O Percussionista Bruno Estima em entrevista…

Bruno EstimaPela sua formação, passaram nomes como Pedro Carneiro, Miguel Bernat, Arthur Lipner, Conny Kadia, Alexandre Frazão, Denis Riedenger, Oliver Pelegri e Philippe Spiesser. Bruno Estima, que até iniciou a sua aprendizagem musical pelo piano, é hoje respeitado pelos seus pares e divide a sua vida entre a performance musical e a carreira docente. Fez e faz inúmeros workshops e já lecionou no Conservatório da JOBRA em Albergaria. Atualmente é professor na Escola de Artes da Bairrada e lidera o projeto CRASSH. Bruno Estima mantém também uma estreita colaboração com a Casa da Música cooperando com o Serviço Educativo.

XpressingMusic (XM) – Bruno Estima, muito obrigado por nos conceder esta entrevista. Quando entrou para o Conservatório de Música de Aveiro, o seu instrumento era o Piano... O que o levou a decidir mais tarde enveredar por uma carreira na área da percussão?
Bruno Estima (BE) – Foi um acaso feliz, na Escola profissional de Musica de Espinho na altura não havia piano e fui aconselhado a escolher Percussão. Foi o que fiz, e não me arrependo nada.

XM – Porque optou, na altura da mudança, pela Escola Profissional de Música de Espinho?
Bruno EstimaBE – Muito simples, na altura havia poucas escolhas no ensino profissional da música e a EPME era a mais próxima da minha residência.

XM – Mais tarde ingressa na Universidade de Aveiro, onde faz a licenciatura em Música (ensino de) Percussão. Houve algum ou alguns professores que o tenham marcado e influenciado de forma mais evidente durante esse processo formativo?
BE – Claramente o Prof. Paulo Maria Rodrigues.

XM – Ainda no âmbito da sua formação, trabalhou com nomes como Pedro Carneiro, Miguel Bernat, Arthur Lipner, Conny Kadia, Alexandre Frazão, Denis Riedenger, Oliver Pelegri e Philippe Spiesser. Sente que "bebeu" um pouco de todos eles? Essas aprendizagens estão sempre muito presentes na sua vida pessoal e profissional?
BE – Como em tudo na vida, considero que todas as experiências pelas quais passamos nos influenciam de alguma forma, naturalmente em alguns casos mais profundamente noutros menos, em alguns casos conscientemente, noutros talvez não.

XM – Em Março de 2001 ganhou a bolsa "Yamaha Scholarship Award 2001-Portugal". Foi importante para o Bruno receber esta bolsa?
BE – Sim, na altura foi um evento que me motivou bastante e que por outro lado soube a prémio não só pela competição em si mas pelo esforço que vinha a empregar ao estudo da Percussão do ponto de vista académico.

Bruno EstimaXM – ... Mas houve outros reconhecimentos ao longo da sua carreira... Pode falar-nos de alguns prémios que já tenha recebido enquanto baterista?
BE – Enquanto exclusivamente baterista, os prémios apareceram por intermédio da banda pop Chão Nosso da qual fiz parte durante alguns anos e portanto eram em primeiro lugar para o grupo em si.

XM – Paralelamente a uma carreira enquanto performer, tem mantido uma carreira docente. Em que instituições já lecionou? E atualmente, onde leciona?
BE – Leccionei no conservatório de música da JOBRA – Albergaria. Neste momento sou professor na Escola de Artes da Bairrada.

XM – Com tanto trabalho nestas duas frentes (performativa e docente) ainda lhe sobra tempo para fazer alguns workshops, não é verdade?
BE – Sim, os workshops são uma realidade bem presente, quer seja em nome individual ou através do projecto CRASSH e também pela/na Casa da Música.

XM – Desde o ano letivo 2005/2006 que tem vindo a ser professor orientador dos estágios da Licenciatura de Percussão da Universidade de Aveiro... Como é estar agora deste lado?
BE – Não acontece todos os anos, pois não terminam alunos todos os anos, mas quando acontece é um experiencia interessante e menos stressante que ser aluno.

XM – Sabemos que tem mantido uma estreita colaboração com a Casa da Música no Porto. Em que é que têm consistido essas colaborações e participações?
BE – Há alguns anos que faço parte da Equipa "Factor E" do Serviço Educativo da Casa da Musica. Tenho-o como um privilégio, poder fazer parte desta equipa dinâmica e criativa. Na prática a minha colaboração traduz-se na co-criação e lecionação de workshops para todos os públicos e como performer/co-autor de espectáculos do Serviço Educativo seja para público geral ou para bebés.

Bruno EstimaXM – A sua carreira tem sido recheada também de participações em orquestras e grupos... Pode levar-nos numa viagem por alguns desses grupos e orquestras com os quais já tocou?
BE – Nos meus primeiros 5 anos após acabar a licenciatura e como ainda andava à procura da minha "praia" toquei em todas as oportunidades que me apareciam, nomeadamente na Orquestra das Beiras, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica do Porto, etc... É uma forma, de estar na, e para a música, muito diferente da que tenho agora. Para mim, onde me encontro agora, é onde me identifico mais com o estar na música como profissão.

XM – Em 2003 iniciou um projeto pessoal chamado Beat2beat com o António Bastos. Ainda hoje mantém uma ligação profissional com o António Bastos?
BE – Sim o António Bastos para além de colega de curso e de trabalho é um Grande Amigo, como tal, acontecem sempre cruzamentos do ponto de vista profissional. O último foi o lançamento do primeiro Single "Sebaragunde" do projecto CRASSH que foi editado pela editora YOU PLUG ME do próprio António Bastos.

XM – Para além de músico, tem mostrado também uma veia de gestor de eventos organizando concursos de caixa e de bateria... Considera que este tipo de eventos faz falta aos músicos? O que o moveu a organizar estes concursos?
BE – Os concursos foram, enquanto estudava, algo que me atraía muito, porque com eles ganhava motivação extra para estudar. Como tal, eu acredito que estes eventos são positivos para quem está a estudar e geradores de objetivos, logo, potenciadores de estudo extra. Quando tive a oportunidade de organizar um, fi-lo e correu bem. Cresceu todas as edições e organizei até à 4ª edição. Mas entretanto tem sido difícil com a conjuntura económica do país conseguir as condições que considero mínimas por isso neste momento está no "congelador".

Bruno EstimaXM – "Bolling Quartet" e "Crassh" são projetos que nasceram do seu inconformismo e da vontade de mostrar o trabalho com os seus alunos. Fale-nos um pouco destes dois projetos...
BE – Bollling Quartet nasceu da dinâmica e boas sinergias que se vivem na Escola de Artes da Bairrada. Este projecto entretanto tomou outros caminhos e neste momento já não faço parte. CRASSH é o resultado de um jovem professor, e aqui sim, poderei usar o termo inconformista, pois acreditava e acredito que as aulas de conjunto podem ter outras facetas e sair das quatro paredes da sala de aula tentando voos mais altos. Os voos têm sido sempre em escala crescente com CRASSH. Têm crescido à medida das suas capacidades. Neste momento CRASSH é um projecto que mantém 70% do seu elenco inicial que entretanto se transformaram em músicos profissionais e que conta com participações em Capitais Europeias da Cultura e da Juventude, em Festivais Nacionais e Internacionais e com prémios nacionais e internacionais. Lançou-se este mês o primeiro single e a agenda está cheia. Está tudo a correr bem!

XM – Muito obrigado, mais uma vez, por nos ter dado esta entrevista. Para terminarmos, gostaríamos que nos dissesse quais os seus projetos para este ano de 2014 e se já tem alguns em mente para 2015...
BE – Em 2014 irei continuar a projetar CRASSH com força. Continuarei na Escola de Artes da Bairrada e, na Casa da Música e com o factor E irei ao Japão dar formação em Dezembro e Janeiro de 2015. Em 2015 já há datas para concertos. Entretanto regresso a Barcelona como formador e performer pela Casa da Música. Com CRASSH espero editar mais temas e internacionalizar ainda mais o projeto.

XM – Muito obrigado, Bruno!
BE – Obrigado XpressingMusic pelo convite e por gerarem conteúdo de interesse e darem voz a artistas nacionais. Grande Abraço

Bruno Estima

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