira. Em Coimbra também foi uma brincadeira, no início, mas depois formámos "Os Babies" e a história aí já começa a ser conhecida. Nós não tocávamos originais, tocávamos covers, mas já tocávamos e cantávamos bem.

Que músicas tocavam na altura?
Tocávamos muita coisa... Bossa Nova, Rock... Não tocávamos rock inglês... Tocávamos o rock americano da época.

E quando surgiu o primeiro projeto profissional? Podemos dizer que os "1111"foram o primeiro projeto a assumir esse estatuto?
Sim. Os "1111" já se poderiam considerar profissionais ao princípio. Os "1111" chegaram a um ponto em que se tornaram uma forma de vida e também uma forma de expressão. O nosso tempo livre era também ocupado com música. A música era, para nós, algo absorvente.

Em Coimbra, chegou a compor na academia? Conheceu pessoas importantes para aquilo que veio a ser o seu percurso musical?
Conheci o Adriano Correia de Oliveira que, como pessoa, era muito mais interessante do que o Zeca Afonso. Era menos criativo mas, como pessoa, era muito mais interessante. Conheci o José Niza. Conheci a pessoa que mais me influenciou musicalmente e que foi o Rui Ressurreição que era um pianista que vinha do sul de Angola, de Moçâmedes, mas muito influenciado por músicos sul-africanos, que por sua vez eram influenciados por músicos norte-americanos e pelo seu jazz e blues...

Nessa altura já compunha os seus próprios temas?
Compus só dois ou três temas... "Coimbra à Noite", "Andorinha"... Foi mesmo o início.

Acabou por ter um disco censurado em 1970... Recorda-se deste primeiro "contra-tempo"?
Foi o primeiro álbum do "1111". Foi em janeiro de 1970.

Compor neste tempo obrigava-vos a serem mais criativos?
A verdade é que, hoje, já está quase tudo feito. É muito raro aparecer qualquer coisa que seja verdadeiramente original. Naquela altura estava quase tudo por fazer, ou seja, era mais fácil compor. Ao mesmo tempo a censura era inspiradora. Para se escreverem palavras que escapassem à censura, era preciso utilizar metáforas e essa forma de escrever acabava por ser inspiradora também.

José CidO seu primeiro álbum foi a solo, ou foi integrado num dos seus projetos?
O meu primeiro álbum foi com o "Quarteto 1111" e em 1971 gravo o meu primeiro álbum a solo que agora foi reeditado em vinil.

O Festival de Vilar de Mouros foi também em 1971 mas reviveu essa experiência há pouco tempo... Como foi?
Sim. Revivemos Vilar de Mouros este ano. Foi muito interessante. Em 1971, Vilar de Mouros era um acampamento de hippies e daqueles que se mascaravam de hippies. Havia duas espécies de hippies em Vilar de Mouros. Eram os verdadeiros e os que estavam mascarados. Foi engraçado. Muito engraçado. Foi muito além daquilo que nós esperávamos que pudesse acontecer. No outro dia vi na televisão um filme sobre o Festival de White com imagens verdadeiras da época e, Vilar de Mouros, não andava muito longe... Foi muito interessante. Dormimos todos em duas tendas, tomávamos banho no rio completamente nus, nós e as raparigas, fumava-se uma erva que nem sei quem trazia mas era uma coisa completamente diluída porque era um cigarro para 7 ou 8 músicos mas fumávamos e achávamos um piadão, ou seja, brincávamos um bocadinho áquilo que se fazia lá fora mas musicalmente, Vilar de Mouros teve muito interesse. O "Quarteto 1111" tocou muito bem, e as outras bandas portuguesas tocaram muito bem, o que surpreendeu até as bandas estrangeiras que estavam nesse festival. Falo dos "Manfred Mann" e do Elton John. Eles ficaram muito surpreendidos com o que se estava ali a passar.

Nessa altura privaram com eles?
Não... Acabámos por conviver um pouco mas, mais com os "Manfred Mann" do que com o Elton John. O Elton John era uma pessoa muito estranha (risos).

O Elton John era uma pessoa mais reservada?
(risos) Não... (risos) Estava sempre no "engate" e nós tínhamos que ter muito cuidado com ele (risos). Ele era muito atiradiço! (risos).

Voltando à nossa entrevista... O Zé é dos músicos portugueses com mais obra registada na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Isto faz com que a sua obra não seja somente interpretada por si mas também por outros artistas fazendo assim sucesso na voz de terceiros?
Não. Penso que não. O que escrevi para outros artistas foi muito residual. As minhas canções são muito pessoais, o que faz com que seja difícil a sua interpretação por outros que não eu. Agora, mais recentemente compus para outro artista de forma mais exaustiva... A pessoa para quem mais compus foi recentemente para o Zé Perdigão.

Em 1972, gravou o tema "Vinte Anos" e o disco vende mais de 100.000 unidades. Isto foi algo grandioso para a época...
Na época foi algo histórico. Eu estava na Valentim de Carvalho e passei a ser..., - com "Vinte Anos", "A rosa que te dei", "O Dia em que o Rei faz Anos" e "Ontem, Hoje e Amanhã" – passei a ser na Valentim de Carvalho o cantor que mais vendia. Mas muito mais... mais até do que a Amália. Até essa altura era a Amália quem mais vendia na Valentim de Carvalho e durante aqueles cinco anos passei eu a ser o cantor número 1 em vendas. Isto complicou um bocadinho a minha relação com eles. Eles não perceberam que eu não estava ali a cantar contra ninguém. Estava a fazer a minha vida e o "grupo Amaliano" da Valentim de Carvalho que era um grupo forte na editora não me perdoou muito essa "ousadia". A própria Amália também não... mas pronto... são histórias do passado.

José Cid"10.000 anos depois entre Vénus e Marte" foi gravado em 1978 mas foi recentemente recordado em concertos que certamente ficarão para a história da carreira do José Cid...
Temos feito alguns concertos ao vivo do álbum, mas o disco, embora tenha sido editado em 1978, tem algumas das canções que foram escritas muito antes dessa data. Vínhamos a trabalhar no disco desde 1974, ou até antes. Nós vínhamos a escrever o álbum aos poucos. A parte final teve uma ajuda grande do Mike Sergeant, do Zé Nabo e do Ramon Galarza. Esta ajuda deu-lhe a conclusão final que eu esperava. Deu-lhe também uma diversidade criativa muito grande. Recentemente tocámos o álbum. Sinceramente, eu sinto-me ultrapassado pelos acontecimentos... Ao vivo, o álbum é brutal. É muito melhor do que o que se possa imaginar. Conseguimos agora no Coliseu gravar pista a pista e pensamos que podemos editar o DVD.

Editar um trabalho destes em 1978, foi algo muito avançado para a época?
O "10000 anos depois entre Vénus e Marte" já era o 3º álbum de rock sinfónico que eu escrevi. O primeiro foi em 1975 "Cantamos Pessoas Vivas" e depois em 1977 "Vida (Sons do Quotidiano) " e só em 1978 é que gravámos o 10000 anos... Se calhar este nem foi o melhor álbum de rock sinfónico pois conheço muitos músicos e muita gente que até gosta mais do "Vida (Sons do Quotidiano)". Agora, 40 anos depois, já nos estamos a preparar para gravar em 2015 o 4º e último álbum de rock sinfónico que se chama "Vozes do Além".

Este álbum, o "10000 anos depois entre Vénus e Marte", acabou por ter um impacto internacional maior...
Agora sim mas na altura ninguém ligou nenhuma ao álbum, nem em Portugal nem lá fora. Só quando em 1994 houve uma edição americana do álbum, já quase 15 anos depois, é que este explode lá fora e depois entra cá dentro. Mas, quando ele entra cá dentro é também numa altura que está a acontecer o "boom do rock português" e a ideia foi muito apagada. Só agora, que o "boom do rock português" já não é tão "boom" quanto isso, até aquele a quem chamam o pai do rock português se está a demitir... agora sim as coisas estão a aparecer e de que maneira. O álbum ao vivo é brutal. Ainda por cima com os músicos que tocam agora comigo... A secção rítmica está ao mesmo nível do Ramon e do Zé Nabo. Tenho o Pepe no Baixo e o Samuel na bateria. Na parte das teclas também melhorou muito porque veio o meu sobrinho Gonçalo Tavares com 5 teclados ajudar-me, vem um maestro tocar a parte de piano e eu toco a parte de Moog e de Hammond. Temos 8 teclados em palco e o guitarrista, o Chico Martins, toca mais do que o guitarrista original. Assim, o álbum aparece revisitado de uma forma ainda mais brilhante do que aquela como foi escrito. Ao vivo impõe uma força intrínseca tão grande que nós próprios nos chegamos a convencer de que ninguém em Portugal está a tocar assim.

José CidPodemos dizer que, ali por volta dos anos 80, cantando em inglês, houve uma tentativa por parte do Zé de entrar nos mercados internacionais?
Eu gravei um álbum em inglês em Paris. Eu produzi o "My Music". O álbum é muito bom porque não é cantado em "inglesyou" como agora muitos portugueses cantam. Pensam que estão a cantar em inglês e não estão. O álbum foi escrito por um inglês e musicalmente era meu. O facto de ter sido escrito poeticamente por um inglês faz toda a diferença. Depois entreguei esse álbum a um amigo meu americano que partilhou o álbum com um produtor americano ainda em cassete até que esse mesmo produtor, o Mike Gold que era produtor também do Frank Sinatra entrega mais tarde a gravação ao Robert Nargassams. Um dia o Robert Nargassams veio no seu avião particular e aterrou no Porto, de onde me ligou e disse-me: "está sentado?", ao que lhe respondi que sim. Foi nesse momento que ele me disse que a Sony americana tinha aceitado o meu projeto. Ele disse-me que os 4 temas que ele tinha com ele tinham sido aceites musicalmente pela Sony Americana. Eu nem queria acreditar. Quando foi a segunda reunião, as coisas não avançaram porque nessa altura eu já tinha cinquenta e poucos anos e a Sony só aceitava contratar artistas com menos de trinta. Era uma regra, era um estatuto. Eles ouviram a minha voz, era na opinião deles uma voz jovem e pensavam que eu era tão jovem como a voz que tinham ouvido. Foi só por isto que eu não gravei.

Quem conhecer bem a carreira do Zé verifica que interpreta uma diversidade tão grande de géneros musicais que muitas vezes se questiona se existiu de alguma forma uma estratégia para abraçar vários públicos... O Zé cantou o "10000 anos..." mas também cantou a "Portuguesa Bonita", também cantou fado... Isso nunca foi estratégia da sua parte?
Não. Eu canto o que escrevo e o que escrevo é assim. Uns dias acordo cosmonauta, outros dias acordo camionista mas não deixo de ser eu. Eu sou muito camaleão a escrever. Canto "descomplexadamente" aquilo que escrevo.

Considera que a década de 90 o penalizou por não ter sido entendido isso?
Na década de 90 escrevi alguns dos melhores álbuns da minha vida só que não fui mediático. Não estava numa editora de primeiro plano. Mas escrevi álbuns brutais. Podemos começar logo pelo primeiro "Camões, as Descobertas e Nós" que é um álbum fabuloso com o Pedro Caldeira Cabral, Carlos do Carmo, o Jorge Palma. Gravei também "Ode a Frederico Garcia Lorca", um álbum só com guitarra de Coimbra e que ficou muito bom. Gravei o álbum "Cais Sodré" que é um álbum jazzístico que surpreendeu até os "donos do jazz" cá em Portugal (risos).Gravei também nessa década "Pelos Direitos do Homem", um álbum que reverteu na íntegra a favor da causa Timorense. Portanto gravei álbuns bons mas não foram mediáticos porque não eram muito comerciais. O sonho não vende. No entanto, de repente, nos anos 2004 e 2005 começo a ver as novas gerações de jovens a virem atrás de mim e da minha música e a pouco e pouco fui consolidando isso com grandes concertos. Sim, porque eu sou um cantor "ao vivo". Há uma grande diferença entre ter um bom disco e ser –se um bom cantor ao vivo. Posso dar o exemplo daqui de Anadia. Todos os anos vêm aqui artistas que são pagos pela Câmara Municipal de Anadia e que são um autêntico fracasso ao vivo. Vou lembrar por exemplo a Dulce Pontes que foi uma desgraça aqui em Anadia e o Rui Veloso que foi um desastre aqui em Anadia. Uma coisa é um grande disco que se faz num estúdio, outra coisa é cantá-lo bem ao vivo. A diferença que eu marco reside aí. Corro inúmeros palcos pelo país e sinto isso. Por exemplo, ainda ontem fui tocar ao Fundão, terra da Amália, até ia com um certo receio... "vou tocar na terra da Amália..." Tive um pavilhão cheio e arrasei. José CidDediquei um tema à Amália na abertura do concerto. Um tema que escrevi para ela e que ela nunca gravou. É um tema que toda a gente conhece e chama-se "A rosa que te dei". A Amália teve este tema e o "Junto à Lareira" dois anos numa gaveta e não os gravou. Pediu-me, eu entreguei-lhe os temas e ela nunca os gravou. Nunca mais tive resposta e também não lha dei porque no dia em que decidi gravar as músicas nem lhe disse água vai nem água vem. Gravei e foram os sucessos que foram.

A pergunta anterior surgiu porque sabemos que em 1994 o Zé se revoltou mesmo contra o facto de as rádios portuguesas não passarem música portuguesa...
Não passavam as músicas portuguesas e passaram a adotar um sistema americano que é perfeitamente utópico cá para Portugal e que consiste em não dizer o nome dos autores, não dizer o nome dos cantores e não dizer mais nada. Escolhiam um tema dum álbum que é o tema que eles queriam para passar numa playlist que é perfeitamente utópica e que destrói as próprias canções. Houve muitas canções que passaram na altura na rádio e que já não se podiam ouvir porque passavam todos os dias à mesma hora e isso era mau para as canções e para os seus autores.

Isso mudou? O que sente acerca disto em 2014?
Eu nessa altura fiz um "braço de ferro" com as rádios e acabo por passar pouco nas rádios. Talvez por isso e por ir pouco à televisão e quando vou tento sempre cantar em direto, é que tenho tantas pessoas a quererem ver-me ao vivo. A rádio é uma arma com dois gumes porque também pode destruir canções e destruir artistas.

Podemos dizer que o grande ressurgimento do José Cid tem início com o concerto que deu no Maxime em 2006?
Talvez, mas para mim o espetáculo nem correu nada bem. Para as pessoas correu lindamente mas para mim nem por isso. Eu vinha de Espanha de um evento de Jazz e trazia a voz muito "fanadita" e depois estava ali só com aquele piano mas mesmo assim fiz um êxito imenso. As pessoas queriam ver-me, tinham saudades das canções, as novas gerações conheciam as minhas canções muito pela rama e a partir daí começaram a seguir-me mais de perto. Tive entretanto duas canções que fizeram sucesso, o que também ajudou. Espero que agora o "Menino Prodígio" também seja assim tão bem recebido.

José Cid Menino Prodígio"Menino Prodígio" é o próximo álbum?
Sim. É um álbum muito rockeiro. É um álbum que também tem baladas mas as próprias baladas também são rockeiras.

O mundo do disco mudou. Muitos dizem que o disco morreu...
O disco morreu mas eu considero que o disco físico é sempre um documento fundamental. O CD físico é fundamental. Esta coisa de uma música numa plataforma na internet não contém toda a informação. As pessoas querem saber quem é que escreveu a música. O CD físico é um documento fundamental que poderá ter uma ou outra música mais mediática mas quem gosta de música vai sempre ouvir o CD, ou o vinil na sua totalidade.

Projetos para o futuro...
Bem, agora na passagem de ano, irei tocar em Lisboa, na Praça do Comércio, das dez à meia-noite. Depois tenho que começar rapidamente a campanha do meu novo disco "Menino Prodígio". Vou também fazer uma digressão "voz e piano" pelos auditórios.

Muito obrigado por esta conversa que proporcionou aqui em sua casa. Para terminarmos, pode deixar alguns conselhos para os jovens músicos, numa altura em que se diz que já não se fazem carreiras?
Não se fazem carreiras porque estes "novos artistas" querem ser estrelas sem aprender música e sem aprender poesia. Como não aprendem boa poesia nem a leem, não a fazem porque não a escrevem. Agora ainda temos mais uma machadada na pouca boa poesia que ainda se ia fazendo em Portugal que tem a ver com a invasão da música africana com letras deprimentes. Não há nada pior do que ouvir letras das músicas africanas sejam de cantores ou de cantoras. Não há um, quer dizer, há um que foge a isto mas que não se ouve que é o Waldemar Bastos, o resto não se aguenta. A música angolana que anda aí a saltar para cima de nós é autêntico lixo poético. Mas as rádios passam (risos).

José Cid

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