Iúri Oliveira. Percussão vs. Percurso(s)...

Iuri OliveiraMuito cedo iniciou um percurso que subsiste até hoje. Diz-nos ter sido muito influenciado pelo seu pai e pela música que este ouvia. Aos 14 anos já desenvolvia o seu primeiro projeto a solo. A sua principal característica reside na versatilidade. Esta foi conquistada com esforço e dedicação ao estudo dos vários géneros e estilos musicais. Em Londres tocou na Banda de Marcus "Santana" Raimundo, Tribo Band atuando em casas e festivais, como Guanabara, Nothing Hill Hot Club, Hotanani, Made in Brazil, entre outros. Em 2009, foi convidado como Sideman do artista Internacional Nick Garrie participando numa das suas tournées em Portugal. O XpressingMusic quis saber mais sobre este percussionista e partilhá-lo com os seus leitores.

XpressingMusic (XM) – Iúri, muito obrigado por se disponibilizar para esta entrevista. É verdade que foi aos 14 anos que tudo começou? Quais eram as suas influências musicais nessa época?
Iúri Oliveira (IO) – Eu é que agradeço!
Na verdade tudo começou ainda antes, quando aos meus 7 anos de idade me ofereceram o meu 1º Djembé, o que me permitiu estimular e explorar o "bichinho" que já na altura nutria dentro de mim. Mas, foi realmente com 14 anos que iniciei o meu primeiro projecto enquanto percussionista. Na altura, apesar do meu conhecimento ser limitado e as fontes não serem de tão fácil acesso quanto nos dias de hoje, sempre procurei ampliar esse conhecimento com a intenção de evoluir cada vez mais. A minha primeira grande influência foi a Percussão Mandinga (Tradicional africana), e com o aperfeiçoamento desta, cresceu o meu interesse em conhecer novos estilos e influências.

XM – Enquanto percussionista dedica-se a estilos tão diversos que vão da World Music, passando pelo POP, Latin Jazz, Africana, Música Brasileira, até à Música Ligeira. É esta versatilidade que faz do Iúri um músico tão requisitado?
IO – A música é um Mundo onde existe sempre algo mais a aprender. Enquanto músico percussionista, o meu grande objetivo, mais do que ser requisitado, é sempre o de aumentar os meus conhecimentos, evoluir a nível musical e contribuir de forma enriquecedora para os projectos nos quais me envolvo.

Iuri OliveiraXM – Como surgiu a oportunidade de trabalhar com Nick Garrie? Em que é que consistiu esse trabalho?
IO – Essa oportunidade surgiu através de um amigo e grande músico baterista, António "Tó" Freitas que por sua vez nos apresentou. Entretanto Nick Garrie fez-me o convite irrecusável de participar na sua tour em Portugal, o que se refletiu numa experiência bastante gratificante e enriquecedora

XM – Quando, como e porquê sentiu necessidade de ir estudar para a escola de bateria e percussão de Londres - The Rhythm Studio | London School Of Popular Music? Quais as principais mais-valias daí advindas? O facto de estar em Londres trouxe-lhe oportunidades que jamais teria tido em Portugal?
IO – A necessidade de querer aprender mais levou-me à procura de novos horizontes. Ter estudado com Marcus Raimundo "Santana", que foi um dos músicos dos "Timbalada" e "Olodum" e um grande artista de renome, foi uma mais-valia para mim. Viajar e a procura de algo fora de Portugal trouxe novas oportunidades, mas se não fosse a dedicação e espírito de sacrifício essas mesmas oportunidades ficariam reduzidas... São sempre experiências gratificantes e que, quase de certeza em Portugal não seria possível pois não teria tanta abertura.

XM – Sebastian Sheriff, Osvaldo Pegudo, Ruca Rebordão e Marito Marques são alguns dos nomes que passaram pelo seu percurso formativo. O que absorveu de cada um deles?
IO – Estes são alguns dos nomes de pessoas/músicos bastante importantes para mim com uma experiência e conhecimento enorme e dos quais tento ter estes mesmos como referências. De todos eles absorvi técnica, linguagens "grooves" e essência. Mas, mais que isso tudo, aprendi a respeitar, ainda mais, o conceito e o trabalho que um percussionista deve ter sempre em conta. O Sheriff, é um músico supercompleto e bastante cirúrgico e com uma sensibilidade muito boa, o Pegudo, um Cubano de peso, e no que toca à percussão Latina, é o TOP 1 em Portugal (para mim), O Ruca, é um músico com uma experiência infindável, uma pessoa bem preenchida e um músico com "cores" e influências, sem igual, o Marito Marques, é uma golfada de ar fresco no que toca a bateristas, pois tem influências bem variadas e um baterista que sabe funcionar bastante bem com um percussionista, (o que por vezes não é fácil).

XM – Em 2013, foi finalista e vencedor da Menção Honrosa na área da Percussão na 5ª Edição do Festival de Percussão e Bateria de Lavra. Isto permitiu-lhe partilhar o palco com Felipe Deniz, Mauro Ramos, Francisco Lima, Hugo Danin, e Gergo Borlai. Este é um dia que jamais esquecerá?
IO – É sempre bom ver e saber que o nosso trabalho é reconhecido. Fiquei bastante contente e guardo este momento assim como outros na minha memória de momentos especiais.

Iuri OliveiraXM – Recentemente esteve na Holanda a estudar na escola Drumdrumdrum do percussionista Roel Calliste. Sentia que faltava ainda algo para que se tornasse um percussionista mais completo? Quais os géneros que foi aprofundar?
IO – Na verdade eu nunca me sinto completo e esse sentimento alimenta a minha busca. Há sempre mais para aprender e o saber nunca ocupa lugar. Aprofundei um pouco mais da linguagem POP e World. O Roel Callister é um percussionista bastante interessante e com um trabalho e uma musicalidade incríveis. Foi uma experiência bastante útil e que nunca vou esquecer.

XM – Everaldo Cruz e Shirley Nunes são nomes internacionais que já foram acompanhados pelo Iúri. Sente que o seu nome é hoje em dia conhecido e respeitado no meio musical? Há um justo reconhecimento do seu trabalho, esforço e dedicação?
IO – Como já disse anteriormente, ser reconhecido é um reflexo de todo o meu trabalho dedicação e estudo. É importante fazer aquilo que se gosta e empreender um trabalho com consciência e humildade, tudo o resto são "frutos" que iremos colher. Da minha parte existe sempre trabalho, dedicação e bastante empenho.

XM – Em que projetos musicais se encontra envolvido atualmente? Fale-nos um pouco deles e das características que os distinguem...
IO – Neste momento estou a trabalhar com um trio bastante interessante de World Music – "Sal, Pimenta & Cacau." - Onde a exigência é grande a nível de trabalho rítmico mas, graças à cumplicidade dos músicos, tudo se torna mais simples. Os resultados têm sido muito bonitos.
Ao mesmo tempo tenho estado em estúdio a gravar o Álbum do António Cruz – TC. Tem sido um gozo enorme de acompanhar os "bounces" e toda a sua fusão e místicas que são refletidas na musicalidade deste Artista.
Outros projetos, tais como Strugglaz, são desafiantes pois já entram na fusão do Hip Hop, com Soul, Reggae e Funk.
Para além destes projetos, vou colaborando e fazendo outros trabalhos com vários artistas/músicos que solicitam um percussionista.

XM – Mais uma vez muito obrigado por nos ter dedicado um pouco do seu tempo. Para terminarmos gostaríamos que nos dissesse se tem novos projetos para breve. Pensa em gravar um disco seu onde a percussão assuma um papel de destaque?
IO – Tento ao máximo criar e deixar o meu cunho pessoal em todos os trabalhos. Penso que quando faço música e toco, não é apenas para músicos, mas sim para todo um conjunto de pessoas que nos quer ver e ouvir e é importante transmitir através do instrumento o que estamos a sentir no momento. Para isso também é importante o estudo e toda a envolvência na música. Gravar algo em que a percussão seja o "condimento" principal já pensei, mas sinto que ainda tenho que trabalhar mais... e um dia talvez quem sabe.

Iuri Oliveira

Fotos: Marta Sousa Pereira e Nuno Mendes

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