Musicverb. Entrevista a Rui Santos Couto e Beatriz Cardoso.

Musicverb Rui Santos Couto e Beatriz CardosoFomos ao Porto, mais precisamente ao Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), ao encontro de dois jovens empreendedores que resolveram colocar a sua experiência ao serviço de uma plataforma online que ambiciona revolucionar o mercado da organização de eventos. Rui Santos Couto e Beatriz Cardoso receberam-nos nas instalações da Musicverb para uma entrevista que durou aproximadamente uma hora. A Musicverb assume-se como o primeiro sistema de recomendação inteligente que auxilia os promotores de eventos no sentido de encontrarem os artistas que melhor se adequam aos seus projetos. Dizem mesmo ser "um assistente de luxo para artistas e agentes". A Musicverb recebeu recentemente a visita do Presidente da República, num ato que procurou mostrar o projeto como bom exemplo que representa enquanto empresa jovem, inovadora e com imenso potencial de crescimento.

Rui e Beatriz, queremos em primeiro lugar agradecer o facto de nos receberem nas vossas instalações aqui no UPTEC. Falem-nos então um pouco deste projeto e de como tudo começou...
O projeto é o resultado de toda a nossa experiência. Vimos da parte da organização de eventos, já fizemos quase de tudo na área da música, desde música enquanto músicos, até gerir eventos musicais, que é uma coisa que fazemos há muitos anos. Fazemos parte da equipa que organiza um festival chamado "Harmos", e fizemos agenciamento de muitos projetos em Portugal, desde o Quarteto de Cordas de Matosinhos até aos Papercuts, uma banda de pop experimental com uma carreira internacional), que já tocou desde a Sérvia aos EUA. Trabalhámos com esses artistas todos durante um longo período de tempo, sempre com a expectativa de perceber até que ponto a tecnologia poderia ajudar a indústria a melhorar, a fazer mais ou fazer aquilo que se faz hoje de uma forma menos esforçada, porque há tarefas dentro da indústria para quem gere eventos ou para quem faz agenciamento que são árduas de fazer... São tarefas que ocupam muito mais tempo do que, se calhar, hoje faz sentido, com tantas hipóteses (respostas) do ponto de vista tecnológico. Só que, normalmente, essas soluções ou são muito genéricas, ou são muito específicas para outras indústrias que não para a música, que é a coisa em que ninguém mexe, do ponto de vista da gestão de eventos. Se perguntarmos hoje o que é que utiliza a esmagadora maioria dos gestores de eventos em qualquer parte do mundo, concluímos que são ferramentas que a internet acabou por lhes fornecer que não são pré-históricas mas quase. Falamos de folha de cálculo, o e-mail convencional, uma agenda, tudo coisas que estão muito pouco interligadas, em primeiro lugar, e estão muito pouco ligadas aos outros! A internet é tudo menos isso, as ferramentas estão todas ligadas umas às outras e ligadas às outras pessoas (quando eu faço qualquer coisa é do conhecimento de toda a gente que está a trabalhar comigo!...).

Musicverb Rui Santos CoutoEntão a vossa proposta é facilitar a interligação de todas essas ferramentas que dizem pré-históricas numa só plataforma?
Ao longo do tempo começámos a perceber, não só como músicos, mas também como agentes e como gestores de eventos, em todos os campos, uma vez que estávamos em quase todos ao mesmo tempo, que em primeiro lugar existe uma grande dificuldade para quem gere eventos em manter toda a informação organizada, não só do ponto de vista do orçamento, mas também no ponto de vista da comunicação de todos os outros interessados no trabalho que eu estou a fazer, e em particular com as agências ou com os artistas. Em suma, eu estou a organizar um festival ou uma noite de concertos e desde o momento que tenho que escolher o artista, e isso é uma tarefa relativamente tranquila para quem faz uma vez por ano mas para quem está sempre a fazer, ou tem que fazer muito para um evento só não é assim tão linear, ou seja, o design da programação é uma arte em si mesmo, e por isso a forma como nós organizámos isto dá trabalho e não existia nenhum tipo de ferramenta que permitisse fazer isso de uma forma intuitiva. A quantidade de decisões que temos que tomar até adotar a decisão final pelo artista A ou B, é considerável. Começa logo pela disponibilidade, pelo cachet, pela complexidade técnica da execução do espetáculo, do concerto... A nossa experiência já nos fez perceber isto pois já fizemos, dentro da área da música, da Música Clássica até ao Rock & Roll, passando pelas instalações sonoras, arte conceptual, etc... Hoje isto é feito através de ferramentas ditas convencionais (o e-mail já é uma ferramenta convencional), mas eu também tenho que pedir essa informação; imaginemos: ou o agente me envia logo de imediato o rider técnico, que não é assim tão regular quanto isso pois normalmente só numa segunda fase é que estes desenvolvimentos acontecem, mas nós enquanto organizadores de eventos a primeira necessidade que temos quando recebemos a proposta é de saber qual é o rider logo a seguir, o rider faz parte do contrato, é o caderno de encargos, e aquilo com o que nos vamos comprometer, desde o Hotel onde o artista vai dormir até o microfone que vai utilizar, tudo tem custos e às vezes são estes custos que são mais difíceis de avaliar... mas temos que os pedir para perceber qual o reflexo que vão ter no evento que estou a organizar... do lado do agente também é difícil porque eu quero agora, mas vou ter que chegar ao computador, e às vezes perde-se uma hora, duas horas nisto, até uma tarde inteira e só se envia no dia seguinte... E nós sentíamos isto. Porque é que eu não tenho isto tudo num sítio só (também posso deixar na dropbox e depois partilho, mas a dropbox é só mais uma coisa que eu estou a juntar aqui à folha de cálculo e ao e-mail). Então decidimos fazer isto, totalmente afinado para quem trabalha neste âmbito, e criar uma solução para, desde que eu tenho que selecionar qual é o artista até à gestão de logística no fim: confirmar artista, hora a que chega, hora a que faz o check-in no Hotel, quando monta e faz o sound-check, gerir isto de uma ponta a outra. Uma espécie de non-stop shopping onde qualquer profissional que organiza eventos ou qualquer profissional que é agente ou que é artista pode chegar lá e à medida que vai trabalhando, está a comunicar com toda agente interessada naquele assunto.

Vocês são então o elo de ligação entre o agente e o organizador de eventos?
Sim mas, não só do ponto de vista comercial, ou seja, de eu pedir uma proposta, receber uma proposta e fechar uma proposta mas também do ponto de vista da gestão. Por isso é que dizemos que somos uma plataforma de gestão da música ao vivo.

MusicverbPodem dar um exemplo?
Sim, claro. Vamos imaginar que sou o organizador de um festival e quero fazer um festival de rock com artistas nacionais e internacionais. Em primeiro lugar, penso que vou fazer no fim de semana X. Há coisas que vou fazer offline, ou seja, escolha do recinto para o evento... depois disso vou determinar uma data e vou começar a sondar o mercado. Digo por exemplo que é no dia 10 de dezembro em tal lugar. Quero um artista às 18:00h de rock, às 19:00 um grupo de rock progressivo e um artista às 22:00h de pop rock. Defino então internamente os estilos e os horários, ou seja, aquilo a que costumamos chamar o line up que contém horários e requisitos. A partir deste momento a Musicverb já recomenda coisas. A Musicverb já diz: "Tendo em conta a tua localização, o teu orçamento e aquilo que estás a fazer, estes artistas estão disponíveis e são apropriados para o que pretendes".

Mas vocês já tiveram então um contacto prévio com os agentes desses artistas?
Nós temos toda essa informação organizada. Por exemplo, nós podemos dizer que determinada banda de rock inglesa está em Madrid dois dias antes, logo, do ponto de vista logístico, isso pode ser interessante para a organização. Nós mapeamos as tournées geograficamente, nós georreferenciamos tudo. Se o organizador de eventos quiser saber por onde vai andar a tocar determinado artista ou banda nos próximos meses, através do Musicverb pode saber e pode perceber que até existe um buraco na agenda que permite a vinda do artista ou banda a Portugal.

Mas de que forma é que o organizador de eventos tem acesso à plataforma Musicverb? O acesso à Musicverb implica algum custo?
Tanto para agentes como para organizadores de eventos, existe sempre uma versão gratuita. Isto para uma situação em que eu sou agente e tenho um artista ou sou organizador de eventos e só organizo um evento por ano. Nesta versão básica não consigo fazer muita coisa. À medida que vou conseguindo fazer mais coisas e que consigo tirar mais partido desta tecnologia, nesse caso, a Musicverb passa a ser um serviço por subscrição que andará à volta de 20 euros por projeto por mês. Isto significa que uma grande agência, que normalmente em Portugal tem 10 ou 15 artistas, pode utilizar um sistema muito avançado de gestão por mil e qualquer coisa euros por ano... Se tivermos em conta o retorno que podem obter e as funcionalidades da plataforma, esses mil e qualquer coisa euros por ano diluem-se rapidamente nas despesas. Temos que ter em conta que a poupança que a agência vai ter em termos de produtividade, de poupança de recursos vai tornar o investimento algo muito residual. Para quem organiza eventos tanto melhor pois tem ali toda a inteligência, associada ao ato de programar o evento para que o concerto aconteça, centralizada. Tudo isto numa perspetiva colaborativa pois posso ter uma agência com vários agentes e com vários artistas alocados a diferentes agentes... posso ser um organizador de eventos que trabalha numa equipa mais alargada em que as pessoas têm acesso a informação dentro daquilo que estou a organizar... Portanto, é isto que a Musicverb faz. Desde o momento em que eu preciso de selecionar o artista até à gestão da logística, do orçamento e de todas essas variantes que estão implícitas no ato de gerir eventos musicais, a Musicverb dá uma resposta do ponto de vista tecnológico a quase todas elas.

No âmbito da comunicação, vocês também apoiam quem está a organizar o evento?
Todos os eventos que são criados através da Musicverb são públicos a partir do momento que o utilizador, ou seja o organizador dos eventos, decidir que estes podem ser tornados públicos. Portanto, a Musicverb é também um canal onde se podem consultar informações sobre o evento, ou seja, que bandas estão confirmadas, quando e onde vão tocar, etc. Sabendo quais as bandas que estão confirmadas poderão ir ao perfil dessas bandas e ver os seus vídeos... Isto é público no site.

Musicverb Rui Santos CoutoEntão qualquer pessoa pode consultar essa informação?
Quando uma pessoa entra em www.musicverb.com e se regista pela primeira vez, o nosso sistema não assume ninguém como sendo o que quer que seja. São portanto utilizadores. São pessoas que gostam de música, que trabalham com música e que se registaram. Isto quer dizer que qualquer pessoa pode criar um evento e criar um artista. Eu posso ser músico, ser agente e organizar eventos..., tudo ao mesmo tempo. Ao longo do tempo fomo-nos apercebendo que esta realidade existe. Quantos músicos não são agentes de si próprios? Quantos músicos não organizam às vezes os seus próprios concertos? Logo, criámos um sistema que não é estanque à partida. A partir do momento que um utilizador se regista como artista, partimos do princípio que é um músico ou um agente. Depois é que o utilizador vai clarificar se é músico ou agente daquele projeto. A partir do momento que o utilizador cria um evento, passa a ser um organizador de eventos para o sistema. Se não criou um evento, se não criou um artista, é um utilizador que consulta a plataforma para ouvir música ou para consultar perfis de artistas... Mesmo que um utilizador crie um evento, nada o impede de criar uma banda posteriormente. Do ponto de vista da usabilidade fazia-nos muita confusão que se tivesse que estar constantemente a mudar de personalidade dentro do sistema. Encaramos artistas e eventos como projetos e temos uma área para que se possam gerir esses projetos. Temos uma aplicação de booking e, sempre que é criado um artista novo, este passa a fazer parte desse projeto. Assim, consegue gerir os projetos na zona dos projetos, desde o nome dos projetos até ao link... porque qualquer artista que esteja registado na Musicverb, a partir do momento do registo passa a ter um link. Por exemplo o artista "abc" registou-se e sempre que alguém quiser organizar um evento com esse artista poderá consultar o link "www.musicverb.com/abc". Passa então a ter um ponto de venda privilegiadíssimo porque está lá todo o tipo de informação desde um vídeo de um concerto, a listagem dos próximos concertos e dos concertos que passaram... Neste sentido, a Musicverb é muito para profissionais, não sendo o nosso forte o público final, o que não quer dizer que o público final não venha a ter um papel importante na Musicverb. De qualquer forma tínhamos que começar por algum lado e começámos por aqueles que podem usufruir melhor de toda esta tecnologia que pode beneficiar a música e os músicos porque no princípio e no fim da linha serão os maiores beneficiados por toda esta dinâmica que é criada através da plataforma.

Toda esta informação que a Musicverb tem relativamente ao trabalho dos artistas incluindo os locais por onde passam, é alimentada pelos artistas e pelas agências ou existe algum trabalho da vossa parte para recolha de tanta informação?
Os nossos dados são oriundos de fontes da internet. Hoje é possível procurar milhares e milhares de artistas que posteriormente reclamam pelos seus perfis. Por exemplo, eu sou o artista "A" e vejo o meu perfil na Musicverb porque eles já o têm lá pois recolheram essa informação da internet através do YouTube, da Wikipedia ou até da Freebase que é uma base de dados enorme que foi adquirida pela Google. (Nós trabalhamos e tratamos toda essa informação de maneira a entrega-la da melhor maneira a quem organiza eventos). Assim, eu posso reclamar dizendo que "este artista sou eu" ou a agência pode reclamar dizendo "eu sou o agente deste artista" e editar os conteúdos. A partir desse momento poderá continuar a editá-los, desde o vídeo até à listagem de concertos até à própria nota biográfica. Depois há dados muito interessantes de que nos fomos apercebendo enquanto éramos agentes... Uma das coisas que percebíamos quando nos sentávamos enquanto organizadores de eventos com vereadores de pelouros da cultura de câmaras municipais, até organizadores de festivais, etc. é que, por exemplo, relativamente às biografias, não havia um standard. Havia biografias com 200 caracteres e outras com 2000... os riders técnicos não são tipificados. A lista de vias, em todos os riders técnicos é diferente, ou seja, nunca estão na mesma página, não é que haja muita diferença na forma como as vias são listadas, ou onde está a marca da mesa de mistura. A informação é a mesma mas colocada por ordens diferentes. Uma das coisas que a Musicverb está a importar é uma tipificação de como os riders técnicos são apresentados. Para a informação ser comparável, eu tenho que uniformizar. Quando um diretor técnico recebe os riders técnicos de acordo com o que a Musicverb criou, recebe um rider técnico todo feito em lista, tendo esta forma sido estudada com pessoas que vêm da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, ou sejam, pessoas com muitas provas dadas na área da produção e tecnologias da música. O desafio foi transformar um rider que habitualmente vem em texto com muita informação, em algo mais simples por itens. Desta forma, qualquer técnico poderá comparar facilmente dois riders técnicos de dois projetos diferentes.

MusicverbHá quanto tempo estão online?
Desde junho. Em processo de produção, desde outubro do ano passado.
A nossa história é relativamente engraçada porque os fundadores não são engenheiros, ou seja, estamos a fazer tecnologia e não somos engenheiros. Somos organizadores de eventos avançados (risos). Já fizemos coisas enormíssimas com orçamentos gigantes... Gigantes no sentido de que tivemos que gerir eventos com orçamentos de meio milhão de euros. Tudo é gerido ao cêntimo, ou seja, tínhamos muita experiência nisso, até do ponto de vista de quem dá aulas e ensina coisas às pessoas. Tivemos sempre a ideia de como as coisas se faziam e de como poderiam ser feitas. Então colocámos a questão: E se existisse tecnologia para esta área? Já trazíamos também alguma experiência no âmbito da gestão de marcas, e mesmo na área da criação de websites, logo a tecnologia não era para nós totalmente desconhecida, nem as linguagens de como as coisas são feitas. Talvez por isso é que despertámos para a ideia de "fazer" e não de "mandar fazer". Esta era aliás uma questão que nos colocavam no início: Então como vão fazer? Vão comprar? Assim, no início do ano passado, tomámos a decisão de nos candidatarmos a uma coisa que se chama Laboratório de Gestão de Projetos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e que consiste num grupo de alunos do mestrado de engenharia informática que trabalham com as empresas para desenvolver um produto ou um protótipo de qualquer coisa em que estas estejam a trabalhar ou que queiram vir a trabalhar. Nós fomos lá, candidatámo-nos, ganhámos esse programa concorrendo juntamente com outras empresas do grupo Sonae, Deloit e outras software houses aqui do Porto... Na altura ainda nem estávamos aqui. Estávamos no polo de Indústrias Criativas. Depois migrámos para aqui para o tecnológico. Vínhamos de um escritório com 16 metros quadrados, até dizíamos que éramos a empresa com mais criatividade por metro quadrado (risos). Aquilo para nós foi uma prova a todos os níveis. Tínhamos uma enorme quantidade de ideias e de coisas para debitar a engenheiros. Eles vêm as coisas de maneira diferente. Para nós tudo parecia exequível... Percebemos que qualquer coisa que se queira fazer em tecnologia não se faz num bocadinho. Durante aqueles meses em que lá estivemos, em que quase que tínhamos uma vida dupla, pois estávamos a testar aquilo e a trabalhar na gestão e organização de eventos, tudo ao mesmo tempo... Grande parte daquilo que viemos a ser em termos tecnológicos foi feito nessa altura. Depois convidámos aqueles engenheiros a ficarem connosco numa espécie de estágio de verão, coisa que nunca tinha acontecido, tendo eles ficado connosco até o final de agosto do ano passado. Em setembro fizemos contas e pensámos como a coisa poderia continuar a evoluir e decidimos começar. Pegámos no que estava feito, averiguámos o que é que funcionava e o que é que não funcionava, testámos muitos modelos de negócio, ou seja, vimos onde íamos gastar dinheiro e onde o poderíamos recuperar. Fizemos uma avaliação do mercado, dimensionando o nosso mercado vendo que outras coisas existiam na mesma área... Assim, no ano passado, em outubro, já tínhamos contratado o Tiago, depois veio a Sílvia e ainda temos mais uma ou duas pessoas sénior que trabalham connosco com alguma regularidade. De outubro do ano passado a março deste ano estivemos a desenvolver toda a coleção de dados pois tivemos que decidir se começávamos com uma base vazia à espera de que se viessem registar ou se investíamos em tempo de produção em colecionar dados. Optámos pela segunda. Esta veio a mostrar-se a decisão certa. Chegamos a ter um tempo médio de permanência no site de 15 minutos pois lá as pessoas podem ver um concerto completo. Isto para nós é fundamental pois a partir do momento que a internet compete pelo tempo dos utilizadores, cada minuto que as pessoas passam no FaceBook ou no YouTube, é menos um minuto que passam connosco. Estivemos então a trabalhar nos dados e a testar isso com utilizadores que se iam pré-registando nesse período. Em junho abrimos o site ao público. Agora estamos a trabalhar na parte que monetiza, ou seja, que faz negócio em cima dos dados. E o que faz negócio em cima dos dados é software de gestão. Outubro é o mês em que lançaremos o resultado deste trabalho que temos vindo a desenvolver. Vamos fazê-lo em Espanha, mais propriamente na WOMEX em Santiago de Compostela que é dos maiores eventos mundiais de "world music". Lá vamos estar com agências e organizadores de festivais do mundo inteiro.

Qual o feedback que têm vindo a obter relativamente à ideia em si?
O maior feedback relativamente ao que estamos a fazer é tem a ver com o facto de se perceber claramente que nós vínhamos da área. A plataforma reflete tudo isso. Aquilo que estamos a fazer não é para nós mas se outros estivessem a fazê-lo, nós possivelmente íamos usar. Isto faz com que sejamos bastante autocríticos.

Musicverb Rui Santos Couto e Beatriz CardosoToda esta rede que vocês se propõem criar, contempla também o mundo das editoras discográficas?

Ainda não. Nós focámo-nos muito no "Ao Vivo". A Musicverb surge muito como consequência das grandes mudanças que têm surgido no mercado da música. Tudo o que não é música ao vivo é rapidamente absorvido pela tecnologia pois é fácil de transacionar, pois posso comprar um disco, uma faixa, um acesso... Havia ainda as grandes etiquetas como a Universal Music, a Sony... A música ao vivo, só há meia dúzia de anos é que começou a ser transacionável com o aparecimento de empresas cotadas na bolsa inclusive. Isto não existia antes. Enquanto a indústria discográfica caía para metade dos ganhos todos os anos, a música ao vivo disparava e começavam-se a ver tournées com as "Madonas"... essa malta teve toda que voltar aos concertos porque os discos acabaram!! Houve várias mudanças. Os espetáculos hoje, do ponto de vista tecnológico, também se tornaram muito mais portáteis. Hoje há mais bandas, há mais música porque também é mais fácil criar. Posso ter um estúdio em casa e colocar logo online para que os fãs fiquem a saber... Antigamente havia talento mas o sucesso era fabricado. Hoje a triagem é feita pelo público. Antigamente podiam-se gastar milhares em produção e ter estúdios em castelos porque o retorno da venda de discos era megalómano. As editoras podiam dar-se ao luxo de patrocinar tournées porque o que contava era vender discos. Hoje não há nada disso.
A Musicverb é uma plataforma de gestão. Se antigamente se faziam catálogos impressos com listas de artistas, onde eu tinha que tirar os números de telefones para criar a minha própria base de dados, hoje nós podemos disponibilizar tudo online e possibilitar o contacto imediato com o agente ou com o artista, ou ainda com os organizadores de eventos.

Vamos ter novidades vossas para breve?
Em outubro a Booking App estará a funcionar. Vamos ter alterações na interface embora esta continue minimalista pois não temos medo dos espaços em branco, irá possibilitar aos subscritores verem os eventos e as propostas que entram. Já vão poder fazer propostas aos artistas. Prevê-se que nas próximas semanas aumente o número de agentes e artistas a reclamarem os seus perfis. Assim, nos próximos tempos adivinha-se muito trabalho, principalmente no que diz respeito à verificação de identidade. É importante que se diga isto. Todos os utilizadores que reclamam os seus perfis são verificados num processo que será semiautomático. Assim, não entregaremos o artista "A" ao agente errado pois verificaremos sempre a identidade. Toda a informação que é cedida à Musicverb é confidencial. Nós não vendemos dados, não partilhamos dados, não cedemos absolutamente nada sem a autorização prévia e muito clara e evidente dos utilizadores. Só com um sistema altamente confiável é que podemos ter pessoas a aderir ao Musicverb.

Quantos perfis têm já na vossa base de dados?
500.000. Temos meio milhão de perfis auto gerados. Desde Madona à Rapariga Eléctira. Temos também perfis de tributo de artistas que já não existem ou de projetos que já não tocam.

Muito obrigado e boa sorte!
Obrigado e sucesso também para vocês.

Musicverb

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