Entrevista a Vanessa Fernaud

Vanessa FernaudNasceu em Caracas, Venezuela e tem nacionalidade espanhola. Filha, do pianista e etnomusicólogo Álvaro Fernaud Palarea das Ilhas Canárias e da conhecida soprano Ana Fernaud, aos quatro anos começa a estudar piano e, aos nove, violoncelo. Atualmente é conhecida como uma pessoa cuidadosa, metódica e muito consciente. Tem gravado CD's e realizado concertos um pouco por todo o mundo. Em Dezembro tocou parte das suites de Bach e volta a tocá-las agora em Fevereiro em três concertos.

XpressingMusic (XM) – Vanessa, queremos, em primeiro lugar, agradecer-lhe o facto de ter aceitado este nosso convite. Os tempos vividos na Escola de Música Juan Manuel Olivares em Caracas e na Orquestra Nacional da juventude da Venezuela foram muito importantes para que tenha chegado até aqui? Foi a melhor forma de começar a sua aprendizagem musical?

Vanessa Fernaud (V.F.) – Olá. Antes de mais quero agradecer o vosso convite para esta entrevista.
Sim, realmente os meus estudos, primeiro com o meu pai que me iniciou no piano, e posteriormente na Escola de Música Juan Manuel Olivares, marcaram a minha vida. Também o tempo vivido na Orquestra Juvenil da Venezuela foi um grande estímulo durante o meu período de estudos em Caracas.
Sinceramente acho que tive muita sorte pela forma como iniciei a minha aprendizagem musical, com muitas oportunidades.

Vanessa FernaudXM – Ser filha de músicos tornou tudo mais fácil para a Vanessa? Na sua família não havia preconceitos quanto à profissão de músico...

V.F. – Sim, indiscutivelmente. Os meus pais apoiam absolutamente a minha decisão de continuar com uma vida de músico.

XM – Ter convivido de perto com nomes como Henry Szering, André Navarra, SimónBlech, Bruno Gelber, MartínImáz, Judith Jaimes, JuliusBerger, Leonard Rose, Maurice Hasson, José Francisco De el Castillo e Antonio De Racco marcaram muito a sua forma de ouvir, olhar, interpretar e comunicar através da música?

V.F. – Sim, absorvi deles o profundo amor e dedicação necessários para tocar um instrumento, e por outro lado o enorme respeito e rigor necessários para a música.

XM – Estudou música de câmara na Academia Nacional de Santa Cecília e violoncelo na Academia Chigiana de Siena com o mestre André Navarra. Ir para Roma foi um passo relevante para a Vanessa enquanto performer?

V.F. – Sim, claro que sim.

Vanessa FernaudXM – Mais tarde foi para Madrid, onde trabalhou sob a orientação do pianista e pedagogo argentino Racco Antonio. É verdade que considera Racco o professor mais importante do seu processo de aprendizagem e formação?

V.F. – Indiscutivelmente. Com De Racco aprendi a ver realmente a música como algo grandioso. Tecnicamente ele exigiu de mim o que ninguém ainda tinha exigido...
Eu seguia de perto todo o imenso repertório de sonatas para violoncelo que, com o passar do tempo, tive a felicidade de amadurecer, e fazer as minhas próprias interpretações.
Foi um pedagogo excepcional, com ideias claríssimas que inicialmente incutiu em mim, e que através dos seus ensinamentos, influenciou a forma como vejo e sinto a música.

XM – As suas interpretações têm conquistado prémios um pouco por toda a parte... Há alguns prémios que tenham tido um significado mais intenso para si? Pode falar-nos um pouco sobre eles?

V.F. – Todos, de alguma forma, têm sido muito importantes para mim, porque destacaram diferentes facetas minhas.
Aquele pelo qual maior responsabilidade senti, foi talvez o que me atribuiu a Organização dos Estados Americanos, OEA, por acreditarem em mim, nas minhas habilidades...

XM – E quanto a concertos e festivais... Há alguns que a tenham marcado de tal forma que ainda hoje os recorde como marcos da sua carreira?

V.F. – Sim: um concerto que fiz em Madrid que, devido ao seu sucesso, repeti como concerto extraordinário uma semana depois, com sonatas para violoncelo e piano de Beethoven.

XM – Ser convidada para tocar as sonatas para violoncelo e piano de Bach no "Ano de Bach", deve ter sido uma grande honra para a Vanessa... Foi o justo reconhecimento do seu real valor?

Vanessa FernaudV.F. – Claro, foi uma grande alegria para mim ter tido a oportunidade de fazer esses concertos e, de certa forma, tendo atingido algum reconhecimento ...

XM – Fale-nos agora um pouco das suas gravações... já são bastantes, entre CD's e programas de televisão... As gravações são para si uma possibilidade de refinar a sua autocritica relativamente ao que produz?

V.F. – Uff, as gravações ... aprender com elas o que não aprenderia se não as tivesse feito ...
Eu realmente gosto da enorme exigência que requerem; no entanto, depois de gravar, não as costumo ouvir nem ver novamente...

XM – Tem algum autor ou alguma obra preferida?

V.F. – Sim: as sonatas de Beethoven, e o concerto de Dvorak...

XM – Nota que tem havido uma grande evolução no ensino da música a nível mundial? Quais os aspetos que destaca como mais positivos nessa evolução?

V.F. – Depende do período a que nos refiramos...
Em geral, tecnicamente, a evolução tem sido enorme...

XM – Muito obrigado por nos ter dedicado um pouco do seu precioso tempo. Para terminarmos esta entrevista gostaríamos que nos dissesse se tem algum sonho que ainda não tenha concretizado...

V.F. – Na verdade, um dos meus sonhos que não vivi como tal, paradoxalmente falando, foi poder gravar as suites de Bach... No entanto, quando acordo todos os dias, eu tenho a sensação de o fazer para realizar um sonho... O violoncelo sempre à espera...

Vanessa Fernaud

J.S. Bach - Suite para Violoncello Solo Nº 2: Prelude

J.S. Bach - Suite para Violoncello Solo Nº 2: Sarabande

J.S. Bach - Suite para Violoncello Solo Nº 3: Allemande

J.S. Bach - Suite para Violoncello Solo Nº 5: Gigue

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