Emmy Curl, o seu universo único, e a forma transversal como as artes perpassam a sua música…

emmy Curl

A paixão e apego que tem à sua terra natal não impediu Emmy Curl de querer voar mais além. A Emmy tem aquilo que qualquer artista ambiciona mas que não é fácil. Há coisas que embora não sejam inatas emanam da formação pessoal que se obtém no seio da família. O universo próprio bem concebido do princípio ao fim não está certamente dissociado do facto de ter crescido numa família dada às artes. Isto permitiu e permite que Emmy Curl dê cor, e vida própria a tudo o que produz. Chamar somente música ao que faz pode parecer redutor quando, de uma forma plenamente integrada, vislumbramos a fotografia, as artes plásticas, a moda e, obviamente, a música serem transformadas em textura artística. Emmy Curl dá sentido àquilo que chamamos as expressões artísticas integradas.

Queremos começar por agradecer este tempo que que agora dedica aos leitores do XpressingMusic. Gostaríamos de começar por lhe perguntar se se recorda da primeira vez em que sentiu que a sua vida poderia passar por uma carreira ligada à música.
Eu é que agradeço! Ora desde pequenina que quis ser cantora, acho que nasci já a saber o meu destino, pois lembro-me que quando me tentavam desviar daquilo que queria a minha atitude era de teimosia e persistência quanto ao meu objetivo.

O facto de ter sido criada no seio de uma família ligada às artes teve toda a influência nas suas opções de vida?
Sim, na medida em que me deixavam livre para criar sem qualquer restringimento. Havia ferramentas em casa para me poder expressar e experimentar à minha vontade.

A integração de disciplinas como a fotografia, as artes plásticas e a moda são uma opção consciente de quem deseja construir uma imagem forte ou, por outro lado, são características inerentes à Emmy das quais não se consegue desvincular?
Eu não consigo criar música sem ao mesmo tempo pensar na parte visual, isto é, cada tema tem, para mim, uma paisagem ou localização que tento transmitir depois com a fotografia que é, hoje em dia, uma ferramenta muito importante para a atenção das pessoas. Faz com que possa haver uma identificação do ouvinte e um "situamento" emocional.

emmy CurlSabemos ser apaixonada pela sua terra natal... Esta paixão é vertida nos temas musicais que compõe?
Sim, acho que de um modo inconsciente a paisagem que me acompanhou até aos meus dezoito anos pediu-me que as minhas melodias tentassem ser o mais bucólicas possíveis. Viver rodeada, trezentos e sessenta graus, por montanhas inspirou-me para o lado nostálgico e idílico.

A banda Deep:Her; o conceito Cat-a-Vento, no qual, inspirada pela obra de Zeca Afonso e Fausto, planeia cantar em Português; e a participação no disco do guitarrista português Frankie Chavez são o outro lado de uma mesma moeda? O que significam estes projetos para a Emmy?
Falas-me de três conceitos diferentes. Deep:her é um projecto que tenho com um produtor e dj: Gijoe, que começou numa fusão à distância de dois extremos de Portugal: Portimão e Vila Real. Fizemos o álbum por internet e foi uma experiência muito rica para ambos. Cat-a-vento é um álbum conceptual que quero fazer num futuro próximo, talvez para 2014, em que todas as canções são em português e estão musicalmente ligadas ao tradicional nortenho. Vai ser um álbum acústico com muitos coros e melodias celtas. Já este último álbum que lancei chamado Cherry Luna, também conceptual, é baseado na música mais contemporânea eletrónica vinda das maiores cidades e da industrialização.
O facto de subdividir emmy Curl em outros projetos é uma maneira minha muito simples de me organizar. Como se pudesse colocar em pastas as minhas experiências e voltar a abri-las para experimentar ainda mais a mesma miscelânea.
A participação que tenho vindo a fazer com variados músicos, incluindo o Frankie, que admiro muito, é sobretudo uma maneira de perceber o processo e método dos meus colegas musicais. Acho essencial que os músicos interajam uns com os outros. Por vezes brotam frutos inéditos.

Em que medida, nomes como Andrew Bird, Little Dragon, Zero 7, Goldfrapp, Jorge Palma e José González a influenciam nas suas produções?
José Gonzalez foi um artista muito importante para a minha abordagem à guitarra clássica. Músicas como a Song of Origin são um exemplo dessa influência. Cada um desses artistas teve um papel particular na minha música. Seria uma carta longa para poder explicar. Acho que quando se explica e se abre as entranhas de uma obra perde o interesse poético. Prefiro que os leitores oiçam cada banda e interpretem por si onde é que eles de algum modo me guiaram.
Mas há algo que é preciso salientar: não tenho ídolos nem ninguém em particular que desejo seguir ou imitar. Por isso não há uma influência direta no meu trabalho, pode é claro ter uma influência inconsciente.

emmy Curl«Birds Among The Lines» levou-a atuar nos festivais Sudoeste e Delta Tejo, bem como a aparecer em programas televisivos como A Última Ceia, na SIC Radical. Onde a levou mais este primeiro trabalho? Como o caracteriza?
O ep Birds Among The Lines foi o meu embrião para o público ouvinte. Foi feito em apenas uma semana, por isso teve os seus prós e contras, pois fiquei vinculada a uma canção produzida em três dias, a "Mine" que não reflete aquilo que sou, nem aquilo que me abrange de todo. Acho que ainda não mostrei tudo de mim às pessoas passivas que me ouvem na rádio, e fez-me sentir um pouco injustiçada por ser a única música que as pessoas conhecem. Mas espero mudar isso para o ano! Não estou, com isto a dizer que não gosto deste segundo ep visto como primeiro oficial. Mas como disse ainda estava num embrião.

E o EP «Origins»? Qual a mensagem ou quais as mensagens que nos quer transmitir com este trabalho?
Aquilo que respondi na resposta anterior vai fazer compreender esta. O Origins foi a minha maneira de começar do zero da maneira que eu realmente queria, sem pressas. Contei com o João André para produzi-lo comigo. Foi uma ajuda muito preciosa e além disso foi uma parceria de amizade em que ambos acreditámos no que estávamos a fazer, tanto que ele tocou e toca comigo ao vivo como baixista.
Quis esteticamente mostrar a paisagem que sempre me rodeou e me influencia na minha música. Sonoramente é um disco muito de ambientes campestres e de estradas que me levavam para fora da minha cidade, onde me prometiam mais oportunidades para a minha música. Houve neste trabalho uma recriação de algumas músicas do Birds Among The Lines, que tiveram pela primeira vez oportunidade para serem mais trabalhadas. Para mim, a minha carreira musical começa a partir deste ep, por ser um trabalho que levou carinho, dedicação e tempo.

Como mede o seu impacto no público? O facto de, cada vez mais, existirem versões das suas canções no YouTube poderá ser um bom indicador?
É extraordinário como é que pessoas do outro lado do globo vêm a interpretar as minhas canções. É um sentimento de pertença muito grande. O maior elogio a um músico ou a um artista é a identificação emocional da obra e o reconhecimento de que o que transmitimos não é indiferente a alguém. Uma versão é uma confirmação de que o que estamos a fazer não esteja errado de todo.

Qual o caráter ou influência que pretendia imprimir na sua música ao convidar o André Tentúgal (We Trust) para a gravação do seu último trabalho?
Antes do André "explodir" com os We Trust já eramos amigos, inclusivamente já tocava em conjunto com o João André. Aliás, o André apareceu por coincidência num bar onde eu tocava todas as quintas feiras, e convidou-me no dia seguinte para assistir a um concerto no Teatro de Vila Real. Foi então aí que conheci tanto o João André como o Alexandre (The Weatherman) que vim também a participar numa das suas canções. Estavamos todos em família portanto. Depois o sucesso de We Trust coincidiu um pouco antes do lançamento do Origins o que fez com que a sua participação tivesse o respetivo destaque.

Mais uma vez lhe agradecemos esta oportunidade de saber mais um pouco sobre a Emmy Curl. Pode, para terminar, dizer aos nossos leitores quais os seus próximos projetos para 2014?
Para 2014 espero lançar dois álbuns. O primeiro álbum de emmy Curl e mais tarde o Catavento, mais para o fim do ano. E é só (risos)...
Obrigada XpressingMusic por esta entrevista!

Emmy Curl, o seu universo único, e a forma transversal como as artes perpassam a sua música…

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